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19 de março de 2012

Mais uma ... Provinha Brasil

Do Estadão:

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, anunciou nesta tarde a criação de uma prova nacional para medir o grau de alfabetização de crianças de 7 e de 8 anos. O exame, que será aplicado para todos os estudantes a partir do ano que vem, será uma ampliação da Provinha Brasil, que avalia o estágio de alfabetização e de conhecimentos básicos de matemática de estudantes do 2º ano do ensino fundamental. “A Provinha Brasil é amostral. Nós faremos um exame nacional para ver a qualidade do letramento”, disse Mercadante, que participou de um debate promovido pelo Lide, Grupo de Líderes Empresariais, na zona sul de São Paulo. No evento, o ministro disse que a garantia de alfabetização na idade correta, até 8 anos, é a grande prioridade da sua gestão. “O exame será para todas as crianças. Tem custo? Tem. Mas é muito menor que o da ignorância.” Mercadante quer usar o desempenho dos estudantes no exame de alfabetização no Escola Sem Fronteiras, programa que vai oferecer bolsas de estudo em colégios privados de referência, como o Pedro II, do Rio, para professores cujos alunos de destacaram na avaliação. O outro indicador para selecionar professores do Escola Sem Fronteiras será o desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). O ministro disse que professores com desempenho excepcional podem ganhar bolsas de estudo no exterior. “Já recebemos uma proposta da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e estamos discutindo com secretários de Educação, porque isso tem de ser feito em parceria. Quem administra a rede são Estados e municípios”, disse Mercadante. “Estamos chamando os secretários para participar do desenho do programa, da modelagem. Na quinta-feira haverá uma oficina dos secretários para que em conjunto a gente consiga fechar a proposta.”

Comento: Não fosse o custo da logística de um empreendimento dessa monta, que no meu entender não confere retorno algum, a própria inexistência de referencial teórico para se mensurar uma alfabetização bem feita em curto prazo já aponta mais um cavalo de tróia eleitoral que se cria às expensas do erário público. Outro fator que deve ser notado, além da iniciativa elafantesca já citada, é um dos objetivos da coisa que é o de selecionar expoentes desse exame por amostragem para cambiá-los a escolas de referência da educação particular, carimbando a escola pública no nível lamentável em que se encontra... desde a alfabetização.


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15 de março de 2012

Mercadante mostra-se cauteloso quanto à utilização do Kit gay na rede pública de ensino

Da Folha:

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, se mostrou cauteloso ao ser questionado sobre o uso de material anti-homofobia na rede pública de ensino. Ele reconheceu a necessidade de tratar o assunto, mas criticou uso de vídeo, por exemplo, como forma de combater o preconceito. "Se eu acreditasse (...) que lançar um material didático, simplesmente produzir um vídeo e lançar na escola resolvesse, nós estaríamos fazendo, mas não vai resolver. Só o clima que nós criamos aqui no âmbito do Congresso Nacional, longe de contribuir, acirrou as posições", afirmou o ministro em audiência pública na Câmara dos Deputados. Elaborado na gestão de Fernando Haddad (PT), o kit de combate à homofobia teve sua distribuição suspensa em maio do ano passado pela presidente Dilma Rousseff. Na ocasião, a assessoria de imprensa do ministério informou que ele era composto de vídeos e de publicação de orientação para professores. Segundo o ministro, o debate no congresso sobre o kit foi alvo de "intransigência e polarização". "Nós temos crianças na rede escolar que vão para casa envergonhadas, humilhadas (...) e uma das razões é a homofobia", disse o ministro. "Nós precisamos fazer uma pesquisa mais cuidadosa e mais aprofundada sobre como construir um diálogo que respeite a diversidade em todas as suas formas. Para construir essa cultura nós vamos ter que estudar mais a fundo a homofobia e como dialogar, porque o enfrentamento direto eu acho que não vai ajudar", completou. 

Comento: Sinceramente, ponto para  Aloizio Mercadante. Não gosto de sua trajetória política, pautada à sombra dos principais escândalos protagonizados pelo petismo, mas sua ação cautelosa quanto a assunto tão inoportuno confere alguns créditos a ele. O tema diversidade sexual não é coisa para ser discutida na escola e cabe unicamente à família abordar e detalhar minimamente as normas e seus desvios no tocante ao sexo. Tem coisas que, por maior que seja a interdisciplinaridade e transversalidade continuam íntimas o suficiente para não serem especuladas por pessoas que não são nossas mais indicadas confidentes: a família. Como pressupõe-se que todo aluno da rede regular de ensino tem um responsável direto, a responsabilidade indireta pela educação, que cabe à escola desse aluno não a credencia a apontar, no bojo dessa temática, o que é correto ou não. E no mais, apelos ao estímulo à tolerância e ao combate ao preconceito de nada, mas nada mesmo valerão se no ambiente doméstico campear a sociopatia. Por isso, creio que o mais indicado seja o fomento à conscientização familiar.

11 de fevereiro de 2012

Novo ministro da educação anuncia três novas provas: o exame nacional do professor que sabe operar o tablet, o ENEM que não dará problema e o exame nacional da alfabetização bonificada

Do Estadão:

Há menos de duas semanas no cargo de ministro da Educação, Aloizio Mercadante chegou à conclusão de que a escola não está “interessante”. Isso explicaria parte do fato de 3,8 milhões de crianças e jovens entre 4 e 17 anos estarem fora da escola, segundo dados divulgados no início da semana pela ONG Todos pela Educação. Em entrevista ao Estado, o ministro anunciou que discute o pagamento de bônus para as escolas que alfabetizarem todos os alunos até 8 anos. Essa seria sua prioridade na pasta. 

Para Mercadante, ensino médio é o maior nó - Beto Barata/AE

Para evitar que a primeira prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) sob seu comando não se transforme em nova crise, Mercadante disse que trabalha para aumentar o banco de questões da prova, atualmente com cerca de 6 mil questões - um décimo do mantido nos EUA. Para ele, ainda há risco logístico na prova. A seguir, a entrevista: 

O sr. assumiu o cargo anunciando a distribuição de tablets para professores do ensino médio. Mas como pretende cumprir o compromisso assumido pela presidente Dilma Rousseff na campanha de erradicar o analfabetismo? Quase 10% dos jovens e adultos não sabem ler nem escrever um bilhete simples.
A leitura, a redação e as primeiras contas são um direito civilizatório. É um objetivo que estamos perseguindo já há algum tempo e tardiamente, porque o País está muito atrasado no processo educacional. Nossa prioridade vai ser alfabetizar na idade certa, ou seja, reverter essa tendência do analfabetismo funcional.

É muito mais inteligente resolver na idade certa que fazer programa de recuperação depois. E muitas dessas crianças, que vão seguindo sem ler ou escrever, vão abandonar a escola. Estamos concluindo um programa amplo, focando dos 6 aos 8 anos. Precisamos de um programa que motive as prefeituras para colocar os melhores professores nas salas de aulas, que haja bônus nesse processo para o desempenho da escola e um processo de monitoramento, com avaliação pedagógica. 

Como vai ser o bônus?

Bônus para as escolas que atinjam os resultados. É um tema que estamos amadurecendo. Se a escola consegue todas as crianças alfabetizadas na idade certa, temos de valorizar essa conquista. Tem de ser um grande esforço nacional. 

E o que fazer com o estoque de analfabetos jovens e adultos que diminui lentamente, quase imune aos gastos do Programa Brasil Alfabetizado?

Também é muito importante que a criança frequente a pré-escola. E estamos com um problema. O governo antecipa o pagamento para as prefeituras, mas as creches estão demorando de dois anos a dois anos e meio para ficarem prontas. E o tempo das crianças é agora. Estamos acelerando uma pesquisa sobre novos meios construtivos, estrutura pré-moldadas, abrir opção para os prefeitos, com custo competitivo, fazer algum tipo de pregão eletrônico de serviços de engenharia. Se a gente resolver a entrada, com um programa pedagógico forte, não carregaremos essa herança que carregamos hoje. 

Resta o jovem adulto analfabeto nas grandes metrópoles. Vai dar para tirar do papel a meta de erradicar o analfabetismo?

Temos de ser realistas: eleger prioridades e saber o que é uma herança muito antiga. É muito mais fácil construir um programa de alfabetização em parceria com indústria que no interior. A presidente tem uma forma de ver a questão das metas que eu compartilho. Ela diz que sempre precisamos estabelecer metas como quem lida com arco e flecha: mira um pouco mais acima para acertar o alvo. A meta assumida pelo governo em Dacar é chegarmos a 2015 com 6,7% de jovens e adultos analfabetos - temos 9,6%.

O Plano Nacional de Educação prevê a prova nacional de docentes. Isso vai esperar a votação do projeto no Congresso?

Vamos fazer neste ano, acho que a ideia está bem amadurecida. Pretendemos que essa prova ajude a motivar professores para trabalhar em municípios de baixo desempenho na educação e em áreas de risco. Seria uma oportunidade para atrair bons professores para essas áreas. É isso que vai mudar a qualidade da educação. 

O sr. mudou o eixo do programa de inclusão digital nas escolas ao anunciar a distribuição de tablets para professores do ensino médio. O programa de distribuição de laptops a alunos foi abandonado, como sugere o estudo encomendado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE)?

O Brasil é o terceiro país onde mais se vende computadores. Para a parcela da população mais pobre, a única opção de acesso verdadeiro é a escola. Não queremos um apartheid digital, como tivemos um apartheid educacional no passado. Tanto há uma demanda por inclusão digital que as lan houses da periferias estão entupidas de jovens, que entram nas redes sociais sem usar todo o potencial dos computadores. É indispensável que a escola se modernize. O arranjo social da escola e o quadro negro são do século 18, os professores, do século 20 e os alunos, do século 21. Nós, que somos do século 20, somos imigrantes digitais, viemos de uma cultura analógica. A reflexão internacional demonstra que o computador na escola deve começar pelo professor.

O ensino médio é o maior nó em termos de evasão escolar. Não dá para o Brasil se acomodar com uma manchete que diz que 3,8 milhões de crianças e jovens de 4 a 17 anos estão fora da escola. E estão fora da pré-escola e do ensino médio. De um lado, porque não alfabetizou plenamente. O aluno perde a motivação e a capacidade de acompanhar, porque a escola não está interessante e porque o mundo do trabalho está aquecido.E como podemos reagir de forma rápida? Dando tablet para o professor e conteúdo para ele preparar as aulas. 

Uma questão mais urgente: como o sr. pretende blindar a próxima edição do Enem de mais uma crise? 

O Brasil precisa ter convicção de que nenhum país desenvolvido deixa de usar instrumento semelhante ao Enem. Os Estados Unidos têm há 85 anos um exame nacional. A China tem um exame que o aluno pode fazer uma única vez na vida. Alemanha, Itália, França e Grã-Bretanha têm prova uma vez por ano. O Enem é critério de meritocracia num Estado republicano, especialmente entre os mais pobres. Houve aprimoramento ao longo desses anos, como a superação de grandes desafios logísticos de uma prova para 5,4 milhões de alunos. O Brasil não tem culpa de ser tão grande. E há riscos na logística.

Mas como evitar mais uma edição problemática?

Precisamos de um banco com um volume grande de questões. Nos EUA, há mais de 100 mil questões. Eles podem fazer sete vezes por ano, porque seleciona na hora as questões. Quando tivermos banco amplo, o risco acabará. É tanta questão a que você teria de ter acesso que o único caminho é estudar. A segunda questão são as redações. Precisamos aprimorar o critério de correção, para que tenhamos mais segurança na avaliação, pois sempre há componente subjetivo. Essas são as duas frentes mais importantes em que estamos trabalhando.

26 de janeiro de 2012

Especialistas elencam as expectativas em relação ao novo responsável pela pasta da educação. Quais são as suas?


Aloizio Mercadante assumiu o comando do Ministério da Educação (MEC) na terça-feira. Para especialistas do setor, ouvidos pelo GLOBO, a expectativa é que o novo ministro priorize a melhoria da qualidade da educação básica brasileira, que atende a mais de 50 milhões de crianças e jovens e soma 2 milhões de professores da educação infantil ao ensino médio. 


Antônio Freitas, membro do Conselho Nacional de Educação
- Melhorar a educação básica investindo na seleção de profissionais mais qualificados e brigando pelo cumprimento do piso nacional dos professores. Hoje no Brasil 98% da população têm acesso à educação básica, mas esse ensino ainda não é de qualidade;
- Diminuir a taxa de evasão no ensino médio;
- aumentar a quantidade de bolsas de estudo oferecidas no Programa Universidade para Todos (Prouni);
- melhorar a logística do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade);
- mudar os sistemas de avaliação da qualidade da educação no Brasil, levando em consideração as diferenças regionais.

Roberto Salles, reitor da Universidade Federal Fluminense
- Aumentar o investimento na educação básica;
- exigir formação especializada para todos os professores;
- conseguir a aprovação do Plano Nacional de Educação 2012 (PNE) antes das eleições municipais;
- dar continuidade aos programas educacionais como: Reuni, Prouni, Pronatec e etc.
- acabar com o analfabetismo no Brasil;

Priscila Cruz, diretora executiva da Ong Todos Pela Educação
- Aumentar e melhorar os investimentos na educação, priorizando o ensino básico;
- concluir o processo de definição das matrizes do novo currículo nacional;
- aprimorar o regime de integração educacional entre a União, os estados e municípios;
- diminuir o índice de analfabetismo no Brasil;
- melhorar a formação dos professores para acompanhar a nova geração de jovens

19 de dezembro de 2011

Sai MEC e entra MEC no MEC

Da Folha:


Mercadante no MEC 

Dilma Rousseff decidiu colocar Aloizio Mercadante no lugar de Fernando Haddad quando este deixar o Ministério da Educação para disputar a Prefeitura de São Paulo pelo PT. A substituição deverá ocorrer em breve.  A presidente chegou a analisar a possibilidade de uma sucessão caseira, promovendo um dos quadros da atual cúpula do MEC, mas concluiu que o ex-senador petista, hoje ministro de Ciência e Tecnologia, é uma solução de mais peso para uma área que ela considera estratégica. Desde o início do governo, Mercadante tem se mantido distante de refregas partidárias e concentrado nos assuntos de sua pasta. Mercadante sempre esteve bem com Dilma, mas foi a partir da saída de Antonio Palocci da Casa Civil, em junho, que seu trânsito aumentou significativamente dentro do governo. Uma vez fora do ministério, Haddad deve tirar duas semanas de descanso antes de mergulhar nas atividades de pré-campanha.

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