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6 de maio de 2012

6 de maio - Dia da matemática

Do Brasil Escola:

Dia nacional da Matemática

Por Marcos Noé


No dia 06 de maio de 1895 nasceu Júlio César de Melo e Souza, mais conhecido como Malba Tahan. Escritor e professor de Matemática, ele é autor de inúmeras obras literárias, dentre elas O Homem que Calculava, que relata as enigmáticas histórias de um calculista repleto de estratégias matemáticas na resolução de problemas cotidianos. Em referência a Júlio Cesar de Melo e Souza, o Dia Nacional da Matemática é comemorado em 6 de maio, de acordo com uma lei aprovada pelo Congresso Nacional no ano de 2004, no intuito de divulgar a ciência como uma importante ferramenta de trabalho humano. Nesse dia, os matemáticos ligados à área da educação devem promover dinâmicas, com o objetivo de divulgação da data comemorativa, bem como demonstrar que a Matemática é definitivamente importante na evolução da sociedade, visto que seu próprio crescimento ocorreu de acordo com o processo de modernização regido pelas ações humanas ao longo do tempo. Esse trabalho de divulgação também tem o propósito de mostrar às pessoas que a Matemática não é tão complicada como muitos pensam. Suas aplicações facilitam o entendimento em processos de contagem relacionados a cálculos diários e cotidianos. As instituições escolares possuem papel decisivo nessa divulgação, que pode ocorrer através de palestras, oficinas, feiras, mostras de trabalhos confeccionados pelos alunos, abordando as inúmeras utilizações da Matemática.

22 de fevereiro de 2012

Disciplinas obrigatórias - Parte III - Matemática


9 motivos para estudar Matemática

Por Luciana Fleury

Quem fizer uma pesquisa entre crianças e adolescentes sobre qual é a disciplina escolar mais odiada entre os estudantes, certamente vai ouvir muitas vezes a resposta: Matemática. Talvez por considerarem-na difícil, abstrata ou desnecessária, muitos estudantes a veem como a matéria mais difícil de todas... A vilã dos boletins e dos vestibulares. Mas a Matemática é uma disciplina útil para inúmeras atividades do nosso dia a dia. Muitas vezes estamos usando nossos conhecimentos matemáticos e nem percebemos. Duvida? Por exemplo, quando você prepara o arroz para o almoço, está inevitavelmente fazendo contas para calcular a quantidade necessária para o número de pessoas que vão comer. Viu só? A Matemática, portanto, pode trazer muito benefícios para o seu filho (e para você também, por que não?). Descubra abaixo quais são eles:


1) Estimula a descoberta

Matemática é experimentação. Um bom professor sabe como incentivar crianças e adolescentes a raciocinar e a chegar aos resultados pelos seus próprios caminhos. Quando se entende a Matemática, ela se torna uma atividade prazerosa.

2) Favorece a autonomia

Não há uma forma única de se chegar aos resultados de cálculos matemáticos. Se bem estimulados, crianças e adolescentes podem criar suas próprias fórmulas e metodologias sozinhos, o que certamente irá transformá-los em pessoas mais autônomas e independentes.

3) Facilita a vida cotidiana

Nós precisamos da Matemática para praticamente tudo o que fazemos, desde calcular quanto arroz precisamos preparar para o almoço até planejar como será gasto nosso salário ou mesada. Ou seja: saber Matemática é essencial para se viver em sociedade.

4) Desenvolve o raciocínio

Todas as disciplinas escolares desenvolvem o raciocínio, é verdade. Mas não há como negar que, entre elas, a Matemática é a mais poderosa. Lidar com números e cálculos - dos mais fáceis aos mais difíceis - é uma arma poderosa para aprender a raciocinar melhor e mais rápido. E não estamos falando apenas de raciocínio matemático. A Matemática ajuda em todas as disciplinas, até mesmo no Português!

5) Ajuda na concentração

A Matemática é, talvez, a disciplina que mais necessita de concentração, porque afinal, se dá para ler um texto em pedaços, não dá para parar uma conta na metade sem ter que começá-la de novo. Por isso, quem leva essa disciplina a sério tem um poder de concentração muito maior - o que vai ajudar também em todas as outras disciplinas, é claro.

6) Mostra o prazer dos desafios

A vida nada é mais do que uma sucessão de desafios. Primeiro temos a escola, depois passar no vestibular, conseguir um bom emprego, dar uma boa Educação aos filhos e por aí vai - você sabe, afinal já passou por algumas dessas etapas. E a Matemática, com todos os seus desafios (e o prazer em superá-los), tem o poder de mostrar para crianças e adolescentes que desafios podem ser prazerosos e são até importantes para o nosso amadurecimento.

7) Valoriza o esforço

Apesar de uma atividade intelectual, Matemática é suor: não é fácil e exige muito do nosso cérebro. Crianças e adolescentes vão perceber que só consegue as respostas certas quem se esforça de verdade - e essa é uma lição que valerá por toda a vida.

8) Deixa o brincar muito mais divertido

Banco imobiliário, batalha naval, jogo da memória. Esses são apenas alguns jogos que exigem noções de Matemática. Além deles, há muitos outros. Então não há dúvidas: além de ser uma das disciplinas mais importantes, essencial no nosso cotidiano, ela ainda pode deixar a vida muito mais divertida!

9) Pode fazer de seu filho um campeão

A Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas acontece desde 2005 e a cada ano o número de participantes aumenta. É uma forma divertida e emocionante de despertar o gosto pelos números e revelar talentos. Podem participar alunos matriculados em escolas públicas municipais, estaduais e federais brasileiras. Incentive o seu filho a se inscrever!

Professores consultados: 
  • Daniela Cassiano, coordenadora educacional do Programa Matemática Descomplicada da ONG Planeta Educação; 
  • Milton da Costa Lopes Filho, membro da Comissão de Ensino de Graduação da Sociedade Brasileira de Matemática e professor titular do departamento de Matemática da Unicamp (Universidade de Campinas); 
  • Priscila Monteiro, consultora pedagógica da Fundação Vitor Civita e coordenadora de programas de formação de professores de matemática da ONG Avisa Lá.

16 de fevereiro de 2012

Sai resultado da 7ª edição da OBMEP e são abertas as inscrições da 8ª edição


Olimpíada de Matemática para escolas públicas divulga premiados

A Olimpíada Brasileira de Matemática para Escolas Públicas (Obmep) divulgou nesta segunda-feira os 3.200 alunos premiados em todo o País. Também foram listados 131 professores, 117 escolas e 60 secretarias de educação pelos resultados de seus estudantes. Em 2011, mais de 18,7 milhões de alunos se inscreveram na 7ª edição da competição e mais de 98% dos municípios brasileiros estiveram representados. Destes 818.566 passaram para a segunda fase, realizada em novembro.

Veja a lista dos 500 alunos com medalha de ouro

Veja a lista dos 900 alunos com medalha de prata

Lista de professores premiados

Lista de escolas premiadas

Secretarias de Educação premiadas

Também podem ser conferidos por Estados os 1.800 alunos com medalhas de bronze e os 30.002 com menção honrosa no site da Obmep (clique aqui). O Estado com maior número total de medalhas é São Paulo com 8.904. Nele, as cidades que se destacaram foram Bariri e Sertãozinho. Em seguinda vem Minas Gerais com 8.110 onde as cidades destaques foram São João Nepomuceno e Visconde do Rio Branco.



José Márcio, de Cocal dos Alves ganhou sua segunda medalha de ouro, além das duas de bronze
A pequena Cocal dos Alves, cidade de 5 mil habitantes no Piauí, continua em destaque na competição. No município, três estudantes ganharam medalha de ouro, dois de prata, cinco de bronze e 15, menções honrosas. As únicas escolas de ciclo 2 do ensino fundamental e ensino médio da cidade foram premiadas e o professor Antonio Cardoso do Amaral, que tem alunos premiados desde a primeira edição da Obmep, também está entre os homenageados.



Veja abaixo o total de premiados por Estado:

Estado Ouro Prata Bronze Menções honrosas Total
São Paulo 78 218 420 8.188 8.904
Minas Gerais 111 248 457 7.294 8.110
Paraná 28 61 104 2.146 2.339
Rio Grande do Sul 32 44 75 1.865 2.016
Rio de Janeiro 84 92 150 1.494 1.820
Santa Catarina 11 15 49 1.279 1.354
Ceará 21 22 35 1.168 1.246
Bahia 13 18 52 942 1.025
Goiás 5 10 24 801 840
Espírito Santo 6 21 45 686 758
Pernambuco 20 27 43 651 741
Distrito Federal 37 44 54 466 601
Mato Grosso do Sul 16 11 34 442 503
Mato Grosso 2 5 15 368 390
Pará 2 7 17 303 329
Piauí 7 8 22 286 323
Rio Grande do Norte 4 13 31 265 313
Amazonas 7 7 20 237 271
Maranhão 1 11 17 241 270
Paraíba 4 5 16 200 225
Rondônia 2 5 15 192 214
Tocantins 1 3 16 179 199
Alagoas 4 3 23 129 159
Sergipe 3 0 17 65 85
Roraima 0 2 18 46 66
Acre 1 0 16 46 63
Amapá 0 0 15 23 38
BRASIL 500 900 1.800 30.002 33.202                                                

11 de dezembro de 2011

Desvendando o número zero


O que a turma sabe sobre o número zero

Por Amanda Polato

O sistema numérico, tal como conhecemos atualmente, não é algo natural, que sempre existiu. É uma construção humana, desenvolvida historicamente ao longo de muitos anos com a contribuição de várias sociedades. Antes de ele ser inventado, uma das estratégias para representar quantidades era registrar traços, um para cada objeto. Por exemplo, | | | | | para representar cinco carrinhos. Essa é uma forma aditiva de pensar, à qual muitas crianças na Educação Infantil recorrem antes de fazer a notação convencional (5).

"Foram os indianos e os árabes os responsáveis por desenvolver, em meados do século 9, o sistema de algarismos usado nos dias de hoje, criando um modo mais econômico e preciso para representar quantidades graficamente", explica Sérgio Nobre, livre-docente em História da Matemática pela Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp), campus de Rio Claro.

É de autoria dos indianos também a solução de que lançamos mão para sinalizar a ausência de quantidade - o zero (0), algarismo também válido para compor numerais, marcando posições (10, 904 e 3.000, por exemplo).

De acordo com Clélia Maria Ignatius Nogueira, professora da Universidade Estadual de Maringá (UEM), essas duas funções desempenhadas pelo zero no sistema de numeração não são óbvias para os pequenos, que têm opiniões próprias a respeito do algarismo, elaboradas com base nas diversas situações em que ele aparece: o número do itinerário do ônibus, do telefone de um parente, do placar do jogo de futebol, do calendário, de jogadas de uma brincadeira, da idade de uma pessoa e a representação do início ou do fim de alguma coisa.

As falas que ilustram esta reportagem são de crianças da Educação Infantil da Escola Jardim dos Pequeñitos, em Santo André, na Grande São Paulo, em resposta à pergunta "o que o zero representa?", e exemplificam algumas das muitas ideias que a garotada tem sobre ele.

Na tese Os Sentidos do Zero, Fabiane Guimarães apresenta mais opiniões de crianças da pré-escola a respeito do numeral: "A gente não usa o zero para bater corda. É 1, 2, 3... Mas para brincar de esconde-esconde a gente conta zero, 1, 2, 3..." e "o zero a minha mãe usa para ligar para minha tia, ela aperta o zero".

Na Educação Infantil, é possível também se deparar com pequenos que questionem para que grafar o algarismo se ele "nem existe nem vale nada". Por outro lado, há casos em que o grupo se apoia na quantidade de zeros para fazer comparações: "100 é maior que 10 porque tem dois zeros" e em que recorre a vários deles para escrever números grandes: "O maior que existe é 9.000".

"Investigar o que as crianças sabem sobre o sistema de numeração já na Educação Infantil é um passo necessário para planejar intervenções didáticas realmente úteis, que tenham como foco fazer com que todos coloquem em jogo as próprias opiniões, as socializem e façam comparações com as dos colegas", explica Renata de Siqueira Gava, educadora da Jardim dos Pequeñitos.

Os especialistas sugerem duas atividades permanentes para encaminhar um trabalho investigativo sobre o tema.

Roda de conversa Reunir a turma e questionar: "O que o zero representa?"

Atividades de registro e comparação Propor jogos como Batalha.

Em ambos os casos, você precisa fazer intervenções, desafiando as crianças a justificar as ideias que elas apresentam e confrontar as opiniões do grupo para que todos descubram que há equívocos em suas concepções. Durante a roda de conversa, se alguém disser que o zero não vale nada, por exemplo, pergunte se marcar um gol durante o jogo de futebol é a mesma coisa que marcar dez gols, escrevendo ambos os numerais. Atenção: não amplie a discussão para ensinar o valor posicional dos algarismos, explicando o conceito de dezena, centena, milhar etc. Esse e outros saberes a respeito do sistema de numeração decimal devem ser ensinados mais adiante, nos anos iniciais do Ensino Fundamental.

Para avaliar o que a criançada aprendeu com esses dois tipos de atividades, vale conferir se os pequenos argumentam que os números, inclusive o zero, têm funções diferentes de acordo com a situação em que aparecem, uma conquista importante sobre o sistema de numeração nessa fase.

15 de outubro de 2011

O B-A-Bá da matemática

 Do Só Pedagogia: 

Aprendizagem matemática em meio a brincadeiras infantis


Por Sidmara Pedroso Blaszak

Para Kátia Smole (2003), uma "proposta de trabalho de matemática para a escola infantil deve encorajar a exploração de uma grande variedade de idéias matemáticas relativas a números, medidas, geometria e noções rudimentares de estatística, de forma que as crianças desenvolvam e conservem um prazer e uma curiosidade acerca da matemática. Uma proposta assim incorpora contextos do mundo real, as experiências e a linguagem natural da criança no desenvolvimento das noções matemáticas, sem, no entanto, esquecer que a escola deve fazer o aluno ir além do que parece saber, deve tentar compreender como ele pensa e fazer as interferências no sentido de levar cada aluno a ampliar progressivamente suas noções matemáticas (p.62)."

Enfatizamos a importância de se desenvolver atividades matemáticas na escola infantil, uma vez que estamos inseridos no universo dos números desde que nascemos e que as crianças são capazes de desenvolver noções matemáticas mesmo antes de entrar na escola. Consideramos o conhecimento que utilizam na sua vida como, por exemplo, seriação, classificação, contagem numérica, etc. Partindo deste referencial acreditamos que freqüentar uma classe de Educação Infantil significa, além da convivência entre pares, ter acesso a muitas oportunidades para a construção de novos conhecimentos, graças às ações que a criança exerce sobre o mundo real. 

Trabalhamos neste projeto a matemática sem se preocupar com a representação dos números ou com o registro no papel. Permitindo à criança criar, explorar e inventar seu próprio modo de expressão e de relação com o mundo. Tudo o que temos que fazer é criar condições para que a matemática seja descoberta, oferecer estímulo e estar atentos às descobertas das crianças. Existem muitas formas de trabalhar com a matemática na escola Infantil. Ela está presente na arte, na música, em histórias, na forma como organizo o meu pensamento, nas brincadeiras e jogos infantis, na hora de dividir porções de lanche, etc...é aí que são construídos conhecimentos matemáticos como tamanhos, distância, comprimento, cores e formas.

Uma criança aprende muito de matemática, sem que o adulto precise ensiná-la. Descobrem coisas iguais e diferentes, organizam, classificam e criam conjuntos, estabelecem relações, observam os tamanhos das coisas, brincam com as formas, ocupam um espaço e assim, vivem e descobrem a matemática.
Proporcionamos um ambiente "matematizador" com brincadeiras, jogos e atividades lúdicas, interativas e desafiadoras, capaz de encorajar os alunos a propor soluções, explorar possibilidades, levantar hipóteses, desenvolver noções matemáticas e raciocínio. "De fato enquanto brinca a criança pode ser incentivada a realizar contagens, comparar quantidades, identificar algarismos, adicionar pontos que fez durante a brincadeira, perceber intervalos numéricos, isto é, iniciar a aprendizagem dos conteúdos relacionados ao desenvolvimento do pensar aritmético. Por outro lado, brincar é uma oportunidade para perceber distancias, desenvolver noções de velocidade, duração, tempo, força, altura e fazer estimativas envolvendo todas essas grandezas."(Smole, Diniz e Cândido, 2000, pg. 16). 

Algumas situações vivenciadas na sala de aula:
- Brincamos livremente com os blocos lógicos, fazendo o reconhecimento de suas características. Seriando-os e classificando-os quanto à cor, forma, tamanho e espessura. Propomos criar novas figuras agrupando as peças aleatoriamente. Através de algumas formas como, por exemplo, um circulo grande, um quadrado grande e cinco retângulos pequenos compor a forma da figura humana;
- Exploramos a modelagem em diferentes circunstancias. Utilizando argila e massa de modelar criando figuras e formas, seriando e classificando. Confeccionamos massa de pão, estudando as medidas e as quantidades de ingredientes necessários para fazê-la. Compomos um bonequinho com a forma humana decoramos com olhos, nariz e boca, colocamos numa forma e assamos. Confeccionamos massa de negrinhos também observando as quantidades dos ingredientes compondo as bolinhas estudando as formas, tamanhos e quantidades;
                                  

- Utilizamos caixas de tamanhos e formatos diferentes com aberturas nas formas geométricas para colocar e tirar objetos explorando as diversas possibilidades. Fizemos um túnel utilizando uma caixa grande em formato retangular explorando possibilidades de atravessá-lo;
- Através da literatura "O ratinho e as cores" foi possível descobrir a formação de algumas cores e seus respectivos nomes;
- Confeccionamos dados com a representação de quantidades e cores, os quais foram instrumentos indispensáveis para contagem e observação de cores em brincadeiras com peças de jogos de encaixe;
                                        

- Propomos experiências com altura - Medimos a altura de nossos colegas identificando o maior e o menor, e comparamos entre si e com objetos presentes na sala de aula, através do olhar ou da utilização de instrumentos de medida, convencionais ou não. Com tiras de papel pardo representamos a altura de cada criança e compomos um gráfico de barras em ordem crescente;
                                     

Através destas atividades lúdicas, envolvendo jogos e brincadeiras, propiciamos trocas de informações, criamos situações que favoreceram o desenvolvimento da sociabilidade, da cooperação e do respeito mútuo entre os alunos, desenvolvendo também as noções de perto/longe, dentro/fora, pequeno/grande, grosso/fino, por baixo/por cima, na frente/atrás, cheio/vazio, maior/menor. Notamos o crescimento diário de cada criança ao desenvolverem noções de tempo, quantidade, tamanho, classificação e comparação de formas, contagem identificação de algarismos, percepção espacial, entre outras.
Este tipo de abordagem, quando cuidadosamente preparada, se apresenta como um recurso pedagógico eficaz para a construção do conhecimento matemático. No seu processo de desenvolvimento, a criança vai criando várias relações entre objetos e situações vivenciadas por ela e, sentindo a necessidade de solucionar um problema, de fazer uma reflexão, estabelece relações cada vez mais complexas que lhe permitirão desenvolver noções matemáticas mais e mais sofisticadas. (Smole, 2003 p. 63). Desde cedo as crianças devem ser acostumadas a ouvir uma linguagem matemática empregada em diferentes contextos para que possam fazer a sua própria construção de significado na interação com os colegas e adultos do seu meio A professora de educação infantil deve dar à criança oportunidade para observar tudo que a rodeia, contando, comparando, medindo, etc.

Dessa iniciação dependerá muito seu interesse pela Matemática no decorrer de sua vida. Devemos então, como educadores incentivar a criança, no seu universo povoado de sentidos, dos seres mágicos, de risos, de travessuras, de imagens, curiosidades e números que irão auxiliar a criança na exploração e compreensão do mundo da matemática. O papel do professor é de grande importância nesse processo, uma vez que, além de deixar a criança livre para manipular e experimentar os materiais, como também observar as reações decorrentes, deve, em seguida, propor à criança problemas reais a serem resolvidos, criando, assim, uma situação de aprendizagem significativa.
Referências
Cerqueti-Aberanke, Françoise; Berdonneau Catherine. O ensino da matemática na educação infantil; tradução Eunice Gruman. Porto alegre: Artes Médicas,1997.
Reis, Silvia Marina Guedes dos. A matemática no cotidiano infantil: Jogos e atividades com crianças de 3 a 6 anos para o desenvolvimento do raciocínio lógico-matemático. Campinas, SP. Papirus,2006.
SMOLE, Kátia. A matemática na educação infantil. a teoria as inteligências múltiplas na prática escolar  Porto Alegre: Artmed, 2003.

24 de julho de 2011

Jogos e matemática

Da Nova Escola:

Jogos e Matemática: brincar, explorar, aprender

Dividir a turma em grupos e promover o uso de jogos nas aulas de Matemática pode ajudar bastante na aprendizagem das crianças. Ao jogar com os colegas, elas precisam fazer negociações, considerar as opiniões das outras crianças e argumentar sobre suas posições. Conheça aqui seis jogos online, reportagens, as resenhas e os planos de aula produzidos por NOVA ESCOLA para aplicar os recursos com sua turma.

Jogos

9 de março de 2011

A criança e o número



Mesmo após 25 anos da publicação da primeira edição de A Criança e o Número (128 págs., Ed. Papirus, tel. 19/3272-4500, 30,90 reais), algumas questões levantadas pela autora, Constance Kamii, permanecem atuais e devem ser estudadas pelos educadores que trabalham com a Educação Infantil.  O livro aborda os processos envolvidos na construção do conceito de número pelas crianças e ajuda o professor a observar como elas pensam a fim de entender a lógica existente nos erros. Com propriedade, Constance defende que, diferentemete do que algumas interpretações indicam, desenvolver e exercitar os aspectos lógicos do número com atividades pré-numéricas (seriação, classificação e correspondência termo a termo) é uma aplicação equivocada da pesquisa de Jean Piaget (1896-1980). Na realidade, o cientista suíço tinha preocupações epistemológicas e não didáticas. Sabe-se que as noções numéricas são desenvolvidas com base nos intercâmbios dos pequenos com o ambiente e, portanto, não dependem da autorização dos adultos para que ocorram. Ninguém espera chegar aos 6 anos para começar a perguntar sobre os números... 

O texto enfatiza que uma criança ativa e curiosa não aprende Matemática memorizando, repetindo e exercitando, mas resolvendo situações-problema, enfrentando obstáculos cognitivos e utilizando os conhecimentos que sejam frutos de sua inserção familiar e social. Ao mesmo tempo, os avanços conquistados pela didática da Matemática nos permitem afi rmar que é com o uso do número, da análise e da refl exão sobre o sistema de numeração que os pequenos constroem conhecimentos a esse respeito. Também merecem destaque algumas posturas que o professor deve levar em conta ao propor atividades numéricas, como encorajar as crianças a colocar objetos em relação, pensar sobre os números e interagir com seus colegas. 

Priscila Monteiro, selecionadora do Prêmio Victor Civita Educador Nota 10 


Trecho do livro

"Quando ensinamos número e aritmética como se nós, adultos, fôssemos a única fonte válida de retroalimentação, sem querer ensinamos também que a verdade só pode sair de nós. Então a criança aprende a ler no rosto do professor sinais de aprovação ou desaprovação. Tal instrução reforça a heteronomia da criança e resulta numa aprendizagem que se conforma com a autoridade do adulto. Não é dessa forma que as crianças desenvolverão o conhecimento do número, a autonomia, ou a confiança em sua habilidade matemática. (...) Embora a fonte defi nitiva de retroalimentação esteja dentro da criança, o desacordo com outras crianças pode estimulá-la a reexaminar suas próprias idéias. Quando a criança discute que 2 + 4 = 5, por exemplo, ela tem a oportunidade de pensar sobre a correção de seu próprio pensamento se quiser convencer a alguém mais. É por isso que a confrontação social entre colegas é indispensável (...)" 


Por que ler


- Aborda de forma acessível alguns aspectos fundamentais do trabalho de Piaget publicados no livro A Gênese do Número na Criança. 
- Apresenta informações fornecidas pela Psicologia genética e pelas pesquisas psicogenéticas sobre os processos de aprendizagem e as idéias que as crianças constroem. 
- Elucida as implicações da teoria piagetiana na prática de sala de aula e como as diferentes formas de conhecimento estabelecidas por Piaget interagem na aprendizagem da Matemática. 

10 de julho de 2009

Números bem tratados


"Realizar registros que ajudem a chegar ao resultado de um problema matemático é um aprendizado importante para as crianças das séries iniciais. Esse conteúdo de ensino pertence ao bloco Tratamento da informação, uma área do conhecimento na Matemática que se articula com todos os outros campos da disciplina no Ensino Fundamental I – Números e Operações, Espaço e Forma e Grandezas e Medidas –, mas que tem especificidades a serem desenvolvidas desde cedo.
Trabalhar a produção de registros e a sua interpretação depende, antes de mais nada, de que os pequenos compreendam a sua utilidade. Para isso, é preciso criar situações – no registro de jogos, por exemplo – em que o controle de quantidades pela contagem de dedos ou pela memória não dê conta de garantir que se chegue ao resultado. “Essa preocupação é fundamental na hora de escolher a atividade a ser proposta”, diz Cileda Coutinho, professora da pós-graduação em Educação Matemática da PUC-SP. “Sem que a criança perceba por si própria a necessidade de registrar, dificilmente ela se envolverá em encontrar a melhor forma de fazê-lo para chegar a seus objetivos.” E descobrir como se faz bem o registro é a segunda condição para que a aprendizagem desse conteúdo de fato seja conquistada. Por isso, são fundamentais as intervenções do professor ao longo da atividade.
A professora Rosimeire Soares, da EMEF Laura Lopes, em São Caetano do Sul, SP, fez a escolha certa para sua turma de 1º ano. Durante dois meses, as crianças brincaram com o jogo “dados coloridos”, ao menos uma vez por semana.
O jogo, de regras bastante simples, deve ser praticado em grupos de quatro participantes, dos quais um (denominado “secretário”) fica responsável por controlar as rodadas – que são três – e determinar o vencedor. A cada jogada, a criança lança três dados – com faces de cor azul, vermelha e amarela – e ganha um ponto para cada face azul obtida. A cada dia, é importante que haja um revezamento na função de “secretário”.

Qual informação coletar
Nos primeiros dias em que trabalhou com o jogo em suas aulas, Rosimeire apresentou as regras do jogo e deixou que os pequenos brincassem para se familiarizar com elas. “Quando todos entendem a regra e percebem o que deve ser contado para saber quem foi o vencedor, eles já têm resolvido uma das partes do problema – justamente o de saber qual é a informação numérica a ser coletada”, diz Cileda. “O registro é o próximo passo.”
Intencionalmente, Rosimeire não orientou a turma a registrar os pontos no papel, pois queria ver essa necessidade surgir pela dificuldade em controlá-los. Aos poucos, os “secretários” começaram a perceber que, para garantir a contabilidade do jogo, precisavam de lápis e papel para anotar. No início, é possível – e aceitável – que alguns ainda recorram aos dedos das mãos (tanto as próprias como as dos colegas, quando seus dedos já não forem suficientes). Conforme avançam as partidas, aqueles que ainda não utilizam a marcação em papel sentem dificuldade em anunciar o vencedor. Vendo como os outros grupos resolvem a questão, eles também partem para o registro, revelando o entendimento de uma das funções do número: a de representar uma quantidade, ou seja, de registrar um montante de pontos que pode ser esquecido sem um registro.
Ao final de cada rodada de partidas, é preciso analisar no material produzido pelos alunos a forma como eles organizaram os dados coletados. “É muito comum que, inicialmente, as crianças não coloquem os nomes dos jogadores nos registros”, explica Priscila Monteiro, formadora do projeto Matemática é D+, da Fundação Victor Civita. “Em salas onde esse aspecto aparece, é importante discutir a necessidade de marcação dos nomes, como condição mínima para saber quem ganha o jogo.”

O melhor registro
Também é natural que, ao fazer o registro escrito, apareçam várias formas de anotação. No caso de Rosimeire, os alunos usaram diferentes opções de escrita numeral (por exemplo 1-1-1 ou 1-2-3), mas também marcações como bolinhas e pauzinhos. Por isso, é importante promover na classe uma reflexão coletiva sobre a organização das informações.
Rosimeire lançou diferentes questões à turma. Em uma folha, por exemplo, em que os nomes estavam muitos próximos, assim como os números relativos aos pontos, ela perguntou apontando: “Dá para ter certeza se esse ponto é desse jogador ou do outro?” Com a negativa das crianças, o grupo discutiu formas de evitar a dúvida em uma próxima vez, como traçar uma linha entre os nomes dos participantes no papel.
Outro aspecto frequente em atividades como esta é o fato de as crianças só marcarem no papel os pontos feitos, sem usar qualquer indicador para as rodadas em que o participante não pontua. Aparecem registros como o abaixo:
Resultados do jogo de matemática
“Eles dificilmente compreendem de início a importância de colocar um zero ou um traço, por exemplo, no registro”, diz Priscila. “Nesse caso, você pode questionar a turma: como é possível saber que esse jogador (o ganhador) não jogou mais vezes que o outro, se há mais algarismos registrados em seu nome?”
Mais uma reflexão necessária é se o registro com algarismos indica uma soma de pontos ou não. Tomando como exemplo os registros da turma de Rosimeire é possível discutir se, no registro “1, 2, 3”, o algarismo 3 se refere ao total da partida ou se é o número de faces azuis que o jogador obteve na terceira rodada.
“O norte da discussão para o aperfeiçoamento do registro é torná-lo um instrumento de informação eficaz e sem margem de dúvidas”, diz Priscila. Uma possibilidade para levantar essa discussão é trocar registros entre os grupos e pedir que descubram quem é o vencedor do outro grupo com base na interpretação do material."
Fonte: Nova Escola




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