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29 de janeiro de 2012

Adaptação escolar - Parte XI - O berçário

Da Nova Escola:

Como fazer uma boa adaptação no berçário 

Preparação e parceria com a família são fundamentais para assegurar uma adaptação tranquila aos bebês que vão à escola pela primeira vez


Crianças inseguras, pais angustiados e sofrimento diante da separação iminente. Esse não precisa ser o retrato do início dos pequenos na creche. É possível diminuir o desconforto e proporcionar uma adaptação tranquila e saudável para os bebês e sua família. A fase de acolhimento na Educação Infantil é diferente para cada faixa etária e requer atenção redobrada com bebês de até 2 anos. Afinal, quase tudo é novidade para eles: a convivência com outras crianças e adultos (além do círculo mais próximo), as brincadeiras com a areia... 

O primeiro passo é conhecer bem a criançada. Entender seus costumes e medos ajuda a elaborar o planejamento. "Quando percebem que o educador sabe coisas que as fazem se sentir bem, elas ficam mais calmas", diz Rosa Virgínia Pantoni, mestre em Psicologia e coordenadora de assistência social da Creche Carochinha, ligada à Universidade de São Paulo (USP).


Antes de receber a turma, é fundamental ler com atenção todas as informações contidas na ficha de anamnese (com histórico de saúde). Também é desejável fazer uma entrevista detalhada com a família. Durante o bate-papo, os pais podem esclarecer dúvidas e ajudar você e seus colegas a entender os hábitos da criança. "É um momento de ajuste de expectativas. É essencial escutar o que os familiares esperam e explicar os objetivos da instituição", diz Ana Charnizon, educadora da UMEI Aarão Reis, em Belo Horizonte. Mostrar interesse pela criança é uma forma de tranquilizar os pais. Vale perguntar como é a rotina em casa, do que a criança gosta de brincar e de comer e se possui objetos de apego. A entrevista pode ser finalizada com uma visita pelos ambientes.

Bebês de até 10 meses estranham a escola, o modo como são colocados para dormir e a comida oferecida. É necessário prestar atenção nos aspectos sensoriais: deixar objetos pessoais, como mantinhas, chupeta e fronhas, junto ao berço ajuda na adaptação. A ausência dos pais não incomoda, mas a textura diferente do lençol do berço, a forma como são colocados para dormir, a temperatura da água do banho, sim.

Depois de completar 1 ano, a adaptação muda um pouco. O foco principal agora é fazer com que o bebê se acostume à ausência dos responsáveis. Por isso, é necessário alternar momentos em que os familiares estejam próximos e distantes da criança. Nessa idade, ela já começa a estranhar quem não conhece e estabelece vínculos com alguns adultos. Faz parte do processo, então, manter os rostos conhecidos ao alcance da visão do pequeno. A separação é feita aos poucos, intercalando momentos de aproximação e de ausência, até que o bebê se acostume à rotina na creche.

Outra estratégia para assegurar a tranquilidade é fazer um espaço para cada criança (leia a sequência didática). Assim, ela entende que há um lugar coletivo, mas que também existe um cantinho só dela, com seus objetos de apego ou brinquedos. Isso faz com que se estabeleçam vínculos com o local. Também é importante definir uma rotina, com horários e regras, para que os pequenos se sintam amparados.

O choro nos momentos iniciais da separação é normal e deve passar logo, à medida que a criança percebe que é acolhida e compreendida. Caso o berreiro persista, isso pode ser sinal de insegurança. Outras manifestações de desconforto são o sono constante, a apatia e a recusa em comer. Reuniões e estudos periódicos permitem aprofundar o conhecimento a respeito do universo infantil e agir nesses casos. "A insegurança dos responsáveis influencia ansiedade dos pequenos. Por isso, os profissionais precisam estar preparados", explica Ana.

Cabe ao educador acolher os bebês, reconhecer seus sentimentos e fortalecê-los emocionalmente. "As ações devem estar voltadas para a apresentação do novo ambiente de uma forma delicada", explica Clélia Cortez, formadora do Instituto Avisa Lá, em São Paulo. "O que está em jogo é o compromisso em transformar os sentimentos de angústia presentes neste momento em segurança e afeto", completa.

As semanas de adaptação - que podem ser até três - são especiais e requerem uma programação diferente. Definir um escalonamento de horários, para que os pequenos aumentem gradualmente o tempo na creche, ajuda a acostumá-los com o ambiente. Não há regras: alguns demandam um tempo maior para se adaptar. Essa escala também vale para a chegada dos bebês à creche. No Centro Social Marista Robru, em São Paulo, o acolhimento é programado para que cheguem à instituição quatro crianças por semana - assim, é possível dar mais atenção a elas e estreitar o contato com as famílias, que participam ativamente do processo de adaptação.

Durante as primeiras semanas, os pais compartilham formas de cuidados, como dar banho e alimentar. Assim, os educadores podem observar as características de cada criança, como a temperatura que gostam que esteja a água do banho, o modo como tomam a mamadeira e como preferem ficar no berço. "Essa é uma forma de observar o que eles fazem. Dessa forma, planejamos melhor nossas ações", argumenta a educadora Kelly Cristina de Almeida.


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20 de janeiro de 2012

Adaptação escolar - Parte VIII - Controlando as emoções

Da Nova Escola:

Como ajudar os pequenos a controlar as emoções

Por Adriana Toledo
































 O ser humano, todos sabem, é um animal muito frágil. Diferentemente de outros mamíferos, que já nascem em pé e rapidamente aprendem a buscar alimento e se defender, os bebês dependem dos adultos por um longo tempo. Assim, desde o início da vida, eles experimentam a sensação de medo. Acredita-se que os primeiros temores se manifestem por volta dos 3 ou 4 meses de idade. "Nessa fase, o bebê adquire a capacidade de distinguir o familiar do estranho e aprende a diferenciar a mãe (ou o responsável) de tudo o que o rodeia", explica a psicóloga Vera Zimmermann, coordenadora do Centro de Referência da Infância e Adolescência da Universidade Federal de São Paulo. "Ao perceber a existência de um desconhecido, ele teme perder o amparo materno."

Esse sentimento é parte da nossa vida e "é importante para a própria proteção, pois inibe a exposição excessiva aos riscos", diz a professora Márcia Barbosa da Silva, da Universidade Estadual de Ponta Grossa, no Paraná. A psicopedagoga Eliane Pisani Leite, de Brasília, completa: "O medo era uma proteção que o homem das cavernas tinha contra os ataques de predadores e até hoje nos permite sobreviver graças ao recurso da fuga quando algo nos ameaça". Até os 3 anos, é o receio de ser abandonado que mais apavora os pequenos. O escuro, a queda, o barulho e a luz forte estão, desde sempre, relacionados à separação da mãe. A partir dos 2 anos, o repertório aumenta em razão da descoberta do mundo simbólico. É por isso que muitas crianças querem distância de pessoas fantasiadas, como palhaços e Papai Noel.

Por isso, ingressar numa escola de Educação Infantil é uma situação nova que pode provocar medo. Afinal, não haverá ninguém da família por perto. Daí a importância da adaptação. "Nos primeiros dias, o bebê ou a criança pequena podem ficar pouco tempo na creche para minimizar esse impacto", recomenda Márcia. Uma recepção calorosa e afetiva dos professores e auxiliares é fundamental para que os pequenos se sintam confiantes e protegidos. Melhor ainda se eles puderem ser recebidos sempre pela mesma pessoa.

Todo adulto que vive com crianças precisa saber lidar com o medo infantil. "Se esse sentimento não for adequadamente trabalhado, pode provocar timidez excessiva, ansiedade e até fobias", alerta o psicanalista e psiquiatra Conceil Correa, da Associação Brasileira das Inteligências Múltiplas e Emocional, em São Paulo. Além disso, os temores prejudicam o aprendizado, já que o assustado só quer ficar no colo e pára de brincar com os colegas.

Como identificar o medo? Quando o pequeno ainda não aprendeu a falar, a solução é observar reações como choro, expressão de susto, coração acelerado, respiração intensa, inquietação, músculos contraídos e retraimento. Ao passar a conversar, rapidamente surgem frases como "estou com medo", "não gosto", "escutei um barulho" e "está atrás da porta" para expressar a angústia.

Além de tranqüilizar e acolher, você pode (sem forçar) estimular os que têm medo a falar, desenhar ou expressar o que os aflige. Assim, eles podem compreender o que estão sentindo e aprender a lidar com isso. Outra ação eficiente é dizer que você também sente medo. "A criança entende que a sensação é comum a todos", ensina Márcia. Ler livros infantis também ajuda muito. "As histórias confortam, pois mostram que, apesar dos temores das dificuldades dos personagens, eles conseguem ir em frente", diz Jefferson Mainardes, da Universidade Estadual de Ponta Grossa.

Bebês e crianças com deficiência também sentem medo e existem pequenas variações na hora de atendêlas. O deficiente auditivo, por exemplo, pode sentir receio de um ambiente desconhecido, mas levar um brinquedo de casa para a creche costuma ser eficaz. É possível que o cego tema a dificuldade de se fazer entender. Então, procure comunicar-se com ele da mesma forma que a família. A criança com deficiência mental às vezes se assombra com um desenho na TV. Nesse caso, evite trabalhar com o mesmo personagem. Em qualquer situação, os pais precisam ser avisados. Explique que não basta dizer aos filhos que "isso não é nada" e tente orientálos a falar sobre o sentimento.

7 de janeiro de 2012

Chupeta ou não chupeta, eis a questão

Da Nova Escola:
  
Respostas para 7 dúvidas sobre o uso da chupeta por crianças

1. Para que serve a chupeta?
Ela é uma fonte de relaxamento para os bebês (não é à toa que um dos sinônimos é consolador e o termo em inglês é pacifier, que significa "pacificador"). Segundo explicação do pediatra José Martins Filho no livro Lidando com Crianças, Conversando com os Pais, ela possibilita o movimento de sucção, um bom exercício para o desenvolvimento infantil, pois articula os músculos necessários à fala.

2. Seu uso pode ser permitido na creche?
Sim. "É errado os educadores proibirem que os pequenos chupem chupeta. Não há motivo para isso", explica Maria Paula Zurawski, professora do Instituto de Educação Superior Vera Cruz (ISE Vera Cruz) e assessora da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. O objeto desempenha um papel importante na adaptação dos pequenos quando eles começam a frequentar a creche porque é útil para preencher a falta dos pais, funcionando como uma lembrança do ambiente de casa enquanto o vínculo com o educador e com as outras crianças não for estabelecido plenamente.

3. Na hora de dormir, ela pode ser permitida?
Sim, a chupeta ajuda a embalar o descanso dos bebês. Apesar disso, existem outros momentos em que ela não deve ser liberada: durante as atividades e as refeições, já que, além de atrapalhar o desenvolvimento da dicção, pode estimular o comportamento introspectivo, prejudicando a socialização.

4. É papel do educador ajudar as crianças a largar a chupeta?
Sim, mas não há um método para isso. A função do professor é promover a autonomia delas - o abandono do objeto é uma consequência. Cabe ao adulto ainda desenvolver uma relação de confiança com os pequenos para que eles se sintam cada vez mais seguros na creche. Por isso, é importante ter em mente que chupar chupeta é um hábito que deve ser tolerado, mas não incentivado. Para explorar a responsabilidade e a independência de cada um, proponha que, quando forem vetadas, elas sejam guardadas em potes individuais, junto aos demais materiais de uso pessoal. Um alerta: não perca tempo explicando para as crianças os problemas que ela pode acarretar, como dificultar a fala e atrapalhar o crescimento da dentição, na tentativa de fazer com que a larguem. "Até os 3 anos, a relação entre causa e consequência ainda não é bem compreendida", explica Cisele Ortiz, psicóloga e coordenadora de projetos do Instituto Avisa Lá, em São Paulo.

5. Até que idade os pequenos podem usar a chupeta?
Não existe um limite fixo. O bom senso deve prevalecer, afinal, ela é um material de apego, tal como um cobertor ou um brinquedo qualquer que os pequenos costumam adotar para ter por perto durante um tempo. Com um bom trabalho de promoção de autonomia, feito pelos educadores em parceria com a família, é possível ajudá-los a chegar à pré-escola livres dela (leia o plano de trabalho). "Eles gostam de mostrar aos adultos que estão crescendo e, por isso, acabam abandonando a chupeta facilmente quando incentivados", esclarece Adriana Ortigosa, coordenadora da EM Noel Rosa, em Guarulhos, na grande São Paulo.

Fotos: Fernanda Preto
COM OU SEM CHUPETA? Na hora do sono, ela pode ser permitida, mas, durante as refeições e as atividades, não
6. Quais os efeitos positivos e negativos do objeto?
"Ele é danoso se der origem a uma relação de dependência duradoura", fala Ana Paula Yazbek, formadora de professores do Centro de Estudos da Escola da Vila, em São Paulo. Por isso, quando a choradeira tomar conta do ambiente, contenha o ímpeto de silenciar a turma oferecendo a chupeta: busque o que está causando o desconforto. "Conversar em vez de dá-la é uma forma de não comprometer o desenvolvimento da capacidade nos pequenos de expressar sentimentos oralmente", diz Maria Paula.

7. O uso deve ser combinado com a família?
Sempre. Se os pais insistirem para que o filho não use a chupeta na creche, explique que se trata de um apego passageiro, porém muito valioso para ele. "Deixe claro que o objeto não prejudica o aprendizado dele em nada. Mas, se ainda assim eles não concordarem com a liberação, diga que é importante permitirem que a criança tenha outro objeto de apego caso ela demonstre essa necessidade.


Gestão escolar preventiva e qualitativa para 2012

Um plano de metas para atingir em 2012


Entra ano, sai ano, todo diretor compartilha com a equipe gestora as mesmas preocupações: o que fazer para que as crianças se alfabetizem de verdade e a escola não tenha mais nenhum aluno em séries avançadas que não saiba ler e escrever? E como acabar de vez com a repetência?  Nesta época, em que a equipe gestora começa a pensar no planejamento de 2012, que tal preparar de vez a estrutura necessária para assumir esses desafios e garantir os materiais para que essas metas sejam alcançadas? Assumir esses compromissos e fazer com que eles se concretizem em um ano não é tarefa impossível. Quer ver? Em 2009, Amarildo Reino de Lima, então diretor do CEF 427, em Samambaia, a 45 quilômetros de Brasília, recebeu o título de Gestor Nota 10 no Prêmio Victor Civita por ter realizado um projeto para acabar com a distorção idade/série e, por tabela, com a repetência. "O importante é estabelecer etapas a serem cumpridas a curto, médio e longo prazo, que permitam um acompanhamento periódico e possibilitem ajustes ao longo do ano."

1) Problemas recorrentes exigem ações firmes e contínuas

A evasão, a repetência e a não-alfabetização no tempo correto são tão comuns no Brasil que têm estado presentes nos últimos Planos Nacionais de Educação (PNE). O que expirou em 2010 pretendia a redução em 50% das taxas de abandono e repetência, o que foi cumprido em parte: o abandono foi reduzido conforme o planejado, mas a reprovação aumentou de 11 para 12,1% no mesmo período. No novo plano que tramita no Congresso Nacional - e será o norte da Educação brasileira até 2020 -, o tema reaparece em estratégias relacionadas às metas de garantir o atendimento escolar para a população de 15 a 17 anos, sugerindo programas e ações de correção de fluxo por meio de aulas de reforço e estudos de recuperação.

A alfabetização continua sendo uma prioridade e reaparece no novo PNE com a mesma meta do anterior: ter todos os alunos alfabetizados até o 2º ano do Ensino Fundamental. Dados da Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização (Prova ABC) - feita pela primeira vez em 2011, numa parceria do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) com entidades da sociedade civil - mostra que apenas 56,1% dos alunos do 3° ano aprenderam o que era esperado em leitura e escrita.

Com esse quadro preocupante, o gestor pode resolver os problemas da instituição que dirige? Sim, pois existem informações para iniciar esse processo ao seu alcance. Afinal, as notas das avaliações feitas pelos professores e os dados de alunos reprovados e dos que abandonaram a escola estão nos arquivos da secretaria. "É preciso mudar o foco, deixando de ser a escola que ensina para se tornar a que garante o aprendizado", relata Priscila Cruz, diretora executiva do Movimento Todos pela Educação. "O primeiro passo é revisar o projeto político-pedagógico (PPP) e envolver toda a equipe no trabalho", diz Renata Frauendorf, consultora do Instituto Avisa Lá, em São Paulo.

Para ajudá-lo nessa tarefa, conheça a experiência de três escolas públicas que priorizaram essas metas e as ações que você, gestor, pode discutir com o grupo e assegurar grandes conquistas em 2012. 

4) Investimento em reforço e acompanhamento para reduzir a repetência


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27 de dezembro de 2011

Iluminando a relação coordenador - professor

Da Nova Escola:


10 dúvidas sobre o relacionamento entre coordenador pedagógico e professor

Quando o coordenador assume o posto, logo percebe que é difícil lidar com as pessoas, respeitar as diferentes opiniões e sugerir mudanças sem ser autoritário. Pedimos aos internautas que enviassem suas questões sobre a parceria de coordenadores e, para ajudar a resolvê-las, ouvimos consultores especialistas no assunto

1) Como posso legitimar meu papel de formador junto aos professores? Afinal, até há pouco tempo, eu estava em sala de aula como eles.

Durante anos, você cuidou somente da sua sala de aula, tentando resolver os problemas de aprendizagem da turma e procurando a melhor maneira de ensinar. Mas aí surgiram um concurso, uma seleção interna da Secretaria de Educação para o cargo de coordenador pedagógico ou você foi convidado para liderar a equipe docente. Você, claro, aceitou o convite ou se inscreveu no processo de seleção. Em uma posição hierarquicamente superior, logo percebe como é complicado lidar com a equipe, aprender a ouvir para compreender os problemas, respeitar os pontos de vista diferentes nas reuniões, usar as diversas opiniões para chegar a um consenso, mediar conflitos sem ferir suscetibilidades, liderar sem ser arrogante e sugerir mudanças sem ser autoritário.

A pesquisa O Coordenador Pedagógico e A Formação de Professores: Intenções, Tensões e Contradições mostra que dúvidas sobre como lidar com a equipe são comuns e 20% dos entrevistados apontam questões de gestão como um dos principais problemas enfrentados no dia a dia. No entanto, são os seus conhecimentos didáticos que vão fazer com que a equipe o aceite como o parceiro mais experiente, do qual vai receber orientações e no qual pode confiar. Para isso, é urgente ir atrás desses saberes e se preparar para o cargo. É possível requisitar formação específica junto à Secretaria de Educação e procurar leituras que ampliem o seu universo nas didáticas de todas as áreas do conhecimento.

11 de dezembro de 2011

Desvendando o número zero


O que a turma sabe sobre o número zero

Por Amanda Polato

O sistema numérico, tal como conhecemos atualmente, não é algo natural, que sempre existiu. É uma construção humana, desenvolvida historicamente ao longo de muitos anos com a contribuição de várias sociedades. Antes de ele ser inventado, uma das estratégias para representar quantidades era registrar traços, um para cada objeto. Por exemplo, | | | | | para representar cinco carrinhos. Essa é uma forma aditiva de pensar, à qual muitas crianças na Educação Infantil recorrem antes de fazer a notação convencional (5).

"Foram os indianos e os árabes os responsáveis por desenvolver, em meados do século 9, o sistema de algarismos usado nos dias de hoje, criando um modo mais econômico e preciso para representar quantidades graficamente", explica Sérgio Nobre, livre-docente em História da Matemática pela Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp), campus de Rio Claro.

É de autoria dos indianos também a solução de que lançamos mão para sinalizar a ausência de quantidade - o zero (0), algarismo também válido para compor numerais, marcando posições (10, 904 e 3.000, por exemplo).

De acordo com Clélia Maria Ignatius Nogueira, professora da Universidade Estadual de Maringá (UEM), essas duas funções desempenhadas pelo zero no sistema de numeração não são óbvias para os pequenos, que têm opiniões próprias a respeito do algarismo, elaboradas com base nas diversas situações em que ele aparece: o número do itinerário do ônibus, do telefone de um parente, do placar do jogo de futebol, do calendário, de jogadas de uma brincadeira, da idade de uma pessoa e a representação do início ou do fim de alguma coisa.

As falas que ilustram esta reportagem são de crianças da Educação Infantil da Escola Jardim dos Pequeñitos, em Santo André, na Grande São Paulo, em resposta à pergunta "o que o zero representa?", e exemplificam algumas das muitas ideias que a garotada tem sobre ele.

Na tese Os Sentidos do Zero, Fabiane Guimarães apresenta mais opiniões de crianças da pré-escola a respeito do numeral: "A gente não usa o zero para bater corda. É 1, 2, 3... Mas para brincar de esconde-esconde a gente conta zero, 1, 2, 3..." e "o zero a minha mãe usa para ligar para minha tia, ela aperta o zero".

Na Educação Infantil, é possível também se deparar com pequenos que questionem para que grafar o algarismo se ele "nem existe nem vale nada". Por outro lado, há casos em que o grupo se apoia na quantidade de zeros para fazer comparações: "100 é maior que 10 porque tem dois zeros" e em que recorre a vários deles para escrever números grandes: "O maior que existe é 9.000".

"Investigar o que as crianças sabem sobre o sistema de numeração já na Educação Infantil é um passo necessário para planejar intervenções didáticas realmente úteis, que tenham como foco fazer com que todos coloquem em jogo as próprias opiniões, as socializem e façam comparações com as dos colegas", explica Renata de Siqueira Gava, educadora da Jardim dos Pequeñitos.

Os especialistas sugerem duas atividades permanentes para encaminhar um trabalho investigativo sobre o tema.

Roda de conversa Reunir a turma e questionar: "O que o zero representa?"

Atividades de registro e comparação Propor jogos como Batalha.

Em ambos os casos, você precisa fazer intervenções, desafiando as crianças a justificar as ideias que elas apresentam e confrontar as opiniões do grupo para que todos descubram que há equívocos em suas concepções. Durante a roda de conversa, se alguém disser que o zero não vale nada, por exemplo, pergunte se marcar um gol durante o jogo de futebol é a mesma coisa que marcar dez gols, escrevendo ambos os numerais. Atenção: não amplie a discussão para ensinar o valor posicional dos algarismos, explicando o conceito de dezena, centena, milhar etc. Esse e outros saberes a respeito do sistema de numeração decimal devem ser ensinados mais adiante, nos anos iniciais do Ensino Fundamental.

Para avaliar o que a criançada aprendeu com esses dois tipos de atividades, vale conferir se os pequenos argumentam que os números, inclusive o zero, têm funções diferentes de acordo com a situação em que aparecem, uma conquista importante sobre o sistema de numeração nessa fase.

13 de novembro de 2011

Indicadores de qualidade da educação infantil - Uma plataforma para o futuro

Da Nova Escola: O Ministério da Educação acaba de lançar o documento Indicadores da Qualidade na Educação Infantil. Em 64 páginas, especialistas de 31 instituições, entre elas a Fundação Victor Civita, que edita NOVA ESCOLA, prepararam um roteiro para que cada escola, em conjunto com a comunidade, faça a autoavaliação de suas atividades e proponha um plano de ação para melhorar a qualidade do ensino e da aprendizagem.  Os indicadores permitem ao professor e ao gestor escolar observar se as recomendações apresentadas nos Parâmetros Nacionais de Qualidade para a Educação Infantil, publicados em 2006, estão sendo seguidos no cotidiano escolar. O material foi produzido ao longo de um ano, período em que foi revisado após oito seminários regionais e pré-testado em escolas públicas e privadas de nove estados brasileiros.

Dicas para a confraternização da escola no final de ano

Da Nova Escola:

Como organizar uma boa comemoração

Confira quais são os cuidados necessários para garantir que o evento de final de ano seja, de fato, um momento de celebração

O mês de dezembro é uma correria: as aulas estão chegando ao fim e é preciso avaliar se as metas foram alcançadas, definir os objetivos para 2011, organizar as matrículas e resolver pendências administrativas. Por último - e não menos importante -, pensar em uma maneira de comemorar o encerramento de mais um ano de trabalho pedagógico com a equipe. A confraternização entre todos os profissionais que atuam na escola é importante para a integração da equipe e, ao mesmo tempo, representa uma forma de o gestor reconhecer e valorizar o trabalho de cada um.

Muitas vezes, porém, fica a dúvida sobre o que fazer. O sucesso de eventos dessa natureza - em que são necessários a participação e o envolvimento de todos - depende, basicamente, de ouvir os funcionários sobre as expectativas para a ocasião. "O mais importante é lembrar que a festa é deles e não para eles. Devem surgir do grupo as ideias sobre o melhor lugar para a reunião, a realização ou não de alguma troca de presentes, as atrações etc.", afirma Aristeo Leite Filho, professor da Faculdade de Educação da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

Para ter certeza de que todos foram ouvidos, vale até realizar uma eleição. É o que acontece na EM Jandevam, em Pedro Afonso, a 173 quilômetros de Palmas. "Os funcionários dão as sugestões, fazemos uma lista e, em seguida, realizamos a votação. Já tivemos a possibilidade de optar entre um piquenique na beira do rio e um jantar dançante no clube", conta a coordenadora pedagógica, Maria Lucimária de Souza Ribeiro Cunha.

Alguns gestores costumam cuidar sozinhos da organização, contando apenas com a ajuda do vice-diretor ou do coordenador pedagógico - até para evitar sobrecarregar a equipe num momento em que todos têm muito trabalho. Contudo, compartilhar os preparos - e a responsabilidade - com os demais envolvidos é uma maneira de evitar contratempos e garantir melhores resultados. Os funcionários podem ser agrupados por tarefas que sejam, preferencialmente, diferentes das executadas no dia a dia. As merendeiras ajudam na decoração, por exemplo, enquanto os professores se encarregam da divulgação ou da organização do espaço. "A confraternização revela o clima de trabalho. Se a festa é decidida de forma democrática e todo mundo está presente, é porque existe união entre o grupo", diz Clécio Lima Souza, diretor da EM Mariano da Silva Barroso, em Pindaré Mirim, a 256 quilômetros de São Luís.

Há quem aproveite a ocasião para apresentar a avaliação das atividades do ano. Ainda que os resultados sejam positivos, essa não é exatamente uma medida apropriada. Deixe essa exposição para uma reunião específica de trabalho.

Como existem diversos aspectos para prestar atenção, NOVA ESCOLA GESTÃO ESCOLAR preparou uma lista com os itens relativos ao planejamento, com dicas sobre o que evitar, o motivo e as possíveis soluções.

Só não vale deixar o momento passar em branco, pois isso pode parecer descaso com a equipe. Pensar em algo simples, mas envolvente, certamente vai mostrar o reconhecimento pela participação de todos no trabalho educativo da escola.

Como existem diversos aspectos para prestar atenção na hora de organizar a festa de final de ano, NOVA ESCOLA GESTÃO ESCOLAR preparou uma lista com os itens relativos ao planejamento, com dicas sobre o que evitar, o motivo e as possíveis soluções. Só não vale deixar o momento passar em branco, pois isso pode parecer descaso com a equipe. Pensar em algo simples, mas envolvente, certamente vai mostrar o reconhecimento pela participação de todos no trabalho educativo da escola.

 
EVITE
O PROBLEMA
A SOLUÇÃO
CONVIDADOS
Excluir pessoas É antipático e provoca efeito contrário ao propósito da festa Convidar professores, merendeiras, vigias, faxineiros, administrativos e até pessoas que prestam serviços eventuais à escola
Convites imprecisos Se uns levam familiares e outros não, é possível alguém pensar que houve tratamento diferenciado Definir com a equipe se os parentes podem ir e avisar a todos dias antes da festa
ESPAÇO
Lugar
constrangedor
Espaços sofisticados ou pouco acolhedores deixam as pessoas pouco à vontade. Já barulhentos e lotados dificultam a interação Escolher um local exclusivo, como um sítio ou a própria escola, tem mais chance de deixar a turma à vontade
Bagunça do dia seguinte Deixar o espaço sujo e prejudicar o trabalho pedagógico do dia seguinte, caso o evento seja na escola Combinar com a equipe se a limpeza será coletiva ou ficará a cargo de um grupo definido
ATRAÇÕES
Troca de presentes
apenas entre alguns
Excluir quem não pode participar. Também não vale presentear só o diretor - os homenageados devem ser os funcionários Providenciar pequenas lembranças para todos em nome da equipe gestora
Homenagens
restritas
Dar tratamento desigual aos membros da equipe Se houver homenagem, incluir todos os funcionários em discurso ou cartazes com fotos.
Discursos forçados Deixar o orador intimidado Abrir o espaço para as falas, desde que sejam espontâneas
DESPESAS
Colaboração
obrigatória
Impor gastos ou excluir e constranger os que não podem contribuir O grupo decide sobre a colaboração, a escola assume as despesas ou vai atrás de parcerias para cobrir os gastos
Errar no cálculo Demonstrar descuido dos organizadores no atendimento aos convidados ou provocar o desperdício Pedir a confirmação com antecedência para saber quantos vão
TEMPO
Data inadequada Ter baixa participação quando a festa é muito próxima ao final do ano Antecipar a data para garantir a participação da maioria dos funcionários

23 de setembro de 2011

Aprendendo com os números

Sistema de numeração na pré-escola

Usar os algarismos encontrados no dia a dia dos pequenos em atividades que desafiem a comparação entre as grandezas é uma ótima estratégia para ensinar os números

Por Anderson Moço e Fernanda Salla


Eles estão por toda a parte e estão integrados à vida das pessoas - sejam elas crianças, jovens ou adultos - o tempo inteiro. Na porta de casa, no relógio, no calendário, na etiqueta da roupa... Ainda que os números pareçam indecifráveis, as crianças têm várias ideias a respeito deles. "Os pequenos conseguem perceber regularidades ao interagir com fragmentos da sequência numérica, pois buscam uma lógica para explicar o que não entendem. Fazem comparações e elaboram hipóteses sobre o funcionamento do sistema, mesmo que ainda não saibam o nome deles ou o que significam", explica Leika Watabe, assessora técnica educacional da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo.

Por isso, explorar esse conteúdo com a turma da pré-escola não só é possível como também importante - desde que da maneira adequada. Isso quer dizer tal como os números aparecem, sem falsos recortes e com propostas que incluam valores grandes e fora de ordem. Esses cuidados foram alguns dos que garantiram a Lisiane Hermann Oster o título de Educadora Nota 10 do Prêmio Victor Civita de 2010. "Não é porque as crianças são pequenas que têm de lidar só com números de um a dez", diz ela.

A então professora do Sesquinho - Escola de Educação Infantil do Sesc, em Ijuí, a 410 quilômetros de Porto Alegre, desenvolveu um trabalho de elaboração de um jogo de tipo Supertrunfo (leia o quadro na última página).Trata-se de um tipo de baralho que tem um tema definido (carros, por exemplo) e exibe em cada carta informações numéricas a respeito de um modelo (como velocidade e aceleração). As cartas são divididas entre dois ou mais jogadores. O primeiro a jogar deve pegar uma, escolher um dos dados (como a velocidade) e compará-lo com o do cartão dos adversários. Quem tiver o de menor valor tem de entregá-lo para o oponente que venceu a rodada. Ganha quem ficar com mais cartas ao fim da partida (leia o projeto didático).

O tema escolhido na sala de Lisiane foi medidas do corpo das próprias crianças (altura, peso e número do sapato). "Com foco claro e etapas bem encadeadas, que envolveram a formulação de hipóteses, leitura, escrita, pesquisa e comparações numéricas, Lisiane provocou a interação com números de grande magnitude", avalia Beatriz Gouvêa, formadora do Instituto Avisa Lá, em São Paulo, e responsável pela seleção do prêmio na área de Educação Infantil.

Simplificar as informações limita o conhecimento

Apesar de ainda existir a concepção de que os pequenos aprendem as coisas com um nível crescente de dificuldades, ou seja, primeiro deve-se explorar conteúdos simplificados e só depois em sua complexidade real, hoje é sabido que eles são capazes de interagir também com números grandes. Isso porque interpretam essas informações fazendo-se valer do conhecimento prévio que detêm. Afinal, conforme explicita Leika, com números pequenos, não é possível descobrir as regularidades do sistema, como o fato de toda dezena ter dois dígitos ou o grupo do 20 começar sempre com 2.

As especialistas argentinas Delia Lerner e Patrícia Sadovsky, no livro Didática da Matemática, explicam que a criançada, muito antes de suspeitar da existência de centenas, dezenas e unidades, estabelece relações entre a posição dos algarismos e o valor que eles representam, já demonstrando os primeiros sinais de conhecimento sobre o sistema posicional (em que um mesmo algarismo tem valores diferentes dependendo da posição que ocupa em relação aos outros componentes do número). A pesquisadora argentina Susana Wolman desenvolveu o estudo O Que Sabem as Crianças, com pequenos entre 3 e 5 anos. Ela constatou que eles estabelecem relação entre o oral e a escrita e no início tendem a se apoiar na fala para então escrever os números. Porém, como a numeração oral não é posicional (diferentemente da escrita), é a interação contínua com a escrita que permitirá às crianças descobrir gradativamente que ela não é regida estritamente pela oralidade.

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