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25 de janeiro de 2012

Planejamento educacional - Parte X - Organização e planejamento em família

Do Educar para crescer:

7 dicas para organizar melhor o tempo de seu filho

Por Thais Romanelli

Horários, prazos e obrigações. Se administrar as atividades cotidianas já não é fácil para os adultos, imagine para as crianças! Durante a vida escolar, as lições de casa, os trabalhos e as provas se tornam cada vez mais frequentes, exigindo dos alunos organização e planejamento. A falta de uma rotina pré-estabelecida muitas vezes compromete o aproveitamento do aluno. Para que isso não aconteça, é preciso a colaboração dos pais. "O auxílio dos adultos na organização é crucial. São necessárias conversas para que os combinados sejam retomados e revistos, se for o caso", alerta Rita de Cassia Gallego, professora doutora da Faculdade de Educação da USP.

Para que a organização do tempo funcione, é preciso pensar nas reais demandas do dia a dia do estudante e da casa. Isso não significa que os filhos devam seguir a rotina dos pais, ao contrário, é essencial para o desenvolvimento que as crianças aprendam a lidar com as questões pessoais e assim construam seus próprios horários. Não adianta os pais implantarem um padrão de rotina que massacre o estudante. É preciso ser certeiro e fazer com que a rotina auxilie e não martirize a todos. "Se a organização dos estudos estiver atenta para as fragilidades e as potencialidades das crianças, poderá favorecer o desempenho da criança nas aulas", completa.

1) Hora de fazer a agenda

O estabelecimento de horários combinados para as atividades pode ser determinante para o funcionamento da rotina. "Assim, as próprias crianças sabem de seus deveres previamente combinados e podem cumpri-los", acredita Rita de Cássia Gallego, professora doutora da Faculdade de Educação da USP.

A rotina do estudante, contudo, não precisa ser imposta pelos pais. Pode - e deve - ser determinada conjuntamente. Perguntar para o jovem como é o seu dia desde que levanta e mostrar algumas opções de organização é interessante e mostra aos pais a visão que os filhos têm do próprio dia a dia. A pedagoga Virgínia de Ávila, da Unesp, aconselha que os pais comecem a negociação de uma rotina ponderando junto aos filhos o que deve vir primeiro no horário diário: os estudos ou o lazer. "Dependendo da resposta e das preferências de cada um é possível adequar o horário de estudos. O cuidado com o cotidiano deixa as crianças mais seguras e confiantes", explica.

É possível até transformar esse momento de organização em algo agradável. "Uma sugestão simples é fazer um quadro com a rotina, colorido, personalizado... Depois de realizado, ele pode ser colocado num lugar visível, na agenda, na geladeira, na porta do guarda-roupa, enfim...", completa Virgínia de Ávila.


2) Hora de organizar o espaço

O ambiente em que os estudos acontecem também interfere diretamente na organização diária. "A criança aprende a organizar o seu tempo tomando como base o modelo adulto que dispõe. O recinto familiar deve oferecer condições para que ela aprenda a se organizar e sentir a necessidade dessa organização", diz a pedagoga Virgínia de Ávila, da Unesp.

Portanto, manter a casa organizada, disponibilizar um espaço adequado para os estudos, sem barulho, bagunça e distrações é muito importante. Para a criança criar a própria organização é pré-requisito conviver em um ambiente também organizado.

O material também deve estar arrumadinho -- antes e depois das tarefas. "Arrumar a mochila e ver se está tudo em ordem e limpo, olhar os cadernos e observar se não ficou nada incompleto são atividades que podem ser feitas durante o horário de estudos em dias mais livres e que estimulam a organização", completa a pedagoga.

3) Hora de extravasar
Muitos são os estudantes que, além dos deveres da escola, se ocupam de atividades extracurriculares. Balé, natação, música, futebol e outros cursos podem, sim, complementar a formação. Mas essas atividades complementares jamais podem se tornar um peso excessivo no dia a dia das crianças e dos adolescentes. A sobrecarga de tarefas pode ser tão ruim ou até mesmo pior do que a falta delas.

É importante que o desejo de realizar determinada atividade parta das crianças e não dos pais. "O interesse da criança deve ser respeitado pelos pais. Nem sempre a atividade que os adultos julgam ser a melhor, é melhor de fato", diz a pedagoga Virgínia de Ávila, da Unesp. "As atividades extracurriculares só são benéficas quando o estudante expresse satisfação em sua realização e demonstre que tem aprendido", alerta Rita de Cássia Gallego, professora doutora da Faculdade de Educação da USP.

O aprendizado que cada atividade oferece deve ser levado em conta. "É relevante que se avalie se a escolha da atividade traz, de fato, contribuições na formação da criança, caso contrário, é preciso avaliar as alternativas e mudar de atividade para que as atividades extracurriculares representem realmente um benefício", diz Rita de Cássia Gallego.

4) Hora de brincar
A brincadeira não pode ficar de fora e também precisa ter seu horário garantido dentro do dia a dia das crianças e dos jovens. É importante que a rotina seja bem pensada para que não haja sobrecarga de atividades e que seja garantido um tempo para o lazer. "A dedicação de parte do dia para a brincadeira e ao lazer traz prazer, desafios, descontração, o que é fundamental, inclusive, para a realização das atividades previstas pela escola ou outras que exigem concentração e disciplina", explica Rita de Cássia Gallego, professora doutora da Faculdade de Educação da USP. Organize a rotina de modo que tudo esteja previsto e combinado com a criança para que ela não seja uma mera cumpridora de tarefas.

5) Hora da escola
Uma parceria entre pais e educadores pode ser ainda mais benéfica para o aluno. "A escola pode ajudar os alunos na condução dos seus estudos em casa. Como? Criando rotinas e fazendo avaliações que sirvam para trabalhar as dificuldades notadas e para evidenciar as melhoras e as conquistas de objetivos", explica Rita de Cássia Gallego, professora doutora da Faculdade de Educação da USP.

O retorno das duas partes é essencial. "Quando a escola detecta algum problema os pais devem ser chamados e, juntos, a escola e a família devem buscar estratégias para a solução das dificuldades", diz a pedagoga Virgínia de Ávila, da UNESP. "Da mesma forma, os pais devem notificar as dificuldades observadas na realização das atividades em casa para que os professores, assim, tomem providências em sala de aula", completa.

6) Hora de dormir
O sono também deve fazer parte de uma rotina regrada. Dormir bem e no horário certo influi no dia a dia e pode até mesmo ajudar no aproveitamento escolar. "Um ambiente estruturado, ou seja, com horário para dormir, acordar, fazer a higiene e as refeições repercute positivamente no desenvolvimento das crianças. A regularidade dá o equilíbrio necessário para o desempenho de diversas tarefas ao longo do dia", explica a pedagoga Virgínia de Ávila, da UNESP. "A incorporação de hábitos auxilia no cumprimento das diferentes tarefas realizadas em sala de aula".

7) Hora de ponderar
Na tentativa de ajudar os filhos, muitos pais acabam tornando o acompanhamento escolar excessivo. Participar é essencial, porém é preciso tomar cuidado para que esta prática não se torne uma tutela. Acompanhar as lições, dar sugestões nos trabalhos, tudo isso faz parte, mas ficar em cima e principalmente fazer por eles são coisas que não podem acontecer, caso contrário, a criança não desenvolve responsabilidade e autonomia. Por outro lado, impor as regras e, depois, sair fora também não resolve. "Não basta estabelecer a rotina com o filho e achar que isso é suficiente para que a criança se organize. O acompanhamento desses momentos a serem dedicados aos estudos permite perceber em que ocasiões a presença dos pais é mais importante", explica a professora Rita de Cassia Gallego.


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Planejamento educacional - Parte X - Organização e planejamento em família

8 de janeiro de 2012

Planejamento educacional - Parte IX - Planejando 2012 e singrando novos rumos

Do Planeta Educação:

Planejamento escolar

Por João Luís de Almeida Machado (*)


Início de ano letivo, professores reunidos, direção da escola disposta a dar novos rumos ao trabalho, aulas prestes a se reiniciar, alunos ansiosos por alterações e melhorias... O que fazer? Como renovar a escola e, principalmente, os cursos e aulas? De que forma é possível, logo na largada do período escolar, dar alento e ânimo a todos os participantes da comunidade educacional em que trabalhamos? 

O primeiro passo é, sem qualquer sombra de dúvidas, levar o planejamento escolar anual muito a sério. De nada adianta reunir o grupo de professores da escola para simplesmente atualizar as datas e realizar pequenas modificações no plano de curso apenas para constar que isso aconteceu. Sei que muitos professores que estiverem lendo essas linhas podem até ficar ofendidos, afinal de contas o puxão de orelhas está sendo direcionado de forma generalizada e, certamente, há profissionais que se preocupam (e muito) em realmente melhorar seus projetos de trabalho de um ano para o outro.

Mas a realidade, conhecida por muitos e também praticada por um sem-número de professores, é que os planos de ensino de anos anteriores já são tão bons que nem precisam ficar sendo alterados, repensados, atualizados e modernizados. Assim pensam tantos que isso já se tornou prática mais do que comum em inúmeras escolas. 

Modificar a forma de pensar o plano escolar anual e agir nesse sentido é mais do que necessário e, certamente, é o primeiro e decisivo passo para que a escola seja outra no ano que se inicia. Assuma o compromisso em benefício de seus alunos e também de você mesmo, afinal de contas, ficar dando as mesmas aulas e repetindo iguais idéias ano após ano é coisa para quem tem pouquíssima imaginação... Esse certamente não é o seu caso... Ou é?


E o que deve ser feito a seguir? 

Equipe-se para essa dura tarefa. Vá para o planejamento escolar com recursos que considere úteis para realizar alterações marcantes em seu projeto. E que tipo de recursos são esses? Desde livros didáticos e paradidáticos até músicas e filmes com os quais saiba que será possível (e provável) motivar os estudantes e torná-los ávidos e interessados no saber. 

Tenha em mente que os recursos devem se adequar aos conteúdos curriculares previstos para o ano escolar com o qual trabalhará. Saiba também que a utilização ou a previsão de uso desses recursos em aula de nada adianta se os mesmos não estiverem concatenados com práticas pedagógicas como explanações do professor, tarefas, trabalhos em grupo, uso de outras referências,...

Ou seja, melhor dizendo, não há varinha mágica entre os recursos que você irá utilizar... Filmes, computador, internet, livros, atividades com arte, visitas a museus, excursões a locais públicos ou privados, entrevistas, encontros com especialistas ou qualquer outra atividade que você desenvolva podem ser de grande utilidade se estiverem plenamente “amarradas” e conectadas ao trabalho desenvolvido na escola em sua totalidade!

Pense também que não adianta apenas centrar suas atenções no conteúdo específico de sua disciplina. Se você dá aulas de português, matemática, história, inglês, biologia, química ou artes é certo que aprofundamentos e novos materiais em sua área específica de conhecimento devem fazer parte da revisão e atualização de seu planejamento de trabalho. Mas além desses saberes centrados em sua especialidade deve também existir um preparo do profissional para melhorar sua didática, seu arsenal de práticas e ações para a efetivação do processo de ensino-aprendizagem.

É, por exemplo, de essencial importância que o docente esteja a par de qual é a proposta pedagógica da escola ou rede de ensino na qual está trabalhando. E, sabedor da filosofia e metodologia do estabelecimento no qual atua, que se informe com a devida profundidade sobre quais são os pilares e práticas comuns a essa proposta. Não adianta nada saber apenas por terceiros o que é, como funciona ou ainda quais são as estratégias mais comuns de tal linha pedagógica.

Lâmpada-Criatividade

Não é só isso. Ao professor compete estar por dentro das novas idéias de seu segmento de trabalho. Saber o que pesquisadores e educadores estão falando sobre relação professor-aluno, indisciplina, novas metodologias de ensino, tecnologias na educação, gestão escolar, leis da educação, merenda escolar, avaliação, qualidade de ensino e temas afins é de essencial importância. E não é só isso, com as novas tecnologias em voga cada vez mais, é preciso saber e informar-se sobre economia, política, cultura, artes, esportes,...

Outro aspecto de fundamental importância para um planejamento escolar adequado aos novos tempos é a utilização das novas tecnologias tanto para informar-se e elaborar os planos de ação como para as atividades de trabalho com os alunos. Se o professor ainda tem dificuldades ou desconhece os computadores e a internet está mais do que na hora de buscar auxílio e aprender para contar com o apoio dessas ferramentas. Nesse sentido é importantíssimo que o educador conheça sites e portais que possa indicar para seus alunos como referenciais de pesquisa e apoio em seus trabalhos escolares.

O trabalho educacional também não pode prescindir nos dias de hoje de um constante apoio e intercâmbio dentro do próprio quadro docente. O que quero dizer com isso? Criar projetos integrando disciplinas e buscando sempre o suporte dos gestores escolares é de fundamental importância. Temos que nos lembrar e firmar com constância a idéia de que o conhecimento não é estanque e fragmentado. 

Canais-comunicação

Muito pelo contrário, as trocas entre biologia, história, geografia, física, matemática, português, química, artes, inglês, filosofia e educação física são constantes e que essas relações dão ao conhecimento muito vigor, consistência e dinâmica. 

Essa dinâmica de trocas também deve ser reforçada com a participação mais integral dos gestores na vida escolar. Isso é uma crítica? Sim, pois o que se vê é que muitas vezes diretores, coordenadores e orientadores se vêem tão sobrecarregados por suas atividades cotidianas – em especial com a burocracia e com pequenos incêndios que ocorrem no dia a dia – que não conseguem acompanhar o que está acontecendo em sala de aula com a devida atenção...

E como esses profissionais podem ajudar? Por sua experiência e conhecimento foram muitas vezes alçados a essas posições na hierarquia de suas escolas. São pessoas que conhecem e têm (normalmente) muita experiência não apenas como gestores, mas também enquanto professores. Conhecendo melhor o trabalho de seus docentes, esses gestores são capazes de ajudá-los na integração de projetos entre diferentes disciplinas, na compreensão da filosofia da escola, nos relacionamentos entre professores e alunos,...
Além disso, os gestores ainda podem (e devem) ajudar a todos na busca por um ambiente escolar devidamente equipado, limpo, organizado, eficiente e bonito. São eles que, liderando e em conjunto com toda a comunidade educacional, devem mobilizar os esforços pela manutenção da escola e pela criação de uma forma de pensar a escola que a torne atraente, interessante e benéfica para todos.

Creio que, certamente, há muitas outras idéias interessantes que poderiam ser adicionadas as proposições desse artigo, nesse sentido convoco todos a participarem suas práticas, ações, estratégias e proposições através de comentários e e-mails. Penso que somente com o constante intercâmbio poderemos melhorar ainda mais nossa educação. Afinal de contas, o desafio de um ano letivo é grandioso e não podemos desperdiçar tempo e oportunidades que nos são dadas, não acham?

(*)  Doutor em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema" (Editora Intersubjetiva).


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Planejamento educacional - Parte X - Organização e planejamento em família

1 de janeiro de 2012

Planejamento educacional - Parte VIII - Docentes nota 10

  
Os caminhos da autonomia

Colocada em xeque pela sociedade contemporânea, a capacidade do professor de analisar e tomar decisões em sala de aula está relacionada com boa formação e profissionalização do ofício docente


Um professor anda a passos apressados rumo à escola em que trabalha. Já perto do local, é surpreendido por uma pedra de gelo, que é jogada por seus alunos de ensino médio da janela do prédio. Quando o docente finalmente chega à sala de aula, encontra um caos. Com os estudantes engajados em colocar fogo num determinado recipiente, o professor explode, coloca os meninos para fora, grita com as meninas e logo se retira. "Fiz a única coisa que jurei nunca fazer: perdi as estribeiras", desabafa com uma funcionária da escola. Na sequência, anda de um lado para o outro, chamando os alunos de "endiabrados" e afirmando já ter tentado de tudo para salvar "aquelas crianças". Quando menciona a palavra "crianças", tem uma epifania: talvez a saída seja inseri-las no mundo dos adultos, pensa. Volta, então, à sala de aula, e imediatamente joga os livros na lata do lixo. "De agora em diante, vocês serão tratados como adultos, com todas as responsabilidades que isso envolve", avisa.

A história é conhecida por muitos educadores brasileiros, já que o professor em questão é Mark Thackeray, interpretado por Sidney Poitier no filme Ao mestre, com carinho. Na cena em que escolhe uma nova estratégia para lidar com os adolescentes - provar que há uma relação direta entre o que ele ensina e o mundo que os cerca -, Mark está sozinho. A decisão foi tomada por ele a partir de seu próprio poder de análise, aliado a seu repertório e experiência. É justamente esta capacidade que, recentemente, vem sendo colocada em xeque no Brasil. No embalo de uma tendência da sociedade contemporânea de cercar o acaso e predeterminar todas as coisas, o mercado editorial tem apostado em livros que trazem uma coletânea de procedimentos para auxiliar o docente a desempenhar suas funções.

Em março, a editora Da Boa Prosa traduziu, com o patrocínio da Fundação Lemann, o título Aula nota 10, do norte-americano Doug Lemov, que traz 49 técnicas "para ser um professor campeão de audiência". Em novembro deste ano, também chegou às livrarias brasileiras a obra O princípio da pirâmide: a lógica, publicada pela editora Canal Aberto e escrita pela também norte-americana Barbara Minto. O livro, que já vendeu 45 mil exemplares em países como Inglaterra, EUA, China, Alemanha, Japão, Noruega e Vietnã, tem o objetivo de mostrar a diversos profissionais (entre eles, o professor) como "se comunicar de forma eficiente".

Ambos os livros desenterram um debate antigo na educação, que foi acentuado com a introdução dos sistemas apostilados nas redes de ensino brasileiras: a autonomia docente. Assim como materiais apostilados, os livros partem da visão de um professor que é incapaz de dar conta de uma aula - a diferença é que as apostilas tratam de conteúdo, e os títulos mencionados, das metodologias e didáticas de ensino. Mas se é verdade que a grande maioria dos professores brasileiros é mal formada e depende de materiais prescritivos para dar boas aulas, é preciso, no mínimo, problematizar essa afirmação.

Em primeiro lugar, entendendo por que há receptividade a esses materiais e em que medida eles dão conta do problema da formação. Em segundo, investigando qual a concepção de educação e de ser humano que eles trazem para a sala de aula. Também é necessário pensar em longo prazo. Se o professor que leciona atualmente não é autônomo, como preparar os futuros docentes para pensarem por si próprios? E, por último, deve-se ter em mente que, mesmo num cenário ideal, o conceito de autonomia envolve o estabelecimento de padrões mínimos para a profissão, tanto no que diz respeito ao currículo quanto ao trabalho docente. Basta lembrar o caso da Finlândia, onde o governo concede autonomia a seus professores, mas há o mínimo de consenso nacional sobre o que um professor deve fazer em sala de aula.
Uma das pesquisadoras que assinam a contracapa do livro Aula nota 10 é Bernadete Gatti, da Fundação Carlos Chagas. Conhecida por seu trabalho na área de formação docente, Bernadete afirma que o livro de Lemov é "uma contribuição concreta" em um cenário de ausência de literatura sobre didática e práticas de ensino. "Perdemos os conhecimentos concretos de didática, das práticas de ensino, da discussão da atividade em sala de aula, do planejamento do ensino e do planejamento da aula", aponta a pesquisadora. Segundo Bernadete, esses conhecimentos não são tratados nos cursos de pedagogia ou nas licenciaturas. "Perdemos o pé no Brasil. Temos pesquisadores da área de ''''ensino de'''' que têm feito alguma pesquisa didática, mas muito pequena", assinala.

É nesse sentido que Ilona Becskeházy, diretora de qualidade da educação da Fundação Lemann, acredita que o livro de Lemov traz aspectos interessantes para os professores. Como a instituição desenvolve trabalhos nas áreas de formação e gestão, Ilona coleciona bons exemplos de como o planejamento de aula não é bem feito pelos docentes brasileiros. "Vimos professores que usam a ideia do mercadinho durante três dias para ensinar matemática, mas sem um objetivo pedagógico por trás da atividade", conta. Para Ilona, o livro é um "atalho bem assentado" para a realidade brasileira, já que traz elementos solidificados do que se entende por administração da sala de aula. "O Lemov diz: você deve planejar de tal, tal e tal forma", diz. Sobre a possibilidade de que o livro execute um papel similar ao dos livros de autoajuda, Ilona afirma não ter preconceito contra esse tipo de literatura. "Quanto mais explicativo for, mais facilita minha vida", aponta...
Julio Groppa Aquino defende que a questão passa pelo problema da falta de autoridade docente, assunto sobre o qual a literatura é extensa: autores como o educador Jan Amos Comenius e o filósofo Immanuel Kant já o discutiam nos séculos 17 e 19, respectivamente. "É a discussão mais antiga que existe. Ela nasce com os fundadores da pedagogia, que o tempo todo falam dessa condição sine qua non do trabalho do professor", coloca.

Há outra discussão antiga nesse debate, que esbarra nos problemas da formação docente. O argumento usado por quem defende tanto os sistemas apostilados quanto os livros recém-lançados é o de que é necessário tomar alguma providência em relação aos professores mal formados que atuam nas redes. Romualdo Portela, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (Feusp), concorda. "Para o mal formado, é melhor tê-los do que não ter nada. Mas mais cedo ou mais tarde vamos entrar nas questões de formação e retenção docente", explica. No que diz respeito à formação, uma pergunta fica no ar: se a ideia é formar bons professores que não dependam exclusivamente de apostilas ou manuais para dar boas aulas, quais são os pilares que devem nortear os cursos de formação e licenciaturas?  

Especialistas e educadores ouvidos pela reportagem de Educação mencionam os seguintes aspectos que devem ser considerados, de maneira que os professores atuem futuramente de maneira autônoma: integração entre teoria e prática, conhecimento do objeto de ensino e de metodologias de ensino e presença de um lastro ético-político de atuação nos professores. Mas a autonomia também passa por uma maior profissionalização do ofício docente, no sentido de se instituir condições de trabalho determinadas, valorização social, regras claras para a formação e certificação do professor e para sua avaliação de desempenho.

No âmbito da formação, a residência pedagógica tem se mostrado como uma alternativa ao estágio, já que firma parcerias mais sólidas entre a universidade e a escola. O modelo facilita o movimento de reflexão sobre a prática, considerada essencial para que o futuro profissional saiba analisar e resolver situações em diferentes contextos. O curso de pedagogia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), por exemplo, dá grande ênfase às residências. Da mesma maneira, toda a estrutura do curso STEP, em Stanford, é alicerçada na união entre prática e teoria. O modelo é procurado por diversos países, como Chile, Hungria e o próprio Brasil(representado pela mesma Fundação Lemann), que buscam adaptá-lo a suas realidades locais  Leia mais


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27 de dezembro de 2010

Planejamento educacional - Parte VII - Planejando o ano escolar de 2011

Da Nova Escola:

Semana pedagógica: o que não pode faltar

Se é verdade que um bom planejamento evita problemas posteriores, certamente a primeira semana do ano é a mais importante para qualquer escola: é quando os gestores e a equipe pedagógica se reúnem para projetar os próximos 200 dias letivos e fazer a revisão do Projeto Político Pedagógico (PPP) - o documento que marca a identidade da escola e indica os caminhos para que os objetivos educacionais sejam atingidos. É o momento de integrar os professores que estão chegando, colocando-os em contato com o jeito de trabalhar do grupo, e, claro, mostrar os dados da escola para todos os docentes, além de apresentar as informações sobre as turmas para as quais cada um vai lecionar.

Antes de produzir esta reportagem, perguntamos a diretores e coordenadores pedagógicos, em nosso site, quais as principais dúvidas em relação à semana de planejamento. Recebemos 45 mensagens, questionando desde como organizar os encontros (e quem deve participar deles) até incertezas sobre os temas a debater. Para ajudar esses e outros leitores, sugerimos um cronograma para cinco dias de planejamento, com indicações sobre o que fazer em cada um deles e ideias práticas para conduzir os trabalhos. A semana pedagógica, nunca é demais lembrar, não se restringe a esse período - pelo menos para os gestores. Érika Virgílio Rodrigues da Cunha, professora de Didática, Currículo e Avaliação da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), afirma que o diretor deve planejar com antecedência, executar a agenda definida e acompanhar os resultados durante o ano. A preparação prévia está reunida no quadro abaixo, e as dicas para garantir um bom acompanhamento dos resultados, no último quadro desta reportagem. O planejamento da semana em si ocupa as próximas páginas.

Uma regra geral é começar o encontro pela discussão dos grandes temas e depois partir para os desafios específicos. Para o presidente da Comissão de Graduação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Rubens Barbosa de Camargo, a melhor maneira de fazer isso é preparar bons diagnósticos. "As decisões essenciais decorrem da reflexão sobre os rumos que a escola quer percorrer", diz. O cronograma apresentado a seguir é apenas uma sugestão para ajudar você no planejamento da semana. Dependendo do tamanho da sua equipe docente e da escola, faça as adequações necessárias. E um excelente planejamento para sua escola!

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