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4 de julho de 2010

Grandes negócios, pequenos empreendedores

O contato com a vida financeira deve começar na infância

O aprendizado nos primeiros anos de vida evita dívidas impagáveis na fase adulta. Experiências educacionais em São Paulo e Brasília tentam passar esse conhecimento

Por Vera Batista


Os segredos da boa administração do dinheiro precisam ser descobertos na infância. É na primeira fase da vida que todas as pessoas, independentemente da classe social, aprendem os principais conceitos sobre o valor da moeda, além do bem e do mal que o seu uso pode acarretar. Trata-se de um aprendizado fundamental que, caso não seja transferido pelos pais, deve ser buscado na escola, opção escassa no país. Em São Paulo, uma experiência pioneira vem mostrando resultados. Em quatro anos, a professora Silvia Alembert, representante da franquia norte-americana de educação financeira The Money Camp, ensinou 1,5 mil crianças em situação de vulnerabilidade a lidar com recursos financeiros.

O entusiasmo dos meninos e meninas participantes do curso foi tamanho que parte deles, se pudesse, escolheria as "aulas de dinheiro" às da escola convencional. São momentos lúdicos, que envolvem brincadeiras e simulações de aplicações financeiras. As crianças lidam com uma moeda fictícia, a "moola" (gíria dos Estados Unidos para grana). As aulas são lúdicas, envolvem brincadeiras e simulações de aplicações financeiras. Os pequenos, ao fim do período, são premiados de acordo com um sistema de pontuação. O primeiro colocado recebe uma conta de investimentos em fundos ou previdência no valor de R$ 100. O segundo ganha uma caderneta de poupança de R$ 50. E o terceiro, um livro sobre o tema. Todos os demais ganham medalhas pela participação.

Sílvia explica que usa um método que aflora as potencialidades humanas para alcançar objetivos. "O curso ensina a consumir com inteligência, sem exageros, a programar despesas e a investir adequadamente. A maioria dos brasileiros não tem hábito de planejar, identificar o que é necessidade e se preparar para um possível período de crise financeira", adverte. Ela constata que a linguagem do dinheiro é a mesma ao redor do mundo, independentemente da situação social das pessoas. Segundo ela, o problema reside na inversão de valores, no consumismo sem limites e na cultura de que o dinheiro é sujo, não traz felicidade - valores geralmente disseminados pelos pais que viveram situações financeiras ruins.

Culpa

Para os especialistas no assunto, muitas das atitudes irresponsáveis dos filhos têm como origem o sentimento de culpa dos pais, que, com frequência, querem substituir ausências por compensações financeiras de toda ordem. Esse doloroso processo psicológico está descrito com detalhes no livro Você sabe lidar com seu dinheiro? Da infância à velhice, dos jornalistas Marília Cardoso e Luciano Gissi Fonseca. É na inversão dessa lógica, incutida na mente das crianças, que se concentra o programa The Money Camp. Nos cursos realizados, os pais também são "trabalhados" para se educar. O objetivo é que eles passem também a contribuir para a mudança de comportamento dos filhos.

Sílvia explica que o programa é uma filosofia de vida, um resgate da autoestima. Os pequenos são estimulados a viver de acordo com seu orçamento. "E não para se mostrarem para os outros", diz. O objetivo é ensiná-los a usar o dinheiro com ética e respeito aos demais. O conceito mais usado ao longo do curso é o de que é possível concretizar os desejos. Para isso, não existe mágica. Só depende de planejamento. "O dinheiro não dá em árvores, nem cai do céu", prega. Para ampliar o programa, ela firmou parceria com o Instituto de Tecnologia Social Aplicada (Itesa) e mais 250 crianças e adolescentes de baixa renda serão atendidas até o fim do ano.

Empreendedores

A diretora da franquia norte-americana luta para ver esse projeto disseminado por toda a rede de ensino estadual paulista, mas o sonho esbarrou na burocracia governamental. Em Brasília, projetos semelhantes começam a ganhar forma. Desde 2009, a pedagoga Rosa Leite, do Colégio Sagrado Coração de Maria, trabalha com 18 turmas do segundo ao sétimo ano do ensino fundamental da escola, uma instituição particular para alunos de classe média alta. O assunto faz parte da disciplina empreendedorismo, com aulas semanais de 50 minutos, palestras com economistas, gerentes de banco e analistas de mercado financeiro. As crianças confeccionaram um cofrinho com material reciclado e estabeleceram uma meta para o fim do ano.

"Dependendo da relação familiar, com ou sem mesada, as crianças guardaram de R$ 30 a R$ 200. Elas se esforçaram muito e nos ajudaram a criar consciência financeira nos pais. Umas pediam a eles para fazer massagem, outras para arrumar o escritório - tudo em troca de pagamento", lembra Rosa. Um dos garotos sonhava em comprar um automóvel. Juntou R$ 150 e colocou na poupança para, aos 18 anos, comprar o próprio carro. "Ele tem 9 anos e está na 3ª série", relata a professora. Outros mais maduros, da 7ª série, para conseguir os primeiros recursos próprios, venderam produtos da Avon e da Natura e fabricaram bijuterias na oficina de artesanato para comercialização na feirinha local.

Por trás dessas iniciativas, está o propósito de deixar claras para as crianças, e os seus pais, as consequências do bom e do mau uso do dinheiro. Com conceitos óbvios, como o de gastar apenas o que ganham, os instrutores buscam evitar situações limites, como as que exigem outro tipo de profissional, os chamados "médicos financeiros", convocados sempre que o estrago no orçamento já não tem mais conserto. Melhor que ensinar os perdulários a se salvarem, Silvia e Rosa garantem que negócio mais lucrativo é apostar no aprendizado prévio. Nas experiências tocadas por elas, os garotos saberão, por exemplo, a diferença entre comprometer parte da renda em longos financiamentos e o investimento do mesmo valor, pelo mesmo período, em aplicações financeiras com renda pré-fixada, por exemplo.

Como gastar

Incomodada com um dado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), segundo o qual 85% das famílias brasileiras vivem endividadas, Marília Cardoso pesquisou e escreveu um livro-reportagem dirigido a jovens, adultos, casais e aposentados. De certa forma, ela também fala às crianças. Para os pequenos, as dicas estão relacionadas ao uso da mesada dada pelos pais.

Fonte: Correio Braziliense

1 de julho de 2010

O ensino médio e a inclusão sem traumas no mercado de trabalho

Desemprego é maior para quem não conclui ensino médio do que fundamental


"Quem tem segundo grau incompleto ocupa um vácuo entre a mão de obra qualificada e a desqualificada, que não é absorvida pelo mercado brasileiro. Por isso, hoje o desemprego é maior entre aqueles que não concluíram ensino médio do que entre os que não terminaram o ensino fundamental. O diagnóstico foi apresentado no lançamento do estudo “A Crise de Audiência no Ensino Médio”, do Movimento Todos pela Educação e do Instituto Unibanco, nesta quarta-feira (16/6).
No ano de 2008, 14% das pessoas com o segundo grau incompleto, com 15 anos ou mais, estavam desempregadas, contra 5,4% das que tinham primeiro grau incompleto, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD).
“O que acontece é que quem tem segundo grau incompleto ocupa um vácuo entre a mão de obra qualificada e a desqualificada, que não é absorvida pelo mercado brasileiro. Quem não completou o ensino médio fica nesse vácuo”, explica a tutora do Portal Educação, Emileide Lucineia da Costa.
O maior índice de desemprego, em 2005, estava entre quem tinha nove anos de estudo, chegando a 14%. Para quem tinha quatro anos de estudo a taxa de desemprego ficava em cerca de 6%. A explicação para Carlos Artexes, diretor de Concepções e Orientações Curriculares para Educação Básica, do Ministério da Educação (MEC), é que há uma heterogeneidade no mercado de trabalho que absorve profissões não qualificadas em um número relativamente grande.
“Existem trabalhos que muita gente sem escolaridade absorve, por exemplo, a construção civil, cuja demanda cresceu e que dá emprego a quem não concluiu o ensino fundamental”, concluiu Artexes."
Fonte: Portal Educação

A geração de vidro

Psicanalistas alertam para problemas da Geração Narcisista, formada por crianças que só recebem elogios e não batalham por nada


"Psicanalistas e psiquiatras americanos alertam para um problema que vem se agravando ao longo dos últimos 15 anos e chega agora ao seu ápice: a chamada Geração Narcisista. São crianças que recebem elogios e são premiadas por qualquer conquista, mesmo aquelas que em outros tempos não passavam de obrigações, como tirar boas notas, ajudar com as tarefas da casa ou comportar-se bem. Segundo Rob Asghar, autor de "Lições da Guerra Santa", em artigo no " The Huffington Post ", o movimento de se elogiar o tempo todo as crianças por conquistas imaginárias está associado à tendência "E" ("entitled", de acumular títulos) e os responsáveis por isso são, sim, os pais.
Um dos maiores vilões da Geração Narcisista, mostram os psicanalistas, é o culto exagerado à autoestima. O que Rob Asghar percebeu é que não batalhar para ser aprovado pode gerar cidadãos até ajustados. Mas, segundo ele, todos os empregadores em busca de novos funcionários são unânimes em afirmar que os jovens não sabem se empenhar para conquistar nada nos dias de hoje. Querem tudo de mão beijada e já se sentem, de antemão, elogiados.
Bill Maier, um terapeuta de família do Colorado especializado em treinamento dos pais, disse que está chocado com o aumento do que ele chama de pais permissivos. Esses pais falham no dever de estabelecer limites para os filhos:
- Esse tipo de pai e mão não consegue estabelecer limites para o comportamento da criança. Até mesmo para comportamentos que não são saudáveis, são perigosos ou destruitivos. Esses pais estão tão preocupados em serem amados por seus filhos que pagam por qualquer capricho das crianças - explica Maier.
Maier diz que há um efeito cascata nesse tipo de comportamento dos pais:
- Mesmo que você faça um bom trabalho, o universo que cerca o seu filho será o de crianças que têm pais permissivos e isso vai gerar uma influência sobre o seu: pense sobre o bullying, sobre as trapaças dos colegas de classe, de abusos de namorados ou namoradas.
Joanne Weidman, terapeuta de família da Califórnia, disse que o narcisismo que existe entre os pequenos é resultado de uma tendência narcisista de seus próprios pais. E atribui aos pais uma acomodação com relação à educação dos filhos e expectativas irreais sobre o sucesso deles que são extremamente prejudiciais.
Os sinais estão em competições tolas entre os próprios pais - do tipo quem faz a maior e melhor festa para uma criança de 2 anos que não tem nem condições de aproveitar a comemoração.
- Temos crianças com uma prateleira cheia de troféus e uma casa cheia de fotos de todos os seus movimentos, mas nenhuma ideia de quem eles realmente sejam - explica Weidman."
Fonte: O Globo

30 de maio de 2010

Somos todos hiperativos?

A era da desatenção
Após epidemia de diagnósticos de transtorno de deficit de atenção e hiperatividade em crianças, adultos encontram nas drogas Ritalina e Concerta, os nomes comerciais do metilfenidato, a tábua de salvação para o baixo desempenho na era multimídia -1,2 milhão de caixas de remédio foram vendidas no Brasil em 2008

MARCELO LEITE
CLÁUDIA COLLUCCI
Ilustrações GUTO LACAZ
HUCKLEBERRY FINN, PROTAGONISTA das aventuras do romance de Mark Twain (1835-1910) que leva seu nome, daria um sério candidato, nos dias de hoje, à domesticação com base na droga metilfenidato (Ritalina e Concerta são as marcas disponíveis no Brasil). Isso, claro, se algum orientador da escola conseguisse capturar o menino para encaminhar a um consultório de psiquiatria infantil. Já o negro Jim, se caísse nas mãos de um psiquiatra de passagem pelo Mississippi em meados do século 19, seria provavelmente devolvido a ferros com um diagnóstico de drapetomania (do grego "drapetés", fugitivo). A especialidade médica tinha menos de meio século e se empenhava em cunhar suas próprias "doenças". Huck, o amigo do escravo fujão, preencheria facilmente o mínimo de 6 dos 18 critérios de diagnóstico para o Transtorno de Deficit de Atenção e a Hiperatividade (TDAH), alvo do metilfenidato. Não era propenso a seguir instruções, ficar quieto ou pensar antes de responder. Reações precipitadas eram com ele mesmo. Lição de casa, nem pensar.
A viúva Douglas e a srta. Watson bem que tentavam civilizar o garoto impulsivo e agitado, mas ele fugiu -só para terminar nas garras do pai bêbado, que o trancou numa cabana. Huck fugiu de novo. Seguem-se 349 páginas de hiperatividade pura, que terminam com Huck anunciando nova partida, para territórios indígenas a oeste. Huck, na nossa era multimídia, faria companhia aos 2,7 milhões de americanos entre 6 e 17 anos que tomam estimulantes como o metilfenidato e outros medicamentos psicoativos, entre os 4,6 milhões de diagnosticados com TDAH (8,4% da população nessa faixa etária). O consumo per capita de metilfenidato nos EUA é oito vezes maior que em países europeus. Estima-se que, no mundo, 5,3% dos jovens tenham TDAH. Por aqui, o preguiçoso e irrequieto Macunaíma, de Mário de Andrade, talvez recebesse o mesmo diagnóstico (ou estigma). Nas escolas particulares e escritórios da cidade grande que fascinaram o herói sem nenhum caráter, seus descendentes descobriram o metilfenidato. No Brasil, de 2000 a 2008, as vendas passaram de 71 mil caixas anuais para 1,2 milhão. Quantidade suficiente para medicar dezenas de milhares de adolescentes e crianças.

SUPERDIAGNÓSTICO
Há alguma coisa errada nesses números, segundo Luis Augusto Rohde, psiquiatra da infância e da adolescência na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). E não é por excesso, mas por falta de diagnósticos. "Em termos de saúde pública, não existe no Brasil problema de superdiagnóstico e supertratamento", afirma Rohde, autor principal de um influente artigo sobre TDAH publicado em 2007 no periódico "American Journal of Psychiatry", citado por quase 300 especialistas em outros trabalhos. Foi desse estudo que saiu a cifra de 5,3% de prevalência mundial. O Brasil tem 47 milhões de crianças e adolescentes de 6 a 18 anos; 5% deles seriam 2,35 milhões. "Não temos mais do que 100 mil crianças usando a medicação", estima Rohde. "Há escolas privadas no país com um número excessivo de tratamentos, mas é uma realidade pontual."
Para o grupo gaúcho, existe uma epidemia de uso indevido da medicação por adultos. O metilfenidato estaria sendo empregado para melhorar o desempenho de estudantes e profissionais em tarefas pesadas e monótonas, como a leitura e a redação de textos longos -preparação de exames, relatórios, e por aí vai. "Há muitas mães que usam [o metilfenidato] para emagrecer", agrega o também gaúcho Guilherme Vanoni Polanczyk, atualmente na Faculdade de Medicina da USP, primeiro autor do artigo liderado por Rohde, que foi seu orientador. Um estudo que eles fizeram em escolas públicas de Porto Alegre constatou que só 2% dos alunos que satisfazem os critérios do TDAH recebiam medicação.

SINTOMAS VAGOS
Outra causa provável do aumento exponencial de vendas de Ritalina e Concerta é a automedicação como consequência de autodiagnósticos. Pouca gente deixaria de se reconhecer na lista oficial de 18 sintomas compilada no "Manual de Diagnóstico e Estatística", da Associação Americana de Psiquiatria (DSM-4), segundo o qual portadores de TDAH frequentemente:
1. Deixam de prestar atenção a detalhes ou cometem erros por descuido em atividades escolares, de trabalho ou outras;
2. Têm dificuldade para manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas;
3. Parecem não escutar quando lhe dirigem a palavra;
4. Não seguem instruções e não terminam deveres escolares, tarefas domésticas ou deveres profissionais;
5. Têm dificuldade para organizar tarefas e atividades;
6. Evitam, antipatizam ou relutam em envolver-se em tarefas que exijam esforço mental constante;
7. Perdem coisas necessárias para tarefas ou atividades;
8. São facilmente distraídos por estímulos alheios à tarefa;
9. Se esquecem de atividades diárias;
10. Agitam as mãos ou os pés ou se remexem na cadeira;
11. Abandonam sua cadeira em sala de aula ou quando se espera que permaneçam sentados;
12. Correm em situações inapropriadas;
13. Têm dificuldade para brincar ou se envolver silenciosamente em atividade de lazer;
14. Agem como se estivessem "a todo vapor";
15. Falam em demasia;
16. Dão respostas precipitadas, antes de concluídas as perguntas;
17. Têm dificuldade para aguardar sua vez;
18. Interrompem conversas ou se metem em assuntos dos outros.
"Alguém que age e reage de maneira diferente, que aprende diferente, já é tachado como doente", diz Maria Aparecida Moysés, professora titular de pediatria da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ela vê um processo "muito intenso e extenso" de medicalização do comportamento. Só 1% de seus colegas de especialidade encara o TDAH como uma doença real, que deve ser tratada por médicos, segundo uma pesquisa de opinião de 2007. "Quando você vê os critérios diagnósticos, não tem como não se enquadrar. É de uma imprecisão absurda, não tem nada de evidência científica", diz ela. "Se for por aí, todo mundo tem deficit de atenção."

MENTES INSACIÁVEIS
A psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva descobriu ser portadora 24 anos atrás, aos 19, quando era estudante de medicina na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). "O diagnóstico de TDAH dividiu minha vida em antes e depois", conta. "Foi similar a quando descobri que era míope e usei óculos pela primeira vez -eu via o mundo como uma pintura impressionista. A partir dali, comecei a vê-lo cheio de detalhes, barroco." A descoberta ocorreu durante um congresso médico em Chicago, quando a acadêmica de medicina se reconheceu na descrição dos sintomas. Hoje, a médica ainda recorre a pílulas (bupropiona) para trabalhos que exigem muita concentração, como a revisão de textos longos. Medicada, disciplinou-se a ponto de escrever um livro inteiro. "Mentes Inquietas", a obra, vendeu cerca de 50 mil exemplares desde que foi relançada pela editora Objetiva em setembro de 2009 (das vendas da primeira versão, de 2003, não há cifra precisa; segundo a autora, ultrapassaram 150 mil cópias). O TDAH abriu um filão para a escritora, que depois lançou "Mentes Perigosas", "Mentes com Medo", "Mentes Insaciáveis", "Mentes e Manias" e o recém-publicado "Bullying: Mentes Perigosas nas Escolas". Mais três volumes da série "Mentes..." vêm aí.

TEMPOS DA BENZEDRINA
Não resta muita dúvida de que o metilfenidato aumenta a produtividade e contribui para o avanço da literatura -pelo menos a de autoajuda. No passado, escritores de estirpe diversa recorreram aos préstimos de estimulantes para turbinarem atenção e redação. W.H. Auden, James Agee, Graham Greene, Jack Kerouac e até Jean-Paul Sartre teriam recorrido a estimulantes para ler e escrever mais, relata Joshua Foer num artigo para a revista eletrônica "Slate". Eram os tempos da benzedrina (tipo de anfetamina). O próprio Foer conduziu um experimento de uma semana com Aderall, um dos medicamentos mais populares nos EUA para tratar TDAH (e, ao lado da Ritalina, consumido por 20% dos universitários americanos). Os resultados foram "miraculosos". De uma sentada, Foer leu 175 das 1.386 páginas de "A Estrutura da Teoria Evolucionista", do grande biólogo Stephen Jay Gould.
"Eu me sentia menos eu mesmo", escreveu. "Embora pudesse lançar mais palavras por hora na página com o Aderall, tive uma suspeita incômoda de que estava pensando com viseiras." Em conversa com amigos escritores, confirmou que outros também sentiam a criatividade tolhida pelo remédio. A benzedrina não parece ter prejudicado a escrita de Kerouac no clássico da literatura beat "On the Road - Pé na Estrada" (L&PM) -ao contrário, dirão seus cultuadores. Mas contribuiu, segundo Foer, para baixá-lo ao hospital com uma tromboflebite.
DISFUNÇÃO MÍNIMA
Os usuários habituais de metilfenidato precisam tomar cuidado com efeitos colaterais como aumento moderado da pressão arterial e da frequência cardíaca. Em jovens e crianças, a droga parece capaz de retardar o crescimento, talvez até 1,2 cm por ano. Theodor Lowenkron, da Sociedade Brasileira de Psiquiatria, recomenda cautela na prescrição de drogas psicoativas, em especial para crianças. "Para indicar ou não a droga, os prós e os contras devem ser bem avaliados -caso a caso", enfatiza. "E a intervenção terapêutica não deve se limitar à prescrição de remédios." Apesar das manifestações adversas, o metilfenidato foi aprovado pela poderosa FDA (agência de alimentos e fármacos dos EUA) já em 1955, para tratar sintomas hoje enfeixados como TDAH. A epidemia de vendas só deslanchou depois de 1999, quando um estudo clínico pioneiro mostrou a superioridade do tratamento com remédios sobre a terapia comportamental com envolvimento de pais e mestres. Anos depois, o acompanhamento do grupo de pacientes revelou que a suspensão do metilfenidato faz voltarem os sintomas. No longo prazo, a vantagem do medicamento sobre outros tratamentos decai.
Na Europa, prevalece o nome "transtorno hipercinético", ou HKD na abreviação em inglês. Antes, o complexo de comportamentos recebia nomes como "síndrome da criança hiperativa", "reação hipercinética da infância" ou "disfunção cerebral mínima". HKD é a classificação da Organização Mundial da Saúde, que usa uma lista de sintomas parecida com a do DSM-4, mas exige 10 deles, e não 6, para o diagnóstico. O critério restritivo, associado com diferenças culturais, é apontado como responsável pela discrepância na proporção de casos dos dois lados do Atlântico.

CUMPLICIDADE
O componente cultural é refutado pelo estudo estatístico dos brasileiros Rohde e Polanczyk, que atribuem a variação nas cifras de prevalência pelo mundo ao uso de metodologias díspares. Eles rejeitam tanto a ideia de que o aumento de TDAH seja fruto das condições da vida contemporânea quanto a de que se deva ao sucesso de uma "construção social", mancomunando psiquiatras com a indústria farmacêutica para ampliar mercado. Rohde atende hoje cerca de 500 adultos em seu serviço de TDAH em Porto Alegre. Não se trata de nova expansão "medicalizante", afirma, mas da manutenção dos sintomas em 70%-80% das crianças e jovens diagnosticados quando chegam à maturidade. "Não é só no trabalho, é aquele adulto que dirige de forma imprudente, que tem mais acidentes, mais envolvimento com álcool e drogas", ressalva Rohde.
Polanczyk rejeita também a explicação pelo estigma: adultos não permanecem com dificuldades de desempenho só por carregar o suposto fardo de terem sido apontados como crianças problemáticas e recorrido a remédios. "É ilusório pensar que o estigma surge só com o medicamento." Alívio Os pais já não iam a restaurantes, antes do remédio. Os colegas não convidavam para as festas. Os castigos se repetiam na escola. E as peças de teatro interativas estavam há tempos fora de questão. "O medicamento alivia o estigma", diz Polanczyk. O psiquiatra se retrai igualmente diante da possibilidade de que o TDAH seja fruto do estilo de vida em que crianças e jovens são bombardeados com uma profusão de estímulos de informação e entretenimento por meios eletrônicos -a geração videogame. Não rejeita de todo a explicação, mas se refugia num eufemismo científico para defender o caráter substancial do transtorno: "Não vejo evidências de que a cultura cause o TDAH".
Os críticos dessa "fabricação de doenças", outro rótulo dos adeptos da construção social, soam mais incisivos. Thomas Szasz, velho combatente anti-TDAH nos EUA, fala de uma "aliança ímpia da psiquiatria com o Estado" para reprimir comportamentos desviantes (partiu dele o exemplo da drapetomania usado mais atrás). "Diagnósticos não são doenças", costuma dizer. "Nenhum comportamento ou mau comportamento é doença ou pode ser doença." Ele classifica a psiquiatria na mesma categoria inconfiável dos governos. Como o fogo, na metáfora de George Washington, ambos são "servos perigosos e amos temíveis".

SEM TESTES
Para os defensores da realidade do TDAH, a hipótese da "construção social" do transtorno se apoia numa limitação real da psiquiatria e na incompreensão da natureza dos sintomas com que ela lida. Em seu jargão, eles são de tipo "dimensional", não "categórico". Em outras palavras, querem dizer que os 18 quesitos apresentados mais atrás procuram delimitar, num contínuo de comportamentos variados, e com o máximo de objetividade possível, a faixa de manifestações socialmente sancionadas como patológicas ou intoleráveis. Não há exames de sangue, testes genéticos ou ultrassonografias para diagnosticar categoricamente o TDAH. "Não existe o grupo dos ansiosos e dos não-ansiosos, dos atentos e dos desatentos. Sintomas atencionais de hiperatividade qualquer pessoa vai ter em situações de estresse, de conflito, de cansaço", concede Rohde. "A diferença é que indivíduos com TDAH têm isso como marca registrada, faz parte do seu dia a dia."
Há estudos com pares de gêmeos indicando que o TDAH independe, em grande medida -80%, segundo Rohde-, do modo como os jovens são criados. Vários outros relacionam o transtorno com genes envolvidos na regulação de neurotransmissores e no desenvolvimento deficiente de áreas do cérebro. Mas não se formou consenso sobre eles, muito menos para padronizar exames. O fato de não existirem testes, contudo, não significa que o transtorno não seja real, que não tenha base fisiológica. Ausência de evidência não é evidência de ausência, poderiam dizer.

CALVINISMO
"Depressão também não tem correlato biológico, mas ninguém duvida que a depressão exista. As pessoas se matam", pondera Polanczyk. O sistema nervoso é complexo, e o acesso ao cérebro para estudo, muito mais difícil que a outros órgãos. "Na psiquiatria, estamos muito atrás da medicina como um todo." Como disse outro médico do Rio Grande do Sul, Olavo Amaral, que comentou o estudo de Rohde e Polanczyk em carta aos editores do "American Journal", "o conceito de transtorno e seus critérios diagnósticos são construções sociais por definição". Os defensores do TDAH tampouco se incomodam com a acusação de serem propagandistas remunerados pela indústria farmacêutica. O grupo de Rohde recebe financiamento de pesquisa das empresas Bristol-Myers Squibb, Eli Lilly, Janssen-Cilag e Novartis. O psiquiatra também dá palestras sob patrocínio das empresas, mas declara que a remuneração pessoal por serviços prestados à indústria não ultrapassa US$ 10 mil anuais.
O mesmo argumento desconfiado, segundo ele, pode ser voltado contra os inimigos do TDAH. "Recebo pacientes que faziam psicanálise e que, quando melhoram os sintomas com medicamentos, se sentem desmotivados a seguir com a psicanálise", diz Rohde. "Vai me dizer que não existe conflito de interesse em manter o cara no consultório dele por anos?" Em 2008, o Centro Hastings, nos EUA, dedicado a questões de bioética e políticas públicas, organizou seminários sobre os controversos distúrbios emocionais e comportamentais em crianças, como o TDAH. A discussão resultou num artigo que dá o que pensar sobre a querela dos construcionistas com os psiquiatras. O título é: "Fatos, Valores e TDAH - Uma Atualização da Controvérsia". Os autores, Erik Parens e Josephine Johnston. O trabalho, que saiu no periódico "Child and Adolescent Psychiatry and Mental Health" (2009), faz uma apresentação equilibrada dos dois lados na disputa bizantina. O artigo alerta para o risco de distorcer as categorias diagnósticas do DSM. Essas categorias seriam abstrações, não entidades encontradas na natureza.
Mas ressalva: "Nossa descrição das complexidades e da indefinição das fronteiras não foi feita para sugerir que o TDAH não seja real. Os sintomas de TDAH podem causar sofrimento significativo em crianças, nas famílias e nas escolas". Diante desse sofrimento, o "niilismo diagnóstico" não seria uma opção. Só a adesão irrefletida a um calvinismo farmacêutico -que enfatiza o culto moralista do sofrimento como alternativa à solução fácil dos comprimidos- poderia servir-lhe de justificativa. Huck Finn e Macunaíma não cairiam nessa.

Conflito de interesses: os autores desta reportagem declaram que não contaram com apoio de drogas psicoativas, exceto cafeína.
Fonte: Folha de SP

25 de maio de 2010

Atividades para o desenvolvimento motor na Educação Infantil

Como trabalho com a educação infantil andei pesquisando algumas atividades para o desenvolvimento motor amplo. Sei da importância de se estar desenvolvendo na rotina diária escolar esse tipo de atividade. Gostei dessa que coloquei como sugestão porque são atividades descontraídas, animadas e bem desenvolvidas.

A TODA VELOCIDADE

Objetivos:
- Seguir a trajetória de uma bola.
- Estimular a capacidade de atenção e reação.
- Respeitar a vez de atuação.

Material: Bolas ou bambolês de tamanho grande.

Duração: 15 minutos.

Desenvolvimento da atividade: Organizam-se cinco grupos, e cada grupo formará uma fila como se fosse um trem. Cada trem terá uma bola ou um bambolê. O primeiro do trem lançará a bola ou o bambolê tão longe quanto possível. Imediatamente correrá com toda a velocidade atrás do material, tentando superar a trajetória, ou seja, começará a correr atrás do material e acabará a corrida diante do mesmo. Pegará o material, entregando-o para o seguinte.

CABEREMOS OS DOIS

Objetivos:
- Localizar espaços vazios ou livres.
- Discriminar tamanhos e distâncias para antecipar a ação.

Material: Papel de jornal com folhas duplas e cortadas pela metade.

Duração: 5 minutos.

Desenvolvimento: Distribuem-se por toda a sala, folhas de jornal suficientes para todo o grupo caiba sobre elas. Em torno dos jornais deve haver bastante espaço para que o grupo possa deslocar-se confortavelmente, sem pisá-las. As crianças colocam-se uma a uma sobre as folhas cortadas, e de duas em duas sobre as folhas duplas. Estabelecem-se dois sinais, que poderiam ser: uma música e dois toques de pandeiro. Durante a música, as crianças se deslocarão livremente por fora do papel, pulando sem pisar nas folhas. Quando ouvirem o pandeiro, as crianças deverão colocar-se sobre uma folha de papel de jornal. Nas folhas duplas caberão duas crianças, e nas cortadas somente uma.


ARRASTAR

Objetivos:
- Sensação de força e de força de vontade para o movimento.
- Organização e coordenação de esforços para a resolução de problemas motores.

Material: Cordas e pneus.

Duração: 15 minutos.

Desenvolvimento: Após delimitar o espaço de ação, será permitida a formação livre de grupos, conforme os interesses e as afinidades. É conveniente apresentar o material no centro para que o acesso seja fácil. Cada criança receberá uma corda. A atividade iniciará livremente, ajudando ou intervindo naqueles grupos que surgirem ou que considerarem necessário. É importante fomentar o uso das cordas sem nós. Observar se as crianças conseguiram passar a corda sobre os pneus e permitir que sentem nos pneus para que sejam arrastadas como se o pneu fosse um carrinho.


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Projeto paz

28 de março de 2010

Filosofia e sociologia propagam marxismo tupiniquim em nossa juventude desprotegida

Ideologia na cartilha

Agora obrigatórias no ensino médio brasileiro, as aulas de sociologia e filosofia abusam de conceitos rasos e tom panfletário. Matemática que é bom...

Marcelo Bortoloti
À caça de bons mestres
O colégio paulistano São Domingos e o estadual Pedro Álvares Cabral (no detalhe), no Rio: um desafio em comum

Os 8 milhões de estudantes brasileiros matriculados no ensino médio passaram a receber neste ano aulas de sociologia e filosofia - disciplinas que, por lei, se tornaram obrigatórias em escolas públicas e particulares. Com base nas diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Educação, cada estado fez o seu currículo, no qual a maioria dos colégios privados também se espelha em algum grau. A leitura atenta desse material traz à luz um festival de conceitos simplificados e de velhos chavões de esquerda que, os especialistas concordam, estão longe de se prestar ao essencial numa sala de aula: expandir o horizonte dos alunos. Não faltam exemplos de obscurantismo. Para se ter uma ideia, no Acre uma das metas do currículo de sociologia é ensinar os estudantes a produzir regimentos internos para sindicatos de trabalhadores - verdadeiro absurdo. Um dos explícitos objetivos das aulas em Goiás, por sua vez, é incrustar no aluno a ideia de que "a constante diminuição de cargos em empresas do mundo capitalista é um fator estrutural do sistema econômico" (visão pedestre que desconsidera o fato de que esse mesmo regime resultou em mais e melhores empregos no curso da história). Sem dar às questões a complexidade que elas merecem, as aulas abrangem de tudo: no Espírito Santo, por exemplo, a filosofia abarca da culinária capixaba aos ritmos indígenas. Conclui o sociólogo Simon Schwartzman: "Tratadas com superficialidade e viés ideológico, essas disciplinas só tendem a estreitar, no lugar de ampliar, a visão de mundo".
O viés presente nas aulas de sociologia e filosofia tem suas raízes fincadas nas faculdades de ciências sociais - de onde saíram, ou a que ainda pertencem, os professores responsáveis pela confecção dos atuais currículos. Desde a década de 70, quando se firmaram como trincheiras de combate à ditadura militar nas universidades, tais cursos se ancoram no ideário marxista, à revelia da própria implosão do comunismo no mundo - e estão cada vez mais distantes do rigor e da complexidade do pensamento do alemão Karl Marx (1818-1883). Diz a doutora em ciências sociais Eunice Durham, da Universidade de São Paulo: "Boa parte dessas faculdades propaga apenas panfletos pseudomarxistas repletos de clichês e generalizações, sem se dar sequer ao trabalho de consultar o original". Isso se reflete agora, e de forma acentuada, nos currículos escolares de sociologia e filosofia, criticados até mesmo por quem participou da feitura deles. À frente da equipe que compôs os do Rio de Janeiro, a educadora Teresa Pontual, subsecretária estadual de Educação, chega a reconhecer: "Se criássemos diretrizes distantes demais da realidade dos professores, eles simplesmente não as aplicariam na sala de aula - fomos apenas realistas".
Sob a influência francesa, a sociologia e a filosofia começaram a ganhar espaço no ensino médio brasileiro no fim do século XIX, até se tornarem obrigatórias, ainda que com pequenas interrupções, entre 1925 e 1971. Seu retorno definitivo ao currículo, sacramentado por uma lei aprovada no Congresso dois anos atrás para entrar em vigor justamente agora, era um pleito antigo dos sindicatos dos profissionais dessas áreas. Em 2001, projeto de lei com o mesmo propósito havia passado pelo Congresso, só que acabou vetado pelo então presidente (e sociólogo) Fernando Henrique Cardoso. À época, um parecer do MEC afirmava que os gastos para os estados seriam altos demais e que não havia no país professores em número suficiente para atender à nova demanda. Desta vez, o próprio ministro Fernando Haddad, filósofo de formação, empenhou-se para aprovar o texto. Daqui para a frente, de acordo com um levantamento do Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo, serão recrutados mais 20 000 professores no país inteiro. Trata-se de algo temerário, segundo alerta o sociólogo Bolívar Lamounier: "Não há tanta gente qualificada para desempenhar tal função no Brasil". A experiência recente das próprias escolas já sinaliza isso. "Está sendo duríssimo achar professores dessas áreas que sejam desprovidos da visão ideológica", conta Sílvio Barini, diretor do São Domingos, colégio particular de São Paulo.
Ao obrigar as escolas a ensinar sociologia e filosofia a todos os alunos, o Brasil se junta à maioria dos países da América Latina - e se distancia dos mais avançados em sala de aula, que oferecem essas disciplinas apenas como eletivas. Deixá-las de fora da grade fixa é uma decisão que se baseia no que a experiência já provou. Resume o economista Claudio de Moura Castro, articulista de VEJA e especialista em educação: "Os países mais desenvolvidos já entenderam há muito tempo que é absolutamente irreal esperar que todos os estudantes de ensino médio alcancem a complexidade mínima dos temas da sociologia ou da filosofia - ainda mais num país em que os alunos acumulam tantas deficiências básicas, como o Brasil". Em outros países da América Latina, esse tipo de iniciativa também costuma resvalar em aulas contaminadas pela ideologia de esquerda, preponderante nas escolas. Não será desse jeito que o Brasil dará o necessário passo rumo à excelência.


Fonte: Veja

8 de março de 2010

Parabéns às mulheres pelo nosso dia

A você, mulher


Bem aventurada a mulher que cuida do próprio perfil interior e exterior, porque a harmonia da pessoa faz mais bela a convivência humana.

Bem aventurada a mulher que, ao lado do homem, exercita a própria insubstituível responsabilidade na família, na sociedade, na história e no universo inteiro.

Bem aventurada a mulher chamada a transmitir e a guardar a vida de maneira humilde e grande.

Bem aventurada quando nela e ao redor dela acolhe faz crescer e protege a vida.

Bem aventurada a mulher que põe a inteligência, a sensibilidade e a cultura a serviço dela, onde ela venha a ser diminuída ou deturpada.

Bem aventurada a mulher que se empenha em promover um mundo mais justo e mais humano.

Bem aventurada a mulher que, em seu caminho, encontra Cristo: escuta-O, acolhe-O, segue-O, como tantas mulheres do evangelho, e se deixa iluminar por Ele na opção de vida.
Bem aventurada a mulher que, dia após dia, com pequenos gestos, com palavras e atenções que nascem do coração, traça sendas de esperança para a humanidade.

Autor desconhecido

28 de fevereiro de 2010

Professor, o DNA da instituição

Sua majestade, o professor

"Num tempo em que a concorrência entre as instituições de ensino superior se acirra, a questão da sobrevivência das organizações coloca-se como preocupação central para muitos gestores. O que faz a diferença nesse contexto? A infra-estrutura, a gestão ou o relacionamento entre alunos, professores e funcionários?
Uma pesquisa realizada pelo sociólogo Gilson Borda, que resultou na sua tese de doutorado, defendida na Universidade de Brasília, contém algumas ideias que podem ajudar as instituições a se posicionarem nesse contexto. A partir de questionários e entrevistas aplicadas a 351 alunos de duas instituições de ensino superior particulares do Distrito Federal, Borda concluiu que um bom professor vale mais do que instalações luxuosas. O resultado é válido para 80% dos estudantes que participaram do estudo e está relacionado, segundo o autor do trabalho, a uma mudança das relações que estão em curso no mundo contemporâneo.

Além de alunos, que responderam a um questionário com questões semi-abertas, foram entrevistados 14 gestores e profissionais das duas instituições. Uma delas existe há mais de 40 anos e localiza-se no Plano Piloto (área central de Brasília); a outra é pequena, nova e fica numa cidade-satélite (periferia). O autor conta que optou por investigar instituições com perfis diferentes para obter mais abrangência de resultados.
"Na segunda metade do século passado prevaleciam o capital econômico e o capital intelectual como valores das organizações. No cenário atual, o capital social está ganhando cada vez mais espaço como fundamento da relação de confiança que uma organização estabelece com as pessoas", diz Borda, explicando que capital social diz respeito às relações das instituições com clientes, prestadores de serviço, funcionários ou a comunidade em geral. Na opinião dele, a importância do capital social só tende a aumentar.
E, nesse processo, os professores desempenham um papel fundamental, afinal, são eles que convivem com os estudantes no dia a dia, constituindo-se na face mais visível da instituição. "O professor consolida ou não a confiança que o aluno mantém com a instituição de ensino", sintetiza o pesquisador. Ele considera que a sobrevivência das instituições está relacionada ao estabelecimento de relações de confiança, sobre as quais se constrói a credibilidade.
Para Borda, esse resultado implica o rompimento de algumas ideias preconcebidas, como a de que a imagem se constrói apenas por meio de uma comunicação eficiente. "A espiral de confiança é construída à medida que são reforçados os valores fundamentais", explica o pesquisador. Ele constatou um grau de satisfação maior dos alunos da instituição mais nova e menor, onde os resultados indicam a existência de maior engajamento dos professores. Por isso, ele reitera que o capital econômico e tudo que se associa a ele (investimento em infraestrutura, por exemplo) está vinculado ao capital social (o bom ou mau relacionamento com alunos, por exemplo). Novamente, os docentes são fundamentais nesse processo: o estudo aponta que a qualificação dos professores é o principal fator de atração de uma instituição .

Para Fábio José Garcia dos Reis, diretor de operações do Centro Unisal, em Lorena, no interior de São Paulo, o reconhecimento da importância do professor numa instituição educacional é algo que se constata ao longo da história e continua valendo até hoje. "Os professores tornam-se referência pelas suas publicações, pelo relacionamento com o mercado, pela sua capacidade de elaborar novos projetos e serviços e pelas diversas conversas com os alunos na orientação para o estudo, pesquisa ou trabalho", afirma.
Para Roberto Lobo Leal e Silva Filho, diretor da consultoria Lobo & Associados, o professor é o "DNA da instituição". "Não adianta ter um salão de mármore se os professores forem omissos", sintetiza. Entretanto, ele considera que o professor tem peso maior ou menor dependendo do perfil da instituição. "Nas instituições de massa, o valor da mensalidade pode ser um forte fator de atração", analisa. Mas mesmo nessas instituições, ressalva o consultor, não se pode esperar a oferta de um ensino de qualidade somente com professores horistas.
Reis se contrapõe, enfatizando que a credibilidade não está relacionada, necessariamente, ao tempo de dedicação do professor, embora reconheça que é importante ter muitos docentes vinculados a fim de se levar adiante projetos de pesquisa, ensino e extensão. "É ideal, mas o alto custo torna isso inviável para muitas instituições privadas."..."

20 de fevereiro de 2010

A Lição Da Borboleta


Um dia, uma pequena abertura apareceu num casulo, um homem sentou e observou a borboleta por várias horas, enquanto ela se esforçava para fazer com seu corpo passasse através daquele pequeno buraco.

Então, pareceu que ela havia parado de fazer qualquer progresso. Parecia que ela tinha ido o mais longe que podia e não conseguia ir mais.

O homem decidiu ajudar a borboleta: ele pegou uma tesoura e cortou o restante do casulo. A borboleta então saiui facilmente.

Mas seu pequeno corpo estava murcho e tinha as asas amassadas.

O homem continuou a observá-la, porque ele esperava que, a qualquer momento, as asas dela se abrissem e se esticassem para suportar o corpo, que iria se afirmar a tempo.

Nada aconteceu! Na verdade, a borboleta passou o resto de sua vida rastejando um corpo murcho e asas encolhidas. Ela nunca foi capaz de voar.

O homem que, em sua vontade de ajudar, não compreendia, era que o casulo apertado e o esforço necessário à borboleta para passar através da pequena abertura era o modopelo qual Deus fazia com que o fluido do corpo da borboleta fosse para as asas, de forma que ela estaria pronta para voar, uma vez que estivesse livre do casulo.

Algumas vezes, o esforço é justamente o que precisamos em nossa vida. Se Deus nos permitisse passar através de nossas vidas sem quaisquer obstáculos, Ele nos deixaria aleijados. Nós não iríamos ser tão fortes como poderíamos ter sido. Nós nunca poderíamos voar.

Uma ótima semana!!!

25 de janeiro de 2010

Material escolar - Um dos primeiros grandes vilões do orçamento doméstico anual

10 maneiras de economizar no material escolar
"O ano mal começou, os presentes de Natal ainda estão sendo pagos e você já tem novas compras a fazer: o material escolar. Para quem tem filhos, o material didático é uma despesa obrigatória no mês de janeiro. As escolas costumam enviar as listas de livros e de outros materiais, como cadernos, cola, tesoura, borracha. Há famílias que pegam a lista, vão até uma livraria ou papelaria e compram tudo ali mesmo. Mas o que muitos pais não sabem é que a compra do material nem sempre precisa representar um rombo no orçamento familiar.

"É claro que a Educação dos filhos deve ser prioridade para os pais, mas nem por isso é preciso gastar exageradamente com o material escolar", afirma o educador financeiro Reinaldo Domingos, autor dos livros "O Menino do Dinheiro" e "Terapia Financeira". De acordo com ele, há diversas maneiras de economizar - e muito - na hora de adquirir o material que crianças e adolescentes usarão ao longo do ano na escola. Antes de ir às compras, confira abaixo dez dicas para diminuir os gastos com livros, cadernos e mochilas nesse início de ano."
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