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3 de fevereiro de 2012

Adaptação escolar - Parte VII - A nova professora

Do Clic Filhos:

Quem é a nova professora?
 Por Fernanda Maria Garrafa Rocha Campos
 

Dentre tantas novidades, saber quem será a professora é a maior curiosidade dos alunos. A dúvida que pode até tirar o sono da meninada é: será que ela é tão legal quanto a outra? O vínculo com a antiga professora ainda é grande e se fortalece aliado à insegurança que o novo representa. Quando a escola é velha conhecida, a criança não fica tão vulnerável, pois sente-se parte daquele ambiente, já teve contato com as demais professoras e torce para que seja aquela de quem tanto gosta. Porém, estar em território próprio não elimina totalmente o fantasminha do medo. A criança precisa perceber que seus pais, a professora e a escola são parceiros e têm um objetivo comum: seu pleno desenvolvimento.

Amizade que dá certo

O vínculo com a professora é essencial. Dá tranqüilidade e gera confiança, fatores que determinam o desenvolvimento da criança de maneira segura e prazerosa. O elo entre professor e aluno é natural. O vínculo é algo a ser construído, conquistado e leva algum tempo para se fortalecer. Sentindo-se querida e acolhida, a criança estará segura para receber toda a ajuda de que precisa para prosseguir com o seu aprendizado. A professora deve estar preparada para lidar com situações diversas: há crianças que se encantam à primeira vista; as mais tímidas podem estar abertas e dispostas a uma nova relação, o que requer certo tato; outras, embora ainda muito ligadas à anterior, adaptam-se com facilidade e há, ainda, casos em que a união do professor, do coordenador pedagógico e dos pais da criança poderá trazer uma solução para qualquer desentendimento que possa surgir.

A sombra da ex-professora

A ajuda da ex-professora para a adaptação dos alunos à atual é bem-vinda. No início do ano, é comum que as crianças procurem pela "amigona" do ano anterior.  É com a ex que os alunos ainda querem conversar ou simplesmente por elas serem acolhidos; o que, às vezes, causa "ciúmes" nos novos colegas e certo desconforto. É preciso que todos saibam lidar com segurança e habilidade, dando um tempo para isso. Naturalmente os antigos alunos vão se desligando, à medida em que sua relação com a nova professora se aprofunda.

O papel dos pais

Há crianças que pela própria personalidade criam barreiras e resistem à qualquer tentativa de aproximação. Ao chegar em casa, superam a angústia vivida em classe, contando aos pais o que aconteceu numa versão, às vezes exagerada, ao sentir receptividade por parte da família. Cuidado! Pode haver um jogo aí. A meninada acostumada a ter tudo pode se opor à adaptação às regras da classe e revela isso dificultando a relação, chegando até a enfrentar a professora. Em casa, assume o papel de vítima, queixa-se das broncas, sem revelar seu comportamento na escola.

Cabe aos pais, neste caso, propor ao filho que divida seus problemas com a professora, não se envolvendo tanto. Dar uma certa distância, enxergar com maior clareza o que acontece e encarar a situação como momentânea é a postura mais indicada. Dê um tempo para que a relação se estabeleça. É importante que os pais fiquem bem atentos nesse período. O melhor caminho é conversar com o garoto sobre os seus sentimentos, tentando diluir a ansiedade e partilhando suas dúvidas e receios.

Caso a situação se prolongue, comunicar à escola é essencial. Com certeza, essa situação preocupará o coordenador pedagógico. Tudo será feito para sanar o problema. Geralmente um trabalho especial envolvendo aluno, professora e família resolve. Em algumas situações mais complicadas, até uma mudança de classe precisa ocorrer.

30 de setembro de 2011

Quando brincar precisa ser a prioridade

Do Clic Filhos:

Brincar é preciso
Por Lucy Casolari (*)
Brincar é uma forma de descobrir o mundo, organizar as emoções, iniciar os primeiros relacionamentos. Por meio da brincadeira a criança processa as informações e experiências do dia-a-dia, desenvolve a coragem para arriscar, a iniciativa e a autonomia para agir. Aprender brincando é uma grande verdade, sobretudo quando se fala de criança, por isso costuma-se dizer que brincadeira é coisa séria.esse ponto os estudos de especialistas convergem. Na opinião da educadora Fanny Abramovich a criança se desenvolve ao "entender tantas coisas através do brincar, ... se entender através de tantas maneiras de brincar". Ao mesmo tempo, se diverte e assimila conceitos, envolve-se em uma realidade própria e acrescenta ação e sentimento aos objetos. Desse modo, um pedaço de madeira ou um carrinho podem, na brincadeira, andar, dormir, comer, sorrir ou chorar.

Brincar é tão importante que faz parte da Declaração dos Direitos da Criança, ao lado do atendimento das necessidades básicas de alimentação, saúde, habitação e educação. Assim, o espaço lúdico, representado por jogos e brincadeiras, precisa ser garantido pelas famílias, escolas e autoridades públicas. Nas ultimas décadas a infância, assim como toda a sociedade, passou por grandes transformações. Os avanços tecnológicos em ritmo acelerado, a redução do número de filhos por família e o ingresso no mercado de trabalho da grande maioria das mães deram à infância uma outra cara. As crianças, atualmente, crescem mais solitárias e individualistas e vão para a escola mais cedo. O tempo livre é, em grande parte, utilizado na frente da televisão, absorvendo, passivamente, informações de um mundo adulto muito além do seu universo. 
Para tirar os filhos da frente da telinha, TV ou computador, os pais procuram proporcionar atividades extracurriculares, sobrecarregando a agenda dos pequenos. Além disso, expectativas e cobranças em relação a eles são altas, pois afinal, como será o mercado de trabalho daqui a alguns anos? As escolas, por sua vez, valorizam o trabalho acadêmico de conteúdos, atendendo às ansiedades e exigências das famílias.Como se vê, tudo no mundo atual está contribuindo para que as crianças não desenvolvam o hábito de brincar. Entretanto, é preciso proporcionar tempo livre para que a criança possa, como Narizinho de Monteiro Lobato, se exercitar em não pensar, sonhar, devanear... é isso que traz, de fato, a alegria de viver. Se você deseja que seus filhos cresçam felizes, lembre-se de que brincar precisa ser prioridade!

Diante disso tudo, fica clara a necessidade de espaço onde a criança possa brincar espontaneamente, sem pressão de tempo nem cobranças. A solução seria, então, abrir toda a sua casa, o tempo todo, para não tolher as atividades lúdicas? Claro que não, pois brincar é descobrir o mundo e organizar as emoções mas, também, desenvolver a inteligência, a criatividade, a autonomia, a sociabilidade. Mais razoável, portanto, é dimensionar e equilibrar o espaço da brincadeira de forma que toda a família possa usufruir a casa. Afinal não é nada agradável tropeçar, a toda hora, em carrinhos ou disputar o sofá com bonecas ou bichinhos de pelúcia. 
Uma possibilidade pode ser a organização de uma brinquedoteca doméstica, no quarto das crianças, no quintal, na área de serviço ou até num canto da sala, se não houver alternativa. Dependendo do espaço de que você dispõe, poderá incrementar mais ou menos. De todo modo, lembre-se de que os brinquedos devem estar acessíveis para a criança, pois em estantes altas transformam-se em enfeites. Utilize caixas coloridas de plástico para separá-los e ensine seu filhote a guardá-los nos seus respectivos lugares ao final da brincadeira. É claro que será preciso insistir muitas vezes até transformar a arrumação em hábito. Procure fazer junto ? o que não significa fazer por ele - até que tenha a autonomia para dar conta do recado. Ainda que a criança seja pequena é importante que, dentro de suas possibilidades, participe da organização, pois assim estará aos poucos assumindo e incorporando regras básicas de convivência e tornando-se responsável.

29 de novembro de 2010

O alvorecer educacional

A idade certa para ir à escola
Por Lucy Casolari (*)
Meu filho tem 3 anos completos, fico em dúvida se está na hora de mandá-lo para a escola ou se, ainda, é muito cedo... Mamãe sempre acha que os filhos são pequenos demais... Nos dias de hoje, essa questão preocupa as famílias mais que no passado. Claro, nas últimas décadas ocorreram muitas alterações: a participação efetiva e maciça da mulher no mercado de trabalho, a correria desenfreada do dia-a-dia, o aumento da oferta de escolas e creches, a ansiedade dos pais em relação ao futuro de seus filhos num mundo competitivo, a freqüência de filhos únicos... De fato, motivos não faltam! Esse é o lado racional da questão. Mas, ao mesmo tempo, no plano do emocional, bate aquela insegurança quanto à idade certa, pois as "crianças parecem tão novinhas e indefesas! Será que a escola vai conseguir entender e atender às suas necessidades?" Parece que o ponto crucial é alcançar o equilíbrio entre o emocional e o racional, pois, somente assim, a mãe estará tranqüila ao deixar seu pimpolho num ambiente estranho a ambos. Uma resposta, única e definitiva, para tantos questionamentos e que envolve crianças e famílias com perfis tão diferentes, provavelmente, não existe. A decisão sobre quando enviar seu filho para a escola é pessoal e intransferível, mas depende da análise de alguns aspectos fundamentais.

Em busca do ideal

Cada família tem necessidades específicas, para algumas a escola é a opção quando a criança tem até menos de dois anos - em alguns casos em período integral - pois atende às questões práticas de sua dinâmica: a ocupação dos pais, a ausência de uma babá de confiança, a falta de disponibilidade das avós. Para outras, que podem contar com uma infra-estrutura diferenciada, a preferência pode ser esperar até que o filho complete três anos, garantindo, assim, um tempo a mais para a rotina doméstica, o que lhe permite brincar em seu próprio espaço, tirar uma soneca em algum momento da manhã ou da tarde, não se prender a horários determinados. Entretanto, aos quatro anos o ingresso na escola de educação infantil é absolutamente indicado, pois, então, a maioria das crianças já superou as fraldas, as mamadeiras diurnas e já tem a autonomia suficiente para se expressar pedindo ou, se necessário, reclamando para ser atendida em suas necessidades. Hoje se sabe da importância dos primeiros anos para o desenvolvimento infantil. Uma boa escola pode, realmente, oferecer as condições que permitam o desabrochar harmônico nos diversos níveis: físico, emocional e cognitivo. A função socializadora da escola de educação infantil é fundamental para as crianças, em especial para as que têm pouca convivência com outras, é lá que aprendem a ceder, emprestar, negociar, esperar, cooperar, habilidades que dificilmente podem ser desenvolvidas no espaço doméstico.

O fundamental

Partir das necessidades pode ser um bom começo. Crianças pequenas, de dois, três ou quatro anos precisam ser cuidadas, assistidas por adultos, todo o tempo. Têm muita energia, pouca noção do perigo, necessitam de uma rotina organizada, resumindo, ainda são dependentes para a maioria das atividades.  Além disso, importa e muito, que a função de cuidar, indissociável da de educar, seja exercida de forma afetiva. Assim, é mais que desejável que esses profissionais tenham disponibilidade para acolher os alunos em todos seus momentos, inclusive nos mais agitados. Esse acolhimento não significa que devam permitir tudo, mas que sejam capazes de, sobretudo, identificar e ajudar as crianças a superar seus conflitos e frustrações. As brincadeiras, nessa faixa etária, representam aprendizagem: isso significa proporcionar tempo e espaço para que as crianças possam brincar: de faz-de-conta, com água, terra e argila, no pátio em jogos com ou sem regras. As atividades de contar e ouvir histórias, cantar músicas infantis devem ser privilegiadas, assim como as que permitam a expressão e a ampliação das fantasias infantis por meio de diferentes linguagens. A rotina deve ser rica e flexível, capaz de atender às diferenças individuais. O tripé formado por educar, cuidar e brincar é a base da Educação Infantil , definido pelo MEC (Ministério da Educação e Cultura) no seu documento oficial "Referencial Curricular Nacional" para a faixa etária de zero a seis anos.

O que buscar na escola de educação infantil

Acima de tudo deve ser evitada, no projeto educativo e na prática da escola de educação infantil, toda e qualquer tentativa da escolarização precoce. Lembrando as palavras do psicanalista D. W. Winnicott, em seu livro A criança e seu mundo (Editora LTC), "a função da escola maternal não é substituir a uma mãe ausente, mas suplementar e ampliar o papel que, nos primeiros anos da criança, só a mãe desempenha. Uma escola maternal, ou jardim de infância, será possivelmente considerado, de modo mais correto, uma ampliação da família `para cima´, em vez de uma extensão `para baixo´ da escola primária". O caminho apontado por Winnicott sugere que, ao entrar na escola, a criança não deixa de lado a vida afetiva que vivia no lar, nesse sentido é que está direcionada a "ampliação para cima da família". Ao contrário, a "extensão para baixo" da escola fundamental, tornaria a escola de educação infantil num treinamento para o acesso à primeira série. Desse modo, deve ampliar a função da família ao promover o relacionamento da criança com outras, de diversas idades, com valores culturais e familiares diferentes dos seus e com os educadores.

(*) Pedagoga e educadora

26 de novembro de 2010

A linguagem do desenho

Do Clicfilhos:

Desenho, canal de comunicação

Por Lucy Casolary (*)
Quando se observa uma criança desenhando nem sempre se avalia a importância desse ato para o seu desenvolvimento. Parece uma atividade trivial. "Afinal é só um rabisco. Meu filho diz que desenhou uma árvore, mas não parece... a combinação de cores é tão estranha!", dizem certos pais. Não é preciso ser especialista, mas sabendo como o desenho evolui, você terá um canal muito sensível de comunicação com seu filho, o que reforça o seu vínculo com ele. Cultivar mais uma forma de dividir sentimentos, sensações e prazeres, nesses tempos de mudanças velozes, mais do que um acréscimo, é uma necessidade.

Garatuja, garrancho ou rabisco

Quando uma criança, por volta de um ano e meio, pega um lápis na mão, começa a garatujar: este é o nome correto para esta fase do desenho. Os primeiros traços são registros dos movimentos: primeiro sem nenhum controle e atenção aos limites da superfície. O corpo todo participa da atividade. Aos poucos, os movimentos de vaivém passam a ser mais coordenados.  Essa experiência se prolonga e a criança vai repetindo as garatujas longitudinais até perceber que é capaz de dominar seus próprios movimentos. Quando descobre que seus gestos ficam registrados na folha passa a curtir a aparência dessas linhas. Então, ao prazer motor, soma-se o prazer visual.

Sentindo-se segura, começa a tentar movimentos mais amplos, que envolvem o braço inteiro. Aos poucos vai conquistando o círculo, forma fundamental para o desenvolvimento dos símbolos. Ao final dessa fase costumam aparecer as primeiras figuras humanas: cabeças com olhos, às vezes sobrepostas, sem intenção consciente quanto à disposição no papel, escolha das cores ou proporções.  Os pais estarão ajudando o crescimento da criança se tiverem um entendimento do processo, se mostrarem interesse no trabalho, acolhendo, sem interferir, os seus trabalhos. É importante destacar que o contato e a exploração dos elementos plásticos propiciam o desenvolvimento afetivo, pois o desenho é importante para a liberação das emoções. Além de, sem dúvida, trabalhar a coordenação motora e, ao ampliar seu conhecimento do mundo, privilegiar o intelectual.

A conquista da forma

Por volta dos três anos, seu filho começará a dar nomes às figuras, contando "quem" ele quis representar. O grande avanço, nessa fase, é ser capaz de utilizar o círculo para desenhar a cabeça e linhas retas para braços e pernas. O desenho fica, então, parecendo um polvo com seus tentáculos. Mais tarde, essa figura vai ganhar tronco e pescoço, tornando-se, enfim, semelhante à de um ser humano.  Estas ainda são representações sem volume, feitas com linhas finas e palitinhos, abstrações que não se identificam com a realidade, mas com o universo interior da criança. Ela já é capaz de respeitar melhor os limites do papel, porém ainda não tem a preocupação em relacionar as cores com o real. Proporcionar materiais e espaço adequados, escutar suas explicações e observações sobre o que desenhou é a melhor maneira de estimular a produção.

Entre quatro e cinco anos seu filho, mais maduro, vai enriquecendo o círculo cada vez mais. A partir dele constrói outras imagens: animais, carros, aviões, super-heróis. O quadrado vai sendo incorporado ao seu vocabulário plástico e surge a tradicional casinha, característica do desenho infantil, representante do seu universo.  Agora já existe certa preocupação com o realismo: as figuras humanas ganham detalhes, como mãos, pés e cabelos. Ainda assim, certa partes do corpo são esquecidas, ou supervalorizadas, de acordo com a ação que a criança quer representar. Ela já se preocupa em colocar cada coisa em seu lugar, como o sol no alto da folha. As cores são usadas conforme o estado emocional, podendo ser uma pista de como está a criança, no caso de preferência constante de determinados tons.

Uma explosão de imagens

Dos cinco aos seis anos os desenhos costumam ter um roteiro: começo, meio e fim. Pedir a seu filho que conte essas histórias pode dar dicas importantes sobre seu mundo interior: suas fantasias e conflitos. É, também, uma forma de desenvolver a linguagem verbal. Faça perguntas, incentive-o a falar, mas evite críticas ou julgamentos, tanto em relação à forma quanto à história. Nessa fase, os temas escolhidos podem não estar diretamente relacionados com a vida da criança, pois a imaginação delas é predominante. Aparecem, então, árvores, flores, pássaros, mar, que serão utilizados para compor o espaço. Surge a linha de base, representando o chão, apoio importante para outros elementos. A sua presença constante no desenho é um indício de que a criança está pronta para a alfabetização formal.

A figura humana ganha mais detalhes como dentes, dedos, pés, roupas e o pequeno procura relacionar as cores com os respectivos objetos, do tipo céu azul, sol amarelo. Durante toda essa fase há uma busca de conceitos de representação para a figura humana e os outros elementos da realidade; por isso os desenhos ainda não têm esquemas definidos e estão em constante transformação.

Em busca do realismo

Dos sete aos dez anos, a influência da aprendizagem da leitura e da escrita e as exigências da vida escolar tornam-se sensíveis. As crianças estão voltadas para a observação, assim, o mundo exterior vai se sobrepor cada vez mais ao interior e o realismo se torna uma aspiração muito forte.  Elas procuram, ao desenhar, dar a noção de perspectiva, profundidade e distância e passam a utilizar as cores "certas". Também ocorre, nessa fase, a repetição do esquema da figura humana e de outros elementos que compõem o meio - árvores, pássaros, barcos, carros, aviões, etc.

Muitos dos pequenos, não satisfeitos com seus resultados, deixam de desenhar: tornam-se muito sensíveis às críticas e comparam o próprio trabalho com o dos colegas. Portanto muito cuidado com os comentários, pois as observações negativas podem repercutir de maneira desastrosa sobre a expressão plástica de seu filho. É importante incentivá-lo a manusear outros materiais e recursos visuais, tais como colagens com papel rasgado, construções com sucata, montagens com dobraduras, grafitagem, máscaras, marionetes, instalações. Nem todas essas atividades podem ser feitas em casa, mas existem oficinas e ateliês que têm como proposta a realização de trabalhos que envolvam necessidades mais específicas de espaço e materiais.

Apresentar obras de artistas que rompem com as normas convencionais, por exemplo, pode ajudar seu filho a perceber que existem diferentes soluções e formas de expressão. A intenção não é, evidentemente, torná-lo um artista, mas assegurar que o desenho possa continuar sendo uma forma de manifestação pelo máximo tempo possível. Como disse Fernando Pessoa: "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena".

(*) Lucy Casolari é pedagoga e educadora

15 de novembro de 2010

Entre um boletim e outro

Do site Clicfilhos:

Seu filho vai bem na escola?

Por Lucy Casolari*

Desde que as crianças chegam à primeira série essas questões vão se tornando mais concretas e freqüentes, pois se inicia, também, uma cobrança maior em relação à aprendizagem. É quando acontecem experiências importantes para o desenvolvimento: o contato com a noção de dever, as maiores ou menores facilidades nas diversas áreas, os próprios interesses e limites.


São os primeiros passos da criança em direção à autonomia, que faz parte do crescimento. Lembre-se de que a construção do papel de aluno se dá na sala de aula, na interação com outras crianças e a partir do que é trabalhado pelos educadores. Para os pais, entretanto, essa caminhada tem momentos de angústia e preocupação, especialmente se as informações vindas da escola se resumem a boletins bimestrais.

Aprendizagem é um processo

Compreender as vivências do seu filho, como aluno, vai baixar a sua ansiedade e dar condições para que você acompanhe mais tranqüilamente a sua escolaridade. Enquanto realiza suas tarefas, ele vai, ao mesmo tempo, descobrindo se tem mais facilidade na escrita ou uma queda maior para problemas e cálculos. Seu interesse será despertado, em graus variados, por uma pesquisa sobre animais marinhos ou pela história dos primeiros imigrantes. Poderá se empolgar mais com a descoberta das cores do que com uma coreografia dos povos indígenas.

Ao mesmo tempo em que esses conteúdos são explorados, surgem atividades e trabalhos que exigem mais dedicação e esforço. Seu filhote vai perceber, por exemplo, que se conseguir a concentração adequada na hora certa, o trabalho será entregue na data marcada. Superar obstáculos faz parte da rotina escolar e é das aprendizagens mais importantes para o desenvolvimento da auto-estima.

Tudo isso diz respeito a processo e resultados. O registro será feito, posteriormente, por meio do boletim. De uma escola para outra existem variações na forma de avaliação: umas priorizam as provas enquanto outras dão maior peso ao trabalho do dia-a-dia. Saber o que foi efetivamente considerado, o que entrou no cômputo dessas notas, seja em números ou conceitos, é fundamental para que as famílias se mantenham informadas a respeito da escolaridade de seus filhos.

Entre um boletim e outro

Ficar apenas aguardando é muito difícil, mas a observação de alguns sinais pode dar dicas de como está a situação. Considere positivo:



  • Se, com freqüência e espontâneamente, seu filho fala sobre o que está aprendendo.



  • As demonstrações de segurança e autonomia ao realizar as tarefas ou ao se preparar para as provas. Procure valorizar sua independência, mas mostre-se aberto para ajudar em caso de dúvida.



  • A mobilização para uma nova pesquisa, embora só a motivação, tão necessária para iniciar, possa não ser suficiente para dar conta do recado. Dependendo do assunto é provável que sua participação mais efetiva seja necessária. Cuide para ser apenas suporte e não fazer pela criança.



  • Sinais que podem sugerir maiores problemas ou dificuldades:


  • Seu filho afirma que nunca tem lição.



  • Enrola para iniciar a tarefa e quando, finalmente, resolve sentar e encarar o desafio, a lição torna-se um verdadeiro tormento. Requisita o tempo todo, leva horas para terminar, chora, faz cenas.



  • Nunca conta nada do que acontece em classe, nem das matérias, nem dos amigos.




  • Situações como essas demostram que é momento de entrar em contato com a escola: escreva bilhetes, marque uma reunião, enfim, procure se inteirar para ajudar seu filho em tempo. A professora ou a orientadora poderão dar informações preciosas sobre o trabalho de classe e você terá oportunidade de relatar o que acontece em casa. Dessa conversa será possível traçar um plano conjunto entre escola e família, no qual cada uma das partes se compromete com determinadas ações em seus respectivos espaços.

    É fundamental que seu filho esteja a par do combinado e entenda que é uma relação de ajuda, de parceria. Toda a clareza é necessária, assim, uma conversa a três pode ser bem eficiente para comprometer todos os envolvidos no processo: aluno, família e escol
    Finalizando, é sempre interessante lembrar que o boletim é o registro do trabalho do aluno no período. Ao recebê-lo cabe sempre uma boa conversa com seu filho. Reconheça e valorize seus esforços e melhoras, por pequenas que sejam, mas não deixe de mostrar claramente sua insatisfação, se for o caso. Acima de tudo, cuide para não entrar em negociações que envolvam presentes ou prêmios para o próximo bimestre. Além da prática já ter demonstrado a pouca eficiência dessas barganhas, fica reforçado o comportamento mercantilista que vai exigir sempre uma recompensa maior ou melhor...

    *Lucy Casolari .pedagoga e educadora da VERCRESCER assessoria educacional

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