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17 de março de 2012

Limites - Parte VII - O que as escolas têm que saber sobre a juventude

Do Brasil Escola:

Os jovens estão mais violentos... O que a escola tem a ver com isso?

Por Vânia Duarte (*)
 

Há que se considerar que a escola representa uma extensão em se tratando da rotina cotidiana dos educandos. E assim como no ambiente familiar, eles tendem a manifestar suas atitudes, sejam estas concebidas de forma negativa ou positiva. Contudo, o que hoje presenciamos na maioria dos ambientes escolares são jovens agressivos e autoritários por excelência. De acordo com a opinião de especialistas, vários fatores incidem de forma direta na problemática em questão. A começar pelo fato de que nesta fase há uma necessidade inconsciente do contato com a pele do outro, no sentido de explorá-la, muitas vezes manifestada por aquelas famigeradas “lutas de mão”, no intuito de testar a resistência física do companheiro. 

Outro aspecto relaciona-se à própria sociedade, dadas as influências desempenhadas pelos papéis sociais, sobretudo no que diz respeito aos homens em se tratando da virilidade, uma vez que o não enfrentamento mediante a algumas situações, principalmente relacionadas a brigas e disputas, pode configurar a ausência desta. Sem contar que a estrutura familiar ou a falta dela retrata por demais sua cota de participação, pois a conduta agressiva por parte dos pais pode influenciar no comportamento daquele que ainda encontra-se construindo sua própria personalidade. É o que nos revela Sônia Maria Pereira Vidigal, pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Moral da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP):

“Pais que se colocam sempre em condição superior aos filhos tendem a transmitir esse comportamento. Respeito não se ganha com medo”. 

Por outro lado, há aqueles que por um motivo ou outro optaram por serem permissivos ao extremo e, quando resolvem tomar uma posição, são recebidos com total descrédito. Mediante esses dois extremos, tomadas de posições pautadas no equilíbrio parecem evidenciar sua efetiva eficácia, pois somente assim haverá o merecido respeito de ambas as partes. Mas afinal, e a escola? Qual o papel que devemos atribuir a ela? Notadamente, o posicionamento de grande parte das instituições de ensino, no sentido de coibir algumas práticas, tem se baseado tão somente em punições. Primeiramente surgem as punições, e quando não são suficientes, vêm as suspensões, fato este considerado como apenas uma transferência de responsabilidades. A verdade é que muitos educandos, cientes de tais medidas, apenas esperam “pela próxima”. Diante disso, considera-se que tais medidas carecem de uma verdadeira reformulação, no sentido de contornar o problema pela raiz. Assim como nos explica Telma Vinha, professora do Departamento de Psicologia Educacional da Faculdade de Educação de Campinas (Unicamp):

“Essas medidas não são educativas e vão contra o objetivo de formar pessoas autônomas.”

Fazer com que os alunos reflitam acerca de suas atitudes representa uma atitude extremamente louvável. Para tanto, uma das saídas é trabalhar no sentido de recuperar a noção de valores – até então esquecidas no tempo – por meio de textos que promovam momentos de reflexão em sala de aula, enfatizando sempre que o respeito mútuo é elemento primordial nas relações sociais como um todo. Outra é promover palestras periódicas, ministradas por profissionais da área, no sentido de colocar os jovens frente a frente com a realidade que os cerca e, sobretudo, possibilitar que eles ampliem sua visão de mundo e seu espírito crítico em relação aos fatos que nela circundam. 

13 de março de 2012

Professora foi agredida em sala em Minas Gerais e... ficou por isso mesmo


Aluna bate em professora dentro da sala de aula em Minas

Uma aluna de 15 anos agrediu uma professora durante a aula em uma escola de Minas Gerais. A agressão, que ocorreu na quarta-feira (7), foi gravada por alunos, e o vídeo foi parar na internet. A discussão ocorreu quando a professora, que dava aula de física na escola estadual Rotildino Avelino, em Coronel Fabriciano (198 km de Belo Horizonte), pegou um bilhete que a aluna passava para uma colega. Revoltada com a bronca, a aluna se levantou e, durante a discussão, deu tapas no rosto da professora. Um colega precisou intervir e retirou a garota da sala. Segundo Maria do Carmo Silva Melo, diretora da Superintendência Regional de Ensino, a direção da escola convocou as duas para esclarecer a situação. A aluna disse que perdeu o controle e pediu desculpas à professora. Segundo Melo, a relação das duas era boa, e a aluna nunca havia tido problema disciplinar na escola. Ela disse que a agressividade pode ter ocorrido por problemas fora da escola --o Conselho Tutelar foi acionado e vai fazer um acompanhamento com a garota, aluna do 1º ano do ensino médio. "O diálogo e a mediação de conflitos é uma prática nas nossas escolas. Este foi um caso isolado", disse Melo.

12 de dezembro de 2010

Professor, joguete nas mãos de alunos sem limites e gestores educacionais limitados demais

A dura realidade do professor
Por Eduardo de Freitas (*)

Para ocorrer uma revolução positiva na maioria das nações é preciso que o processo tenha início na educação e nesse sentido o professor torna-se um dos principais agentes desse processo.   No entanto, como esse profissional irá contribuir para a melhoria de um país se a população do mesmo não o valoriza e às vezes nem o respeita? Exercer a profissão de professor na maioria das vezes é um ato de extrema valentia e determinação, tanto em escolas públicas como privadas. Um dos primeiros problemas enfrentados é quanto à remuneração, sempre muito baixo, além disso, em diversos casos esses sempre atrasam.

Há uma grande incidência de casos em que alunos agridem fisicamente ou verbalmente os professores, que muitas vezes têm que sair correndo para que não sofra algo pior.   Infelizmente, o professor é visto por grande parte da sociedade como um subalterno para o qual são dirigidas diversas ordens.   Quando o professor atua na escola pública muitas vezes não possui ou é limitada a autonomia plena para aprovar ou reprovar um aluno, isso por que o próprio sistema determina o percentual de aprovação e reprovação que deve acontecer com intuito de cumprir acordos firmados com organismos internacionais de ordem econômica como FMI (Fundo Monetário Internacional), Bird (Banco Internacional Para Reconstrução e Desenvolvimento) e Unesco, esses liberam créditos somente se os dados apresentados se enquadram nas exigências dos mesmos.

Nas escolas particulares, em sua maioria, os problemas não diferem tanto, os donos designam a aprovação a qualquer preço, pois os pais não querem seus filhos reprovados, ainda mais que durante o ano foram gastos altos investimentos em mensalidades. Além desses agravantes, os pais ameaçam constantemente retirar os filhos da escola caso sejam reprovados. É bom enfatizar que existem pais que não agem dessa forma. Diante dos dois casos parece que a educação se transformou em comércio, os governos não querem perder empréstimos e investimentos e donos de escolas privadas não aceitam perder receita. É bom ressaltar que os casos citados acima não são regras, uma vez que existem instituições públicas e privadas que não se enquadram no contexto.

No meio disso tudo está o professor que permanece sem ação e sujeito a crianças e adolescentes marginalizados, isso por que esses podem se referir ao educador com palavras de baixo calão, ameaças e xingamento, pois são garantidos pelo Estatuto da Criança, nas escolas particulares ocorrem praticamente as mesmas coisas, humilhação do profissional por parte de pais, patrões e alunos.   Se um professor é agredido ou ameaçado e recorre ao dono da escola o que ele ouve é “melhor ficar calado, pois eles pagam seu salário” fato que acontece com grande naturalidade e por diversas vezes.

Quando o professor toma uma atitude mais severa, como retirar o aluno da sala devido um ato de desrespeito, o culpado não é o aluno e sim o professor por ter constrangido o mesmo. Dessa forma, a legislação protege somente uma parte, ou seja, somente o aluno sofre constrangimento, e o professor, não sofre? (lembrando que existem diretores, alunos e pais que respeitam o profissional).   Em muitos casos, os alunos que cometem esses atos são filhos de pais ausentes que não impõe limites e que tentam constantemente compensar sua falta com presentes como celulares, mp3, câmeras digitais entre outros, que se tornam outros tormentos na vida do professor em sala de aula.

Esses são alguns dos problemas enfrentados diariamente pelos professores da maioria das escolas brasileiras, e que mostra claro o descaso com a educação que é a única maneira de mudar o panorama do futuro em vários sentidos, como ambiental, social, emprego, tecnologia avançada entre muitos outros que somente com uma educação de qualidade se pode alcançar.
(*) Graduado em Geografia, Equipe Brasil Escola

4 de dezembro de 2010

Indisciplina - O que fazer?



"Pra fora da sala"

Por Jussara de Barros (*)

Após tantos anos de educação, ainda vemos crianças e adolescentes desafiando os professores na sala de aula, fazendo brincadeiras, conversando, jogando aviãozinho, provocando colegas, se negando a participar e fazer as tarefas, etc.Muitas vezes, os professores, sem saber como lidar com esses “danadinhos”, perdem o controle da situação e os retiram da sala. Porém, essa não é a forma mais adequada de lidar com o problema, pois o mesmo não está sendo resolvido, mas apenas adiado. É preciso entender o porquê daquelas ações, pois por detrás das mesmas existem motivos obscuros, que muitas vezes não estão no controle da escola, precisando alertar a família sobre seu papel, suas responsabilidades.
Pelo lado da escola, e não somente do professor, podem-se considerar vários fatores. Se a mesma está ou não adaptada aos novos modelos de educação (sociointeracionismo e construtivismo), ou se ainda trabalha com uma postura rígida e autoritária; se as carteiras ainda estão dispostas em filas, ou se o grupo se senta em roda, podendo se comunicar olhando nos olhos; se as metodologias e os conteúdos estão adequados para a faixa etária das turmas; se os planejamentos são elaborados pensando nos valores e princípios a serem desenvolvidos, ou se somente como somatória de conteúdos; se são propostas pesquisas e discussões abertas para o processo de aprendizagem ou se o professor ainda é o detentor do saber; etc.
É preciso considerar que a escola é o lugar da educação formal e que os alunos estão ali para se ajustarem às necessidades sociais, às regras de boa convivência, de respeito aos limites, pois a sociedade é movida dessa forma. Temos que respeitar leis e todas elas se referem ao âmbito comportamental, ou seja, não dá para fugir dessas questões que terão que ser apreendidas cedo ou tarde. Sendo assim, expulsá-los da sala caracteriza fraqueza não só do professor, mas da escola como um todo, pois percebe-se a falta de estrutura nos objetivos da instituição para se resolver tais impasses. Pelo contrário, a escola deve estar preparada para lidar com as situações de conflito e isso se dá através de reuniões, de capacitação profissional dos envolvidos no processo educativo, da busca do equilíbrio interno dos seus profissionais para se conseguir o equilíbrio dos alunos.
Tirar um aluno da sala, excluí-lo do grupo, demonstra arbitrariedade, impulsividade. Será possível o aluno deixar de ser agressivo, impulsivo, se é esse o modelo que ele recebe dentro da escola ou até mesmo dentro de casa? Pais que surram, castigam, humilham, ignoram, ainda existem, são grande parte da sociedade, mascarados em valores materiais. É importante considerar que o aluno “problema” é o que mais precisa dos princípios de educação. Ele deve aprender a conviver com o grupo, aprender a respeitar o direito dos outros, mas também deve ser valorizado dentro de suas potencialidades, pois elas existem, basta que escola e família enxerguem.
E buscando o eixo da família, essa deve estar integrada aos problemas que aparecem com os alunos. Muitas vezes a escola omite problemas e os pais tomam conhecimento de uma situação quando ela já excedeu todos os limites. Um trabalho em conjunto, entre família e escola, é o que irá ajudar o estudante a mudar sua visão em relação à escola, aos estudos, a construir uma boa carreira profissional, a se preparar para o futuro. Muitas vezes a bagunça aparece porque o mesmo está se sentindo sozinho, abandonado, sem apoio, carente, tendo que buscar outros recursos para chamar a atenção, para se destacar em um grupo que tem outros valores. E isso aparece de forma negativa, através das agressões.
(*) Graduada em Pedagogia, Equipe Brasil Escola

7 de janeiro de 2010

Mérito educacional - uma visão ajuizada do tapetão vigente

Aprovação escolar sem mérito


Por Içami Tiba (*)

O que mais fere um professor digno é ter que aprovar um aluno que não mereça. Mas por que o professor tem que aprovar aluno não merecedor?

Porque o professor é pressionado pelos governos, donos da escola, diretoria/supervisor de ensino/coordenador de área, pais do aluno não merecedor, insultuoso excesso de trabalho, aviltante salário, falta de condições adequadas de atualização do processo ensino/aprendizagem, mercantilização do ensino, falta de respeito/reconhecimento e abuso dos alunos, destruição do sonho ao abraçar a carreira de professor, que maltratam sua alma pela destruição de sua auto-estima.

Professores do ensino público foram guilhotinados nas suas funções de ensino/aprendizagem quando se viram obrigados a aprovar todos os estudantes por uma lei que proibia a reprovação a não ser pelas faltas às aulas. Esta lei ficou conhecida como "aprovação automática". Aprender ou não deixou de ser significativo e o aluno era simplesmente aprovado. Os "beneficiados" por esta lei estão constatando pela sua vida prática o quanto foram prejudicados, pois o mercado de trabalho não emprega quem não tem competência, que é o que os alunos deixaram de adquirir ao não aprender o necessário para merecer um diploma. São formados até pelo ensino médio, mas são analfabetos funcionais.

Muitos donos de escola autodenominam-se como mantenedores. Pelo Houaiss, mantenedor é aquele que mantém, sustenta, defende, protege e vem da palavra espanhola mantener, que significa "manter, prover de alimento". Hoje, muitos mantenedores têm suas escolas como fontes de renda. Mensalidades pagas pelos alunos mantêm e 'alimentam' a escola. Uma escola privada que não gere renda torna-se financeiramente inviável e é fechada ou vendida. Os alunos como clientes de lojas "sempre têm razão". Basta reclamarem ou brigarem com um professor para ameaçarem procurar outra escola. O docente, num episódio como esse, pode ser advertido, punido ou até mesmo despedido pelo mantenedor. Esquecem-se os mantenedores escolares que os alunos geralmente estão pouco interessados em aprender e muito menos em estudar e querem ser aprovados. A maioria dos professores acaba sendo atropelada pelos interesses financeiros dos mantenedores. Os verdadeiros mantenedores são empresas, ONGs, instituições beneficentes que realmente sustentam escolas cujos alunos nada ou pouco pagam para estudar e aprender.

Quando surgem conflitos entre professores e alunos, a maioria dos diretores, supervisores e coordenadores de ensino acaba atendendo mais aos interesses dos alunos que ao currículo programático e os interesses pedagógicos. Eles temem pais querelantes que ameaçam denunciar e até processar a escola e seus funcionários para superproteger, mesmo que indevidamente, os seus filhinhos, verdadeiros príncipes herdeiros. As maiores vítimas das agressões nas escolas são os professores, o elo mais frágil da educação, quando deveria ser o mais forte, pois eles representam a escola na educação. 20% das agressões aos professores vêm diretamente dos pais.

Pais que vêm questionar por que o seu inocente filho está sendo perseguido por algum professor desalmado ou implorar para que o seu esforçado filho não repita de ano por causa de um único pontinho na nota. Esses pais estão financiando o despreparo e a má formação do seu filho quando assim o fazem. Professores são representantes sociais que os alunos têm que aprender a respeitar. Os filhos não podem cuspir no prato que comem e os alunos não podem maltratar os professores que os capacitam para a vida.

Quais foram os sonhos e as pretensões que alimentaram os professores quando jovens, para que eles resolvessem abraçar o magistério? Na sua etimologia, o Houaiss traz: lat. magisterìum,ìi 'dignidade, ofício de chefe; meio de curar, tratamento'. Mas a prática e os sistemas de educação no Brasil tiraram do docente a sua alma generosa, digna e necessária à formação dos futuros cidadãos, e colocaram no lugar a falta do reconhecimento, a impotência, a pobreza, a dificuldade e/ou impossibilidade de atualização na sua carreira e a desrealização do seu ofício, quando lhe tiraram a competência de avaliar se o aluno merece ou não ser aprovado.

Fonte: UOL Educação

(*) Içami Tiba é psiquiatra e educador. Escreveu "Família de Alta Performance", "Quem Ama, Educa!" e mais 25 livros.

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