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10 de março de 2013

Técnicas de ensino



As técnicas de ensino são importantes porque ajudam o professor a desenvolver aulas mais atrativas. Dependendo do conteúdo e do objetivo, o professor poderá escolher a técnica mais adequada. Algumas técnicas que podem ajudar o professor a desenvolver o conteúdo melhor são:
       1) Discussões em classe: Está mais voltado para o ensino superior e é uma maneira mais ativa de o aluno participar. A discussão contribui para promover o diálogo entre professor e aluno. Benefícios da discusão em classe:
              - Incentiva os estudantes a falar em público;
              - Estimula a ouvir os colegas, a respeitar as opiniões das outras pessoas, a argumentar...
       Para que a técnica tenha êxito é fundamental que se preparem leituras prévias sobre o assunto a ser discutido.
 
          2) Aulas expositivas: É uma técnica que já era utilizada no tempo dos jesuítas. É  mais utilizada pelos professores. O problema das aulas expositivas é que em muitos casos o professor expõe a aula e o aluno não participa tendo assim um comportamento passivo.

      3) Estudo dirigido: É uma técnica de ensino individualizada. É desenvolvida a partir de um roteiro prévio elaborado pelo professor. Pode ser aplicado a um capítulo do livro, artigo, texto, livro...Tem os seguintes objetivos:
               - Provocar os alunos criticamente onde vão buscar compreender as questões levantadas;
               - Relacionar o texto com o seu contexto;
              - Desenvolver a reflexão, criatividade e criticidade,
             É uma técnica que serve para fixação de conteúdos assim como para desenvolver a autonomia do aluno no estudo.

     4) Seminário: O seminário tem o propósito de se estudar um tema ou questões de uma determinada área. Não é o professor que vai transmitir o conhecimento e sim o aluno vai estudar e se aprofundar no assunto determinado e passará então para o grupo. O professor apenas coordena o seminário. É importante que ele tenha o cuidado para desempenhar o papel de coordenador adequadamente para que a técnica não venha a fracassar. É fundamental que os alunos assumam a responsabilidade de estudar para que a apresentação tenha êxito.
              O seminário possui três etapas:

              1)Preparação do seminário:
               Compete ao professor:
              - Explicitar os objetivos claramente;
              - Sugerir temas adequados aos alunos, justificando a importância;
              - Ajudar os alunos a selecionar os subtemas;
              - Recomendar bibliografia a ser estudada por todos os membros do grupo;
              - Orientar os alunos na busca e localização de fontes de consulta.
              Compete aos alunos:
              - Escolher o tema ou o subtema;
              - Adquirir informações, dados, idéias por meio de pesquisas e levantamentos bibliográficos;
              - Ler a bibliogroafia sugerida;
              - Providenciar materiais e recursos necessários para apresentação do seminário.

              2)Apresentação do seminário, pode ser por meio de exposição oral, debate, discussão.
              As atividades básicas desta etapa são:
               - Apresentação do trabalho por escrito com cópias para cada participante;
              - Exposição do tema com objetividade;
              - Formulação de questões críticas, discutindo-os seriamente.

              3)Apreciação final sobre o trabalho. Pode ser feito por meio de nota ou menção.

       A técnica do seminário cabe aos alunos do ensino médio aos alunos de pós-graduação. É excelente para estimular a produção do conhecimento.
          
             

30 de dezembro de 2012

Polêmica: Inclusão das matérias Ética e Cidadania revela a contradição entre inchaço do currículo, ausência de docentes, racionalização da podridão republicana

Do O Globo:

Educadores criticam inclusão de ética e cidadania no currículo

Aprovado no Senado, o projeto de lei que prevê a inclusão de duas novas disciplinas obrigatórias (Cidadania Moral e Ética, no ensino fundamental, e Ética Social e Política, no médio) já está causando polêmica antes de ser votado na Câmara de Deputados. Os defensores da proposta do senador Sérgio Souza (PMDB-PR) argumentam que a atual crise de valores e o cenário de corrupção justificam a necessidade dos conteúdos. Mas educadores ouvidos pelo GLOBO são contra, alegando principalmente que a grade curricular do ensino básico já está saturada.

O próprio Ministério da Educação e o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) reprovam a iniciativa. O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, frisa que as escolas públicas já têm 13 disciplinas obrigatórias. — A sobrecarga não contribui para o aluno ter foco nas disciplinas essenciais, que são Matemática, Língua Portuguesa e Ciências. Presidente do Consed, Maria Nilene Badeca da Costa diz que os dois órgãos trabalham juntos na reformulação da Educação básica. Para ela, a inclusão das disciplinas inviabilizaria o projeto político pedagógico das escolas.

— Os currículos escolares já estão sobrecarregados, não há disponibilidade de espaço na matriz curricular. Não é necessário alterar a legislação. O Consed acredita que a experiência educacional já indica fortemente conteúdos relativos à ética, à cidadania e à política — defende Maria Nilene. De acordo com o Consed, esses conteúdos devem ser tratados de modo integrado com o currículo escolar, como eixos transversais, permeando a formação dos estudantes em todos os componentes curriculares existentes.

Mas o senador Sérgio Souza (PMDB-PR) defende sua proposta. Ele cita um levantamento feito pelo Fórum Econômico Mundial, com 60 países, que colocou o Brasil na 50ª posição no ranking de corrupção, e no 55º lugar na ineficiência da Justiça. Questionado se o projeto não seria um mea culpa por parte da classe política, Souza rebate: — Se formarmos cidadãos conscientes para serem representantes, eles irão para a política com propósitos diferentes, que não sejam voltados ao próprio interesse econômico. O cidadão já é corrupto no momento em que quer levar vantagem na fila do pedágio ou do mercado. A cultura brasileira tem isso de ser país do jeitinho, é vergonhoso.

Por isso, o senador defende a implantação de uma política educacional voltada para a formação moral e ética preparando os jovens para o exercício responsável da cidadania. Souza contesta os argumentos da falta de tempo e espaço no currículo: — Com a proposta de período escolar integral, essa justificativa cai por terra. Antes de discutirmos se há espaço, temos que discutir se é importante. Os argumentos não convencem a relatora das diretrizes curriculares no Conselho Nacional de Educação, Regina de Assis, que endossa as críticas. — Isso é desconhecimento de currículo. Não vejo necessidade de incluir mais duas disciplinas para se teorizar sobre isso. Já faz parte das metas curriculares e dos projetos político-pedagógicos. Desde a creche tem que se ensinar a ética a partir de valores e da prática — diz Regina, doutora em educação.

O professor Victor Notrica, presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Educação Básica do Município do Rio de Janeiro, lembra que o conteúdo proposto pelas novas disciplinas já é trabalhado pelos professores. Ele ressalta a dificuldade de se cumprir o currículo atual nos 200 dias e 800 horas/ano obrigatórios por lei e levanta outro problema: — Não sei se há docentes especializados para dar esses conteúdos em disciplinas específicas. Isso tudo faz parte do dia a dia escola. Os professores das ciências sociais, exatas e Língua Portuguesa já fazem uma abordagem de ética e cidadania. A inclusão obriga uma exclusão. Vai hipersaturar a carga horária dos estudantes e tumultuar ainda mais a grade curricular pelo excesso de conteúdo.

Alguns colégios cariocas alegam que já transmitem esses valores em outras disciplinas. O pH, por exemplo, tem a Aula de Vida para o ensino fundamental e de Atualidades para o médio. O São Bento ministra ensino religioso para os menores e teologia para os mais velhos. Diretora do São Bento, Maria Elisa Penna Firme lembra que a escola funciona das 7h30m às 17h30m. — Já temos 15 disciplinas. Para entrar duas disciplinas, temos que tirar carga horária daquelas que já compõem o currículo. São temas importantes, mas que devem ser abordados dentro de Filosofia, Sociologia e Geografia — diz ela.

Rui Alves, diretor de ensino da rede pH, é menos refratário. Se a proposta virar lei, o colégio adaptará o conteúdo trocando os nomes das matérias: — São disciplinas importantes para a formação dos alunos. A grande preocupação é contornar essa situação dentro da grade desses segmentos. Secretária municipal de Educação, Cláudia Costin também está preocupada com a carga horária. — Enquanto não resolver a questão da carga horária, sou contra. Nas nossas 119 escolas com 7 horas diárias, estamos incluindo a disciplina Educação para Valores. Nas demais, com média de 4 horas de aula/dia, se entrar mais uma disciplina, vamos ter menos tempo para trabalhar Matemática, Português e Ciências, que têm se saído tão mal em rankings internacionais.

Um currículo em crescimento constante

Elaborado pelo senador Sérgio Souza, o projeto que prevê a inclusão das duas disciplinas no currículo tem como relator o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), ex-reitor da Universidade de Brasília (UnB). O texto, que ainda será submetido a votação na Câmara dos Deputados, não é o primeiro a propor mudanças curriculares na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996. A cada ano, a legislação vai crescendo junto com os currículos. A alteração mais recente aconteceu em abril deste ano, quando foram incluídos os princípios de proteção e defesa civil e a educação ambiental de forma integrada aos conteúdos dos ensinos fundamental e médio nas escolas.

Em 2008, a inclusão de Filosofia e Sociologia como disciplinas obrigatórias em todas as séries do ensino médio também gerou polêmica e até hoje é questionada. — A inclusão de Sociologia e Filosofia já foi demais. Tem que haver um projeto de currículo nacional, com conteúdos mínimos necessários para se aprender em cada série, e alguns aspectos regionais, que podem variar de estado para estado — defende Rubem Klein, da Associação Brasileira de Avaliação Educacional. Também em 2008, a música passou a ser conteúdo obrigatório, mas não exclusivo do ensino de Artes.

No mesmo ano, tornou-se obrigatório o estudo da história e da cultura afro-brasileira e indígena em todo o currículo dos ensinos fundamental e médio, em especial em Artes, História e Literatura. Um ano antes, o ensino fundamental passou a ter, obrigatoriamente, conteúdo sobre os direitos das crianças e dos adolescentes, tendo como diretriz o Estatuto da Criança e do Adolescente. Mais recentemente, em 2011, o estudo sobre os símbolos nacionais passou a ser incluído como tema transversal nos currículos do ensino fundamental.

Comento:

Os meandros desta bela iniciativa escancaram três situações: a ineficiência do MEC em lidar com a versatilização do currículo nacional, a incapacidade do ensino público incrementar seus quadros com docentes especializados para ministrar temas tão efervescentes e uma terceira, que eu reputo como crítica se não controlada - que a validação deste projeto de lei não torne nossas salas de aula a racionalização dos crimes perpetrados pelos poderes da República, em prol de uma ética e de uma cidadania que só existe na "lei de Gerson".

18 de junho de 2012

Responsabilidades demais, remuneração de menos

A matéria abaixo, transcrita da Revista Veja, aparentemente nada tem a ver com o tema educação. Aparentemente. Tem tudo a ver. Um povo não é nada se não forem suas instituições nacionais permanentes. E as Forças Armadas são uma dessas instituições aqui em nosso país. E para valorizarmos sua previsão constitucional e suas missões como agentes indissociáveis do Estado, a educação do povo deveria fazê-lo entender, a começar de seus representantes máximos dos 3 poderes, que para a sua regular existência e competente execução de tarefas, a manutenção da dignidade pessoal vem em primeiro lugar. E hoje, mais do que nunca, conforme atesta a reportagem a seguir, falta aos nossos soldados a dignidade que a boa e justa remuneração constrói. Nada diferente de nossa classe profissional, a dos educadores, responsáveis que somos pelo letramento dos seres humanos, tendo que conviver com insatisfações as mais desumanas possíveis, fruto da ausência de políticas salariais e de salários dignos. Vejamos então, o caso dos nossos militares:

Forças Armadas do Brasil: treinados, armados e mal pagos

Os mais de 339 000 homens da Marinha, do Exército e da Aeronáutica viram seus salários serem achatados ao longo dos anos, o que criou distorções absurdas. Um comandante de porta-aviões, por exemplo, ganha menos que um gráfico do Senado Federal

Carolina Freitas e Gabriel Castro
Soldados do exército brasileiro
Soldados do Exército Brasileiro: muita responsabilidade, pouca remuneração (Orlando Brito)
 
Neste domingo, familiares de militares marcharam pela orla da Praia de Copacabana no Rio de Janeiro em um protesto por aumento salarial. A manifestação, batizada de “panelaço”, aproveitou a presença de autoridades do governo e representantes internacionais no Forte de Copacabana para a Conferência Rio+20 para dar visibilidade à causa. Dados levantados pelo site de VEJA mostram a discrepância salarial entre os militares – que somam um efetivo de 339 364 homens - e os demais servidores públicos federais. Um operador de máquina do Senado Federal, responsável por colocar em funcionamento as máquinas do serviço gráfico da Casa, por exemplo, recebe salário de 14 421,75 reais. A vaga, preenchida por concurso, exige apenas Ensino Fundamental completo. Enquanto isso, um capitão-de-mar-e-guerra, o quarto posto mais alto dentro da hierarquia da Marinha e responsável, por exemplo, por comandar um porta-aviões, recebe remuneração de 13 109,45 reais. Veja outras comparações salariais e quanto ganha quem comanda as tropas ao final desta reportagem.
 
Os militares da ativa são proibidos de se manifestar. Por isso, escalaram suas mulheres para ir às ruas. Ivone Luzardo preside a União Nacional das Esposas de Militares (Unemfa) e é uma das articuladoras do protesto deste domingo. Ela causou alvoroço em março ao subir a rampa do Palácio do Planalto, em Brasília, de uso restrito da presidente. Tudo para chamar a atenção para as reivindicações salariais da categoria. Em maio, conseguiu entregar nas mãos da presidente um ofício com um pedido de audiência. Não obteve resposta. “O governo precisa separar a história da realidade”, afirma Ivone. “Os militares assumiram o poder nos anos 1960 porque ninguém queria um país comunista. Os que hoje estão no governo eram contra os militares na época. Criou-se um revanchismo.”
 
Outro líder do movimento é o militar reformado Marcelo Machado. Ele presidente a Associação Nacional dos Militares do Brasil, fundada há um ano e com sede no Rio de Janeiro e em Brasília. “A insatisfação é geral. Enquanto os comandantes das Forças Armadas têm salário de ministro, nós ficamos a pão e água”, diz Machado. “Os colegas não podem se manifestar, mas, por ser reformado, tenho sorte de ninguém poder me punir.” O movimento vem ganhando força a ponto de as duas associações terem marcado para 30 de agosto o 1º Congresso Nacional da Família Militar. Sob a condição de anonimato, pelo temor de represálias, militares da ativa e da reserva aceitaram conversar com a reportagem do site de VEJA. Eles narram uma rotina de dificuldades financeiras, endividamento e condições precárias para as famílias de militares que são transferidos de cidade. “Há militares com 25 anos de serviço em capitais que residem em quarteis, em alojamentos paupérrimos, com a família a 200 quilômetros de distância, onde podem pagar pelo aluguel”, relata um subtenente com 27 anos de Exército.
 
 
Arte mostra o contracheque de um militar
 
Um capitão do Exército da reserva aceitou mostrar seu contracheque (veja detalhes na ilustração ao lado). Ele tem 60% de seu soldo, de 5 340 reais, comprometido com empréstimos e financiamento imobiliário. Ao soldo somam-se gratificações pelo tempo de serviço e por especialização na profissão que dobram o valor da remuneração. Mesmo assim, ele chega ao final do mês com salário líquido de pouco mais de 3 000 reais depois de 37 anos de dedicação às Forças Armadas. “A vida militar é um sacerdócio, não um emprego. Tenho sangue verde-oliva”, diz o orgulhoso senhor de 57 anos. “Porém, acho injusto um capitão contar o dinheiro para poder trocar de carro enquanto um funcionário de nível médio do Senado anda de automóvel importado.”
 
Entre as reivindicações das associações de familiares está o pagamento imediato de um porcentual de 28,86%, concedido por lei aos servidores públicos em 1993, durante o governo Itamar Franco, mas nunca entregue aos militares. Em 2003, o Supremo Tribunal Federal editou uma súmula garantindo o pagamento às tropas. Em 2009, a Advocacia-Geral da União reconheceu a decisão. De acordo com o Ministério da Defesa, no entanto, o estudo para pagamento do reajuste está sob análise do Ministério do Planejamento. “A implementação de novos valores dependerá de análise do governo federal, observada a conjuntura econômico-financeira do país”, informou a Defesa. O ministério informou ainda que tem dialogado com o Planejamento “visando a melhoria da remuneração dos militares das Forças Armadas”. Não há, no entanto, previsão de quando pode haver uma resolução sobre o assunto.
 
Em 2011, a folha de pagamento das três Forças somou 46,56 bilhões de reais, sendo 17,54 bilhões de reais destinado ao pessoal ativo e 29,02 bilhões de reais para inativos e pensionistas.
 
Fuga da carreira militar - A pouca atratividade financeira da carreira tem feito minguar os quadros das Forças Armadas. Levantamento feito com base em dados do Diário Oficial da União mostra que, de janeiro de 2006 até maio de 2012, 1 215 militares deixaram a carreira. O Exército foi a força que mais perdeu pessoal, 551 homens, seguido pela Marinha, 405, e Aeronáutica, 229. Os detalhes estão no gráfico abaixo. O estudo foi organizado pela assessoria do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), porta-voz das tropas no Congresso. “Tem muitos oficiais saindo para ganhar mais em outras áreas. E o gasto que o governo tem para formar um militar é altíssimo”, afirma Bolsonaro. “O governo usa o pretexto da indisciplina para nos subjugar.” Continue a ler a reportagem aqui.
 
Arte mostra número de militares que pediram exoneração desde 2006
 
 
As associações de familiares procuraram um por um os parlamentares para pedir a eles apoio para pressionar o governo Dilma Rousseff a conceder aumento. Os apelos tiveram pouca reverberação no Congresso. Além de Bolsonaro, apenas o senador Roberto Requião (PMDB-PR) deu sinais de apoio à causa. Em audiência da Comissão de Relações Exteriores e Defesa da Casa com o ministro da Defesa, Celso Amorim, Requião falou sobre a necessidade de valorizar a carreira militar e sugeriu o agendamento de um encontro na comissão, com a presença do ministro, para tratar do assunto. Até agora, nada está marcado, no entanto.
 
Promessas - Apesar de todos os entraves agora colocados pelo governo, um plano de reajustes para a categoria estava previsto na Estratégia de Defesa Nacional, lançada em 2008, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, e, ainda, em uma carta da então candidata à Presidência Dilma Rousseff, de 2010. Diz o documento assinado por Dilma e entregue à época aos representantes das Forças Armadas: “Os índices de reajuste salarial conquistados nos últimos dois mandatos presidenciais são uma garantia de que continuaremos efetuando as merecidas reposições.” As tropas, unidas, continuam à espera.  
 
Arte mostra salário de militares
 
Responsabilidades demais, remuneração de menos

A defasagem dos rendimentos dos militares fica mais evidente quando os salários são comparados aos de funcionários do Congresso Nacional, que estão entre os mais bem pagos do serviço público. Veja quatro exemplos dessa distroção

Faixa salarial: até 5 000 reais


NAS FORÇAS ARMADAS
 
Cargo: Primeiro-sargento
Salário: 4 844 reais
Atribuições: Na Aeronáutica, uma das funções é coordenar o controle do tráfego aéreo em aeroportos
 
 
NO CONGRESSO NACIONAL
 
Não existem servidores efetivos nessa faixa salarial. Faxineiros e ascensoristas, terceirizados, são os únicos a receber valores abaixo de 5 000 reais
 

Faixa salarial: até 10 000 reais

 

NAS FORÇAS ARMADAS
 
Cargo: Capitão
Salário: 8 154 reais
Atribuições: No caso da Aeronáutica, pilotar caças como o Mirage 2000, que custa 20 milhões de reais
 
 
NO CONGRESSO NACIONAL
 
Cargo: Nessa faixa salarial, também não existem servidores concursados no Congresso.  Esse valor equivale aos rendimentos de um assessor comissionado de sexta categoria, nomeado no gabinete de um deputado federal.  Para ocupar o posto, basta ser escolhido pelo parlamentar
Salário: 8 673 reais
Atribuições: Executar tarefas simples de apoio ao deputado
 

Faixa salarial: até 15 000 reais


NAS FORÇAS ARMADAS
 
Cargo: Capitão-de-mar-e-guerra (Marinha)
Salário: 13 109 reais
Atribuições: No caso da Marinha, é este o posto dos responsáveis por comandar um porta-aviões
 
 
NO CONGRESSO NACIONAL
 
Cargo: Operador de máquina
Salário: Até 14 421 reais
Atribuições: Colocar em funcionamento as máquinas do serviço gráfico do Senado. Exige apenas o Ensino Fundamental
 

Faixa salarial: mais de 15 000 reais


NAS FORÇAS ARMADAS
 
Cargo: General-de-brigada (Exército)
Salário: 16 646 reais
Atribuições: Comandar um grupo de até 5 000 homens em combate
 
 
NO CONGRESSO NACIONAL
 
Cargo: Técnico Legislativo
Atribuições: Digitar documentos, auxiliar na realização de tarefas rotineiras. Exige apenas Nível Médio
Salário: Até 16 563 reais
 
 

14 de junho de 2012

A vida é inegociável


Jesus Cristo recebeu ontem em seu reino de Luz e de Amor um bom combatente, Dom Luiz Bergonzini, que durante sua passagem em nosso planeta concluiu sua jornada como Bispo diocesano de Guarulhos, SP. Nos ensinou, entre outras coisas, que a vida é inegociável. Eu e minha família pedimos a Deus que seu desenlace seja tranquilo e que em breves momentos esse nosso irmão tenha a plena consciência que sua missão foi muito bem cumprida e que não viveu em vão.

10 de junho de 2012

Uma luz no final do túnel para alunos com deficiência

Do Último Segundo:

Metas educacionais voltam a apoiar classes só para deficientes

O Plano Nacional de Educação (PNE) ganhou metas diferentes das propostas pelo Ministério da Educação no Congresso Nacional. Se o texto for aprovado como está, as classes exclusivas para estudantes deficientes voltarão a receber estímulo. A definição contraria as políticas mais recentes do ministério, que defende a inclusão desses alunos em escolas convencionais. A mudança na redação original do PNE, proposta pelo relator do projeto na Câmara dos Deputados, Ângelo Vanhoni (PT-PR), causou polêmica entre especialistas na última semana. E representou alívio para muitas famílias e representantes de entidades que cuidam de espaços de atendimento específico para deficientes.

Para o MEC, as crianças com deficiências ou transtornos globais de desenvolvimento devem estudar em escolas públicas convencionais. Os colégios têm de se adequar às necessidades dos alunos e dar a eles a chance de conviver com pessoas sem deficiência. A inclusão, na opinião dos gestores e corroborada por muitos especialistas, promove o fim do preconceito e crescimento dos estudantes. O texto apresentado por Vanhoni aos parlamentares, que votarão a proposta no dia 12 de junho, abre possibilidades diferentes. 

Define, na meta 4, que será objetivo do País atender esses alunos, de preferência, na rede regular de ensino. Porém, “garantindo o atendimento educacional especializado em classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou comunitários, sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível sua integração nas classes comuns”. Na opinião do deputado Eduardo Barbosa (PSDB-MG), que faz parte do movimento das Apaes há 30 anos, o relatório, agora, “contempla o anseio da sociedade”. Para ele, a decisão “muito técnica” do MEC foi superada por uma “decisão política de governo”.


“Somos a favor da coexistência dos dois tipos de escola para a ampliação das oportunidades educacionais para muitas crianças que não recebem atendimento adequado em escolas regulares”, comenta Sandra Marinho Costa, secretária-executiva e procuradora jurídica da Federação Nacional das Apaes (Fenapaes), entidade que atende pessoas excepcionais. Sandra conta que 250 mil pessoas são atendidas pelas Apaes em todo o Brasil. Muitas delas, ela diz, tentaram se manter em escolas convencionais, mas não tiveram sucesso. “Fazer matrícula e ir para a escola é uma coisa. Estar incluído é outra bem diferente. Há pessoas com comprometimentos tão sérios que não conseguem receber atenção adequada e terminam isoladas nesses ambientes”, diz.

A representante de uma das associações que mais trabalhou, nos bastidores, para convencer o deputado Vanhoni de que a mudança na meta de número 4 do PNE era importante garante que a defesa das Apaes é por um sistema inclusivo de educação. Segundo Sandra, as famílias têm de ter opções. “E há crianças que, após um atendimento especializado, são plenamente capazes de frequentar escolas regulares e aprender. Outras não”, ressalta. Sabine Antonialli Arena Vergamini, diretora de Unidade Socioeducacional do Centro de Educação para Surdos Rio Branco, em São Paulo, também critica a ideia de que as escolas regulares fazem inclusão. 

“Divisão do espaço físico não significa incluir. Para 99% dos surdos, uma escola só deles é muito melhor”, afirma. Na escola que coordena, Sabine conta que as crianças são alfabetizadas, primeiro, na Língua Brasileira de Sinais (Libras). A língua portuguesa é ensinada como uma segunda língua. As famílias são incluídas no processo. Mantida pela Fundação Rotariana de São Paulo, a escola só atendia crianças carentes até bem pouco tempo. Por conta da demanda, eles decidiram abrir algumas vagas para famílias que podem pagar uma mensalidade: um aluno por cada classe. As turmas têm, no máximo, 10 crianças e as atividades ocorrem em período integral.

Comento: Uma escola que se diz preparada para a inclusão de crianças especiais deve estar preparada em termos de estrutura física e recursos humanos. Qualquer coisa diferente disso é proselitismo e hipocrisia barata. Vejo a discussão do assunto como algo proveitoso para a sociedade, visto que o tema havia sido unilateralmente inserido na agenda da educação básica. E educadores que somos sabemos que a teoria passa longe da prática. Uma luz no final do túnel.

13 de maio de 2012

O Brasil decente aguarda ansioso pela verdadeira comissão da verdade - a que julgará o mensalão

O leitor rotineiro deste blog poderá se perguntar: o que o mensalão tem a ver com educação? Respondo: tudo. O dinheiro desviado naquele episódio e que tinha o objetivo de assegurar a aprovação de temas de interesse do governo Lula e por consequência assegurar a manutenção do projeto de tomada de poder pelo PT, faltou na boca dos alunos na hora da merenda escolar, faltou para reequipar as Forças Armadas, faltou para garantir serviços justos e dignos na saúde pública, faltou para promover projetos de ressocialização de detentos em final de pena, enfim, faltou para um monte de coisas. 


Seria inocência supor que, após a descoberta e denúncia, o mensalão deixou de existir. Com certeza se travestiu em outras facilidades que os poderes legislativo e executivo em nível nacional devem estar carecas de saberem os caminhos. Mas mesmo denunciado,  o processo ainda aguarda julgamento. Dos 40 inicialmente envolvidos, apenas 36 serão julgados por crimes contra a administração pública. Na semana em que a presidente da República divulgou os nomes que comporão a desnecessária e revanchista comissão da verdade, nada mais justo que nós, brasileiros decentes, também soubéssemos da possível data do julgamento do esquema mensaleiro.

Essa sim seria a verdadeira comissão da verdade, pois ajudaria a apresentar na forma mais transparente possível os feitos dessa gente que durante tanto tempo enganou e lesou o brasileiro de boa fé. Quanto à comissão que servirá como tribunal da história, nomeada há poucos dias por Dilma e que terá o grande objetivo de conceder ao passado a versão da esquerda em armas, só nos resta lamentar, até porque a ruptura que as Forças Armadas se permitiu em relação aos seus valores e ao seu passado de socorro ao Brasil só facilitará o trabalho sujo que infelizmente será regado a dinheiro público.

Nossa Senhora de Fátima, o dia das mães e o racismo de circunstância

Dia das mães, dia da Mãe Maria. Eu e minha família somos espíritas e temos a mais profunda noção da posição hierárquica que Maria, mãe carnal que Jesus teve em sua passagem pelas áridas paisagens terrenas, ocupa nas hostes celestiais que prestam o fundamental serviço de orientar os habitantes do planeta Terra na busca incessante do bem. Por isso mesmo, elevamos nosso pensamento aos céus nesse 13 de maio, dia das mães e dia em que a Igreja Católica comemora a aparição da Mãe Celeste aos 3 pastorinhos em Fátima, Portugal, para pedir a Deus que seus mensageiros divinos esclareçam o povo brasileiro quanto ao muito em que estamos todos na contramão da marcha natural de nosso progresso como Nação, à medida em que o racismo de oportunidade está sendo imposto em nossa cultura. Refiro-me ao incidente em que uma peça televisiva levada a efeito com uma música da autoria de Alexandre Pires, ex-Só prá contrariar, na qual o referido artista cantou e dançou fantasiado de macaco junto ao jogador santista Neymar foi criticada como tendo gerado atos de segregação racial. 

O fato, ora denunciado pelo MPF como incitação ao racismo, foi protagonizado por ONGs que tratam do acompanhamento virtual de mensagens racistas e que veicularam uma insatisfação em relação à arte do cantor negro, que contou com a participação de um jogador de futebol não menos mulato. Como o próprio Alexandre Pires comenta "Devemos tratar toda e qualquer brincadeira com macacos e gorilas como uma referência a ser apagada da nossa memória? King Kong, Chita, Monga, eram todos personagens com alguma leitura que não a do genuíno entretenimento?". Minhas observações sobre esse caso no mínimo estapafúrdio remetem ao absurdo e ao receio de que agora toda brincadeira de roda na escola em que sou coordenadora tenha que doravante passar pelo crivo do macaco, ou seja, será que tudo agora terá que ser descolorido? Acho que nem a Mãe Maria, que ganhou cores de brasilidade na Padroeira do Brasil está satisfeita com essa involução cultural. Valei-nos Mãe de Jesus. Nesse dia em que reverenciamos nossas queridas mães, concede juízo aos Teus filhos. Que pensem e ajam como homens e não como macacos.

31 de março de 2012

Aula de história - 31 de Março de 1964

Uma pequena homenagem aos heróis do 31 de março de 1964, que nos pouparam entrar para as estatísticas do comunismo, que com uma grande pitada de esperteza e corrupção é a bandeira do PT e de seus aliados. Nosso muito obrigado a esses velhinhos pela  sobrevida que nos deram. Anteontem eles foram cuspidos e desmoralizados por baderneiros pagos com o dinheiro público, mas durmam tranquilos, pois a missão está cumprida.



Brasileiro, o não leitor

Do O Globo:


































A média de leitura do brasileiro é de 4 livros por ano, sendo apenas 2,1 livros até o fim, segundo a 3ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada nesta quarta-feira. O número é menor do que o registrado em 2007, quando foi feita a 2ª edição da pesquisa. Na época, a média de livros lidos por ano era de 4,7. O levantamento foi feito pelo Ibope Inteligência com 5 mil entrevistados em 315 municípios entre junho e julho de 2011. A pesquisa, encomendada pelo Instituto Pró-Livro, mostra ainda que metade da população - cerca de 88,2 milhões de pessoas - é considerada leitora, ou seja, leu ao menos um livro nos últimos três meses. O índice é menor do que o registrado em 2007, quando 55% da população havia declarado ter lido ao menos um livro nos três meses que antecederam a pesquisa. O Centro-Oeste é a região com melhor média de livros lidos, seguido pelo Nordeste, Sudeste, Sul e Norte. A Bíblia é o livro mais lido no Brasil, seguido por livros didáticos, romances, livros religiosos, contos e livros infantis. As mulheres leem mais do que os homens. Enquanto 53% delas são leitoras, entre os homens o índice é de 43%.

Ainda segundo a pesquisa, 75% da população nunca frequentou uma biblioteca na vida. Presente à abertura do seminário Retratos da Leitura no Brasil, no qual o levantamento foi divulgado, a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, disse que o governo trabalha para zerar o número de municípios sem biblioteca. - A leitura, quando vai além do livro didático, vai permitir a formação do cidadão, vai dar ao cidadão as ferramentas do conhecimento, permitir a ele desenvolver a capacidade de reflexão e análise, de questionar e desenvolver seu pensamento e sua opinião. A literatura tem essa capacidade. A televisão não permite tanto a reflexão quanto o livro - afirmou a ministra. Durante o evento, fez-se um minuto de silêncio em homenagem ao escritor Millôr Fernandes, que faleceu na madrugada desta quarta-feira. Ana de Hollanda considerou a morte do escritor uma “perda irreparável”.

Comento: Um país em que o representante máximo do povo, eleito por mais de 50 milhões de eleitores, regozija-se por não gostar de ler, não poderia gerar maior desmantelo do que a redução do número de leitores e o número de peças lidas por leitor. Com ações pífias e totalmente voltadas para aparelhar cargos e comissões para a companheirada, o Ministério da Cultura bem que poderia ser a pedra de toque para inverter esse processo, não fosse o filmete existente no site da instituição que remete à criação de um fundo nacional de fomento da leitura, ou seja, a criação de um aporte orçamentário para estimular projetos que levem o brasileiro a ler mais. Em breve, quem sabe, à exemplo do Ministério da Pesca, surja o Ministério do Livro.

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29 de março de 2012

Aula de sociologia - Esta é a democracia que o PT quer para você


Essas fotos foram extraídas da matéria do Estadão que retrata o linchamento público promovido por um bando de milicianos pagos pelo erário público e que sinalizam a verdadeira e totalitária face do PT, do PDT, do PCdoB e de outras agremiações viúvas do stalinismo e do maoísmo que ceifaram mais de 100 milhões de opositores onde foram instalados. A existência desses baderneiros, logisticamente organizados e remunerados, ideologicamente deturpados e orientados, remete à construção de um estado repressor de liberdades e de vidas, tal qual existe na Coréia do Norte, em Cuba, no Irã, locais onde o fanatismo cerceia as liberdades fundamentais, como por exemplo a desses septuagenários senhores, que exercendo a mais fundamental das garantias constitucionais, a de se reunir e se expressar, foram vítimas desse constrangimento a céu aberto e em plena luz do dia. Reparem na cusparada que o biltre acima dá na face do senhor na primeira foto. Foi, na verdade, uma grande cusparada na cara da democracia brasileira. As urnas estão ai para cuspirmos na democracia que verdadeiramente o PT quer para você.


Fracasso escolar - Afinal, de quem é a culpa?

Do O Globo:

O aluno não aprende porque os pais não o acompanham? Para 88% dos professores do nível fundamental da rede pública no país, sim. Quase 81% também acreditam que um aluno não vai bem na escola porque não se esforça. Os dados fazem parte de um levantamento feito pelo Movimento Todos Pela Educação em respostas dadas por professores da rede pública na Prova Brasil, do Inep. E levantam a questão: num sistema educacional público com má remuneração para o magistério e escolas mal equipadas, que recebem estudantes em que a própria família já tem, em geral, baixa escolaridade e frágil nível cultural, de quem é a culpa pelo mau aluno?


No Questionário do Professor da Prova Brasil de 2009, os professores receberam uma lista de possíveis causas para problemas de aprendizagem dos estudantes, para dizer com quais causas mais concordavam. Quase todos concordaram com as respostas "Falta de assistência e acompanhamento da família nos deveres de casa e pesquisas do aluno" e "Desinteresse e falta de esforço do aluno". Respostas que poderiam mostrar a responsabilidade do professor ou da escola — "Baixo salário dos professores, que gera insatisfação e desestímulo para a atividade docente" e "Escola oferece poucas oportunidades de desenvolvimento do aluno" — tiveram 30,5% e 27,4%, respectivamente.

— Como a educação depende de vários setores, é esperado que um jogue a responsabilidade para o outro. Se você for perguntar para muitos pais, eles vão dizer que a escola não ensina direito. Mas, apesar de esperada essa responsabilização do outro, é preocupante que o professor coloque a culpa na família, se pensarmos que, nas escolas públicas, em diversas vezes não lidamos com crianças imersas no mundo letrado. Jogar a culpa para a família, nesses casos, é o professor falar "não consigo lutar contra isso". Nesse tipo de realidade, a função da escola pública é essa mesmo, é exercer um papel que a família e o meio em que o aluno vive não estão conseguindo cumprir. O contrário seria condenar a criança pobre a não aprender — analisa Priscila Cruz, diretora-executiva do Todos Pela Educação.

Se a família não consegue acompanhar a educação do aluno, diz Priscila, o papel da escola seria achar maneiras de estimular esse acompanhamento. — Não podemos partir da suposição de que a família não apoia porque não quer. Às vezes é porque não sabe mesmo, em muitos casos os pais estudaram menos do que o filho. Além disso, a escola reclama que os pais não vão às reuniões, mas as marca na terça às 9h. A classe trabalhadora trabalha na terça às 9h — destaca Priscila, para quem o baixo número de respostas de professores colocando a responsabilidade no nível salarial e no desestímulo que isso provoca também era esperado. — Seria até antiético, eles estariam admitindo que dão uma aula ruim.

Em áreas com indicadores sociais críticos, como Norte e Nordeste, a falta de acompanhamento da família às vezes tem a ver com problemas como o analfabetismo. Ramone Maria do Nascimento, do bairro de Afogados, em Recife, tem duas filhas na escola, Vanessa e Vandressa, alunas do colégio municipal Mércia Albuquerque. A mãe não sabe sequer escrever o nome todo: — Vanessa precisou de muita ajuda na escola. Pedia às colegas para ensinar, pois não sei ler. Vanessa, de 11 anos, escreve com desenvoltura, mas não sabe pontuar. Não leu um só livro em 2011 ou este ano.

Na casa de Cássia Cristina da Silva, no mesmo bairro, são quatro os filhos na escola. Com pai pedreiro com pouco estudo e ela analfabeta, as crianças só não tiveram mais dificuldades porque os pais pagaram reforço. — Hoje um reforço aqui no bairro está entre R$ 35 e R$ 45 por aluno. A gente não pode mais — reclama Cássia, que este ano comemorou o fato de a filha Cassiana ter conseguido um colégio com tempo integral. No Mércia Albuquerque, a diretora Maria José Moura acha que atribuir culpa aos pais ou alunos é raciocínio distorcido: — São vários fatores em comunidades como esta, com histórico de violência. A maioria dos alunos não tem pai. Outros estão com o pai preso ou envolvido com o tráfico. A comunidade não tem banheiro. Muitos alunos passavam muito tempo no banheiro, e descobri que era para aproveitarem o chuveiro, a torneira, que não têm em casa.

Mudar a forma de participação da família parece ser a saída, afirmam pesquisadores. — Nas séries iniciais, acredito que a responsabilidade maior pela educação da criança seja da escola, porque são alunos mais interessados. A partir da adolescência, o interesse da família em acompanhar ganha peso maior. Agora, é mais fácil culpar os pais, quando a leitura correta é: como a escola pode mudar para conquistar esses pais? — diz João Batista Oliveira, presidente do Instituto Alfa e Beto. — A escola trata o pai mal, só fala mal do filho. O pai não volta a segunda vez. Quando a escola poderia, em vez disso, falar sobre o que o filho tem de bom. Se o aluno picha, como converter aquilo num trabalho com artes, por exemplo. Em vez de chamar o pai só para reuniões, chamá-lo para falar de cursos para esse pai.

— A família de aluno de rede pública em geral participa pouco. O problema são as condições de participação, que afetam a qualidade dela. A escola tem de melhorá-las — afirma Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação. — Estudos mostram que o chamado efeito-família tem peso similar no aprendizado ao do efeito-escola. Mas, no Brasil, o efeito-família tem um obstáculo, a baixa escolaridade de boa parte das famílias. Aí, a escola é que tem de ser a diferença. No bairro Jockey, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio, o modo que a Escola Estadual Professora Odyssea Silveira de Siqueira encontrou para atrair a família foi, além das tradicionais reuniões de pais, chamar para palestras sobre temas como drogas e gravidez; e para comemorações como desfiles ou o aniversário da escola. No início de 2011, quando o colégio ficou sem diretor por alguns meses, pais de alunos chegaram a se reunir para ajudar na limpeza e na manutenção do espaço.

— Não adianta a escola ser bilíngue se a família não mostra ao filho o valor de ter um projeto de vida. E a escola, em regiões como a nossa, precisa também educar os pais para isso — diz a professora de Ciências Marcele Kloper Balado, coordenadora do projeto Os Pais na Escola, criado há um ano no Odyssea. — Chamar o pai só para reclamar do filho não funciona. Tem de saber como chamar esse pai — acrescenta o diretor do colégio, Carlos José Pestana Moreira, destacando a melhora dos resultados da escola nas provas do Saerj em 2011, ficando acima das notas médias do estado.


Mãe de dois alunos do Odyssea, a dona de casa Joelma de Lima, que estudou até a antiga 3 série primária, diz que aprendeu a fazer o casal de filhos explicar para ela o dever de casa: — Explicaram raiz quadrada, que para mim era coisa do outro mundo, e uma coisa de ciência que gostei muito, sobre evolução do ser humano. Se deixar as criança por ela mesma, ainda mais a mais velha, não vai estudar como deveria — diz Joelma, concordando que não há pai ou mãe que goste de só ouvir falarem mal do filho. — Fico mais tranquila, porque não chamam só nesses momentos. A resposta "Carência de infraestrutura física e pedagógica da escola" recebeu apenas 28% da concordância dos professores no levantamento da Prova Brasil. Mas, para Danilo Serafim, professor de Sociologia da rede estadual do Rio e coordenador geral do Sindicato dos Professores do Estado do Rio (Sepe), esse é um dos principais itens que demonstram que o culpado não é nem o pai nem o professor:

— É o sistema educacional. As políticas educacionais, que não põem contraturno nas escolas, laboratórios... Estive numa escola de Valença recentemente, e, quando chove, o professor tem de levar os alunos para o banheiro, o único lugar onde não chove lá dentro. É claro que há diferença do aluno de uma família que participa para um que tem família ausente. Mas estou perplexo com o fato de a maioria dos professores ter respondido que a causa está nos pais. Se o professor ficar apontando dedo para a família, e a família, para o professor, os reais responsáveis só vão ficar assistindo a isso de camarote.

Comento: Os tempos atuais apresentam uma realidade pedagógica voltada para o estímulo à pesquisa. Viramos as páginas do professor onisciente, onipresente e onipotente. A própria atuação assertiva exercida pela rede mundial de computadores, seus mecanismos de pesquisa e suas redes sociais convida toda a comunidade escolar, composta de escola, alunos e responsáveis, a uma parceria pautada no diálogo, no acompanhamento e no respeito incondicional. Respondendo à pergunta formulada no título do post, o fracasso escolar, causas e consequências são responsabilidade de todos esses atores aqui citados. Mãos à obra por uma educação conscientemente compartilhada, que busque a projeção dos educadores, a auto-realização dos educandos e a segurança social que a família será beneficiária.

25 de março de 2012

Não gostou? Vá reclamar com o Bispo

Do Estadão:

Reitor e alunos da PUC-SP discutem declarações de bispo

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Estudantes da PUC-SP se reuniram ontem à noite, dia 22, para discutir qual o papel da instituição no debate sobre temas como aborto e homossexualidade. A assembleia ocorreu na chamada “Prainha”, no câmpus de Perdizes, zona oeste, e teve a participação do reitor, Dirceu de Mello. A discussão vem após as declarações do bispo d. Luiz Bergonzini, da diocese de Guarulhos (SP), de que professores com ideias contrárias às da Igreja não deveriam lecionar na PUC. Em seu blog, Bergonzini disse que docentes favoráveis a descriminalização de aborto, eutanásia, maconha, “ideologia homossexual” ou “comunistas” deveriam procurar outra instituição – conforme o jornal O Estado de S. Paulo publicou este mês. O pensamento do bispo foi o estopim para manifestações contrárias e a favor da sua posição. Na semana passada, estudantes fizeram um apitaço na PUC contra a opinião do bispo. Mas também houve cartazes a favor dele.

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Comento: A vida é feita de posicionamentos. A defesa da vida mais ainda. Nesse contexto, o Bispo Dom Luiz Bergonzini manifestou seu posicionamento baseado na moral cristã, que em tese serve como farol para a instituição Pontifícia Universidade Católica, o que pode ser facilmente comprovável pelo estatuto da organização mantenedora, a Fundação São Paulo, que em seus incisos IV e V, afirma que seus objetivos são: "... IV- contribuir para a formação de uma cultura superior adaptada à realidade brasileira e informada pelos princípios da fé católica; V- contribuir para o desenvolvimento da solidariedade entre as democracias, especialmente no campo cultural e social, em defesa da civilização cristã...". Os acadêmicos da PUC, pontanto, deveriam contrapor argumentos com argumentos e não com apitos, entendendo que a defesa da vida é pedra basilar para a continuidade de qualquer sociedade que se predisponha a ser livre. Ao entregarem-se a essa reflexão, quem sabe concluiriam facilmente que uma boa faxina na "Prainha" seria ideal antes de qualquer assembléia.

15 de março de 2012

Mercadante mostra-se cauteloso quanto à utilização do Kit gay na rede pública de ensino

Da Folha:

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, se mostrou cauteloso ao ser questionado sobre o uso de material anti-homofobia na rede pública de ensino. Ele reconheceu a necessidade de tratar o assunto, mas criticou uso de vídeo, por exemplo, como forma de combater o preconceito. "Se eu acreditasse (...) que lançar um material didático, simplesmente produzir um vídeo e lançar na escola resolvesse, nós estaríamos fazendo, mas não vai resolver. Só o clima que nós criamos aqui no âmbito do Congresso Nacional, longe de contribuir, acirrou as posições", afirmou o ministro em audiência pública na Câmara dos Deputados. Elaborado na gestão de Fernando Haddad (PT), o kit de combate à homofobia teve sua distribuição suspensa em maio do ano passado pela presidente Dilma Rousseff. Na ocasião, a assessoria de imprensa do ministério informou que ele era composto de vídeos e de publicação de orientação para professores. Segundo o ministro, o debate no congresso sobre o kit foi alvo de "intransigência e polarização". "Nós temos crianças na rede escolar que vão para casa envergonhadas, humilhadas (...) e uma das razões é a homofobia", disse o ministro. "Nós precisamos fazer uma pesquisa mais cuidadosa e mais aprofundada sobre como construir um diálogo que respeite a diversidade em todas as suas formas. Para construir essa cultura nós vamos ter que estudar mais a fundo a homofobia e como dialogar, porque o enfrentamento direto eu acho que não vai ajudar", completou. 

Comento: Sinceramente, ponto para  Aloizio Mercadante. Não gosto de sua trajetória política, pautada à sombra dos principais escândalos protagonizados pelo petismo, mas sua ação cautelosa quanto a assunto tão inoportuno confere alguns créditos a ele. O tema diversidade sexual não é coisa para ser discutida na escola e cabe unicamente à família abordar e detalhar minimamente as normas e seus desvios no tocante ao sexo. Tem coisas que, por maior que seja a interdisciplinaridade e transversalidade continuam íntimas o suficiente para não serem especuladas por pessoas que não são nossas mais indicadas confidentes: a família. Como pressupõe-se que todo aluno da rede regular de ensino tem um responsável direto, a responsabilidade indireta pela educação, que cabe à escola desse aluno não a credencia a apontar, no bojo dessa temática, o que é correto ou não. E no mais, apelos ao estímulo à tolerância e ao combate ao preconceito de nada, mas nada mesmo valerão se no ambiente doméstico campear a sociopatia. Por isso, creio que o mais indicado seja o fomento à conscientização familiar.

12 de março de 2012

Inclusão sem capacitação

  
Cresce número de alunos especiais em universidades


Primeiro jovem com síndrome de Down aprovado no vestibular da Universidade Federal de Goiás, Kallil Assis Tavares começou a assistir às aulas do curso de Geografia há uma semana, e o sucesso dele mostrou que a capacidade de aprendizado de pessoas com necessidades especiais às vezes surpreende até os pais. A prova está no aumento do número de pessoas com algum tipo de deficiência matriculadas em cursos de graduação, que saltou de 2.173 em 2000 para 16.328 em 2010, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), órgão do Ministério da Educação (MEC).

Os dados incluem pessoas com todo tipo de deficiência, como visual, auditiva e intelectual. A maioria (cerca de 10 mil) estuda na rede privada. Na educação básica (ensinos infantil, fundamental e médio), havia 808 mil pessoas com necessidades especiais matriculadas em escolas especiais e regulares em 2010, de acordo com o Inep. A maioria estudava em classes comuns do ensino regular (526 mil). Em classes especiais dentro de escolas regulares, estudavam 54 mil alunos e em escolas exclusivas especializadas, 227 mil pessoas.

O MEC tem estimulado que crianças e adolescentes com deficiência frequentem o ensino fundamental e médio em uma escola regular e tenham aulas de apoio em escolas especializadas ou em salas multifuncionais. Porém, no Rio, segundo o sindicato de professores e pais de alunos, ainda há professores sem o treinamento adequado para dar aula para pessoas com deficiência em turmas regulares (onde também estudam pessoas que não têm deficiência).

- Muitos profissionais não têm nenhum tipo de formação para atender alunos com deficiência, nem de Libras (língua brasileira de sinais), nem de nada. Então o que acontece é a exclusão e não a inclusão - afirma a professora e coordenadora na capital do Sindicato Estadual de Profissionais de Educação do Rio de Janeiro, Susana Gutierrez.

Comento: A inclusão de qualquer aluno com deficiência motora ou de aprendizado pressupõe a existência de um corpo docente especializado, que conte no mínimo com mais uma professora por sala, ou professora assistente, psicopedagogos, psicólogos e pedagogos especializados em educação inclusiva. Onde há normas reguladoras para essa necessária, mas complicada inclusão? A reportagem sinaliza que o MEC tem estimulado que crianças e adolescentes com deficiência frequentem o ensino fundamental e médio em uma escola regular e tenham aulas de apoio em escolas especializadas ou em salas multifuncionais, mas da mesma forma que é legítimo concluir que há dispositivos legais que tratam da matéria e regulam a demanda, conclui-se também e sem dificuldade que essa normas não disciplina a oferta, nem de longe tangenciam as rotinas da educação particular, em função principalmente da omissão quanto ao repasse de verbas para treinamento e capacitação, bem como omitem o modus operandi dessa pretensa inclusão. Continuamos falando em libras com o poder público e este, por conseguinte, continua lendo as mensagens da iniciativa privada em braille.

8 de março de 2012

Os 9 tipos de líder - Identifique seu perfil

Do Você S/A:





































Comento: Liderança significa dar um significado ao trabalho, propiciando o engajamento voluntário das pessoas que estão sob nossa responsabilidade. Engana-se quem pensa que o docente ou o profissional da educação, mesmo que da área administrativa, não precisam desenvolver a liderança. Afinal, a comunidade escolar é abrangente e multidisciplinar, estendendo-se desde os alunos, passando pelos pais, pelos clientes e usuários da sociedade, até faxineiros, vigias, porteiros, burocratas e demais servidores da escola. Portanto, identifique-se como um líder e aprimore-se, lembrando sempre que o conceito de líder remete à sinergia entre líder e liderados, relação coerente e fundamental na troca de saberes e competências.

2 de março de 2012

Meu apoio ao Exército neste deprimente episódio da comissão da meia verdade

Naturalmente este não é um espaço para a política partidária, afinal somos um blog que trata do tema educação. Mas a política é inerente ao ser humano desde longas datas e o sistema democrático, desde que concebido há também muito tempo, faz do homem (leia-se também nós mulheres) um bicho político. Apesar de não praticarmos textos ligados às práticas (quase sempre equivocadas) da política nacional, vez por outra episódios ligados à educação são aqui transcritos e comentados. Contudo, eu não poderia deixar de me manifestar contrária à arbitrária criação dessa que chamam comissão da verdade. 

Esse mondrongo que tem por finalidades esclarecer violações aos direitos humanos no período pós-ditadura de Getúlio Vargas até o final do regime militar é, a meu ver, uma excrescência (algo inútil, supérfluo). Claro que não poderíamos esperar coisa diferente dessa gente de esquerda, rançosa e primária, mas é que há inúmeros macroproblemas em nosso país que deveriam priorizar a mente e o espírito de congressistas e demais servidores públicos, eleitos ou não. O caráter revanchista dessa coisa é de uma torpeza sem precedentes, que só perde em termos de baixaria ao caráter não menos unilateral. 

Não quero e não irei aqui entrar em minhas convicções de quem teve razão ou não naqueles períodos nada sombrios dos anos 60 e 70. Penso no hoje e no amanhã e é o que falta realmente aos nossos homens e mulheres públicos. E para que querer achincalhar nossas Forças Armadas, se na verdade o que vemos em países evoluídos é a sociedade aplaudindo seus cidadãos de farda porque veêm neles a garantia da segurança nacional? Grosseira essa iniciativa. Desnecessária essa briga e essa tentativa notória que estamos vendo no governo de insuflar seus quadros militares, esquecendo que os cargos eletivos passam, as instituições ficam. 

Gostaria de externar meu pensamento, transcrevendo um post do Jornalista Ricardo Setti, em que ele aponta o por que essa comissão é de meia verdade. Quem tem inteligência que tire suas conclusões e tente propagar sobre a inutilidade e a tendenciosidade desse monstro sectário criado à revelia de mais de 150 milhões de brasileiros que não colocaram Dilma Rousseff no lugar onde está a fazer barbeiragens:

O governo cometeu grossa inverdade para justificar a criação da Comissão da Verdade

A presidente Dilma e os ministros Maria do Rosário (Direitos Humanos), José Eduardo Cardozo (Justiça), Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Celso Amorim (Defesa), além do presidente da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, Antônio Rodrigues Barbosa, durante a cerimônia de sanção da lei que criou a Comissão Nacional da Verdade, no dia 18 de novembro (Foto: Wilson Dias / Agência Brasil)

A nota divulgada na sexta-feira passada pelos clubes militares na qual oficiais da reserva manifestam “preocupação” com declarações sobre a ditadura militar feitas por duas ministras do PT (Eleonora Menicucci, da Secretaria de Políticas para as Mulheres, e Maria do Rosário, dos Direitos Humanos) e as especulações que vêm circulando sobre os sete nomes que a presidente Dilma indicará para compor a Comissão da Verdade trouxeram à tona um tema que estava temporariamente em banho-maria. Só para lembrar: a Comissão foi criada por lei do Congresso, por iniciativa do então presidente Lula, “com a finalidade de examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos praticadas” no período que vai de 18 de setembro de 1946 até 5 de outubro de 1988, “a fim de efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional”. Na prática, a comissão deve se concentrar nas violações de direitos humanos praticadas sobretudo durante a ditadura militar (1964-1985), por agentes do regime.
Não há o objetivo de punir ninguém.

Os objetivos da Comissão

Os objetivos estão mencionados no texto do artigo 3º da lei, a saber:
“I – esclarecer os fatos e as circunstâncias dos casos de graves violações de direitos humanos mencionados no caput do art. 1o; [refere-se ao que escrevi no parágrafo acima iniciado com “só para lembrar...”].
II – promover o esclarecimento circunstanciado dos casos de torturas, mortes, desaparecimentos forçados, ocultação de cadáveres e sua autoria, ainda que ocorridos no exterior;
III – identificar e tornar públicos as estruturas, os locais, as instituições e as circunstâncias relacionados à prática de violações de direitos humanos mencionadas no caput do art. 1º e suas eventuais ramificações nos diversos aparelhos estatais e na sociedade;
IV – encaminhar aos órgãos públicos competentes toda e qualquer informação obtida que possa auxiliar na localização e identificação de corpos e restos mortais de desaparecidos políticos, nos termos do art. 1º da Lei no 9.140, de 4 de dezembro de 1995; [este artigo diz o seguinte: “São reconhecidos como mortas, para todos os efeitos legais, as pessoas que tenham participado, ou tenham sido acusadas de participação, em atividades políticas, no período de 2 de setembro de 1961 a 5 de outubro de 1988, e que, por este motivo, tenham sido detidas por agentes públicos, achando-se, deste então, desaparecidas, sem que delas haja notícias”.]
V – colaborar com todas as instâncias do poder público para apuração de violação de direitos humanos;
VI – recomendar a adoção de medidas e políticas públicas para prevenir violação de direitos humanos, assegurar sua não repetição e promover a efetiva reconciliação nacional; e
VII – promover, com base nos informes obtidos, a reconstrução da história dos casos de graves violações de direitos humanos, bem como colaborar para que seja prestada assistência às vítimas de tais violações. “
Está tudo muito bem, está tudo muito bom.

Os então ministros Rogerio Sottili, Luiz Paulo Barreto, Paulo Bernardo e Nelson Jobim: autores do projeto da Comissão Nacional da Verdade

Uma grosseira inverdade

Só que a Exposição de Motivos encaminhada a Lula em abril de 2010, assinada pelos então ministros Rogerio Sottili (interino dos Direitos Humanos), Nelson Jobim (Defesa), Luiz Paulo Barreto (Justiça) e Paulo Bernardo (Planejamento), comete pelo menos uma grosseira inverdade ao justificar e fundamentar o que era então um projeto de lei. Vamos lá, comprovando o que digo. A “Exposição de Motivos n.º 14 /2010 – Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República/Ministério da Defesa/Ministério da Justiça/Ministério do Planejamento”, datada de 30 de Abril de 2010, diz, em seus itens 4 e 5, o seguinte:

“4. No mundo todo, foram constituídas mais de 30 Comissões da Verdade, em contextos de transição política, superação de conflitos armados internos ou de períodos ditatoriais, uma das ferramentas daquilo que é denominado “justiça transicional”. Apesar dos diferentes contextos históricos, políticos, sociais, legais e culturais e das diferentes dinâmicas e formatos adotados, todas as Comissões tiveram como objetivo principal promover a reconciliação nacional, por intermédio da revelação, registro e compreensão da verdade sobre o passado de violações de direitos humanos nos respectivos países.

5. Como exemplos emblemáticos podemos citar a Comissión Nacional sobre la Desaparición de Personas, constituída na Argentina, que teve como escopo a investigação dos casos de desaparecimentos forçados, ocorridos durante o regime de exceção enfrentado por aquele país, e a Truth and Reconciliation Commission constituída na África do Sul com escopo de apurar violações de direitos humanos ocorridas no período do Apartheid, buscar indenizações e instaurar processos de anistia.” Perfeito. Por ora, neste post, deixemos de lado a Comissión Nacional sobre la Desaparición de Personas de Argentina e concentremo-nos na Truth and Reconciliation Commission (Comissão da Verdade e Reconciliação) da África do Sul.

Na África do Sul, sessão da Comissão da Verdade e Reconciliação: ouvindo os dois lados

A Comissão da África do Sul ouviu os dois lados, e não só os repressores do governo

Há várias diferenças entre a Comissão da África do Sul, estabelecida por lei em 1995, que seria uma das inspirações fundamentais do governo lulo-petista para tomar a iniciativa que tomou, e a Comissão da Verdade brasileira – a começar pelo número de membros: 18 membros, na África do Sul – presididos por um homem de tremenda reserva moral e dignidade pessoal, o arcebispo anglicano e Prêmio Nobel da Paz Desmond Tutu. Ela também se subdividiu em três comitês: os de Anistia, de Reparação e Reabilitação (R&R) e de Violação de Direitos Humanos (HRV). Há outras diferenças. Mas existe uma DIFERENÇA FUNDAMENTAL entre as duas, que, marotamente, a Exposição de Motivos brasileira omitiu. A Comissão sul-africana, oficialmente denominada Comissão Sul-Africana da Verdade e Reconciliação (conhecida pelas iniciais TRC, comissão da verdade e reconciliação em inglês), diz seu site oficial, “foi estabelecida pelo Governo de União Nacional [da África do Sul posterior ao final do regime racista do apartheid, em 1994, com a eleição livre e direta do líder anti-apartheid Nelson Mandela como presidente da República] para colaborar no trato do que aconteceu sob o apartheid. O conflito durante esse período resultou em violência e abusos dos direitos humanos que partiram DE TODOS OS LADOS [as maiúsculas são nossas]. Nenhum setor da sociedade escapou a esses abusos”.

Violações por parte do Estado ou de “qualquer outra organização, grupo ou invidíduo”

E coube ao Comitê de Violações dos Direitos Humanos, textualmente, “investigar os abusos de direitos humanos que ocorreram entre 1960 [ano em que ocorreu o Massacre de Sharpeville, quando as autoridades brancas mataram 69 cidadãos negros e provocaram ferimentos em centenas para reprimir uma manifestação] e 1994 [eleição de Mandela e de um Parlamento livre, que aprovou uma Constituição dois anos depois], com base em depoimentos (…). O Comitê estabeleceu “a identidade das vítimas, o que ocorreu com elas ou sua atual localização, e a natureza e extensão dos danos que elas sofreram; [de novo, as maiúsculas são do blog]; E SE AS VIOLAÇÕES FORAM RESULTADO DE PLANEJAMENTO DELIBERADO PELO ESTADO OU QUALQUER OUTRA ORGANIZAÇÃO, GRUPO OU INDIVÍDUO”.

O arcebispo Desmond Tutu muitas vezes não resistiu à emoção durante os depoimentos

Audiências públicas, choro e pedidos de perdão

Assim sendo, prestaram depoimento pessoas torturadas ou presas injustamente, parentes de militantes assassinados, famílias atingidas pelo terrorismo de grupos nacionalistas negros, chefes militares do regime racista, policiais, agentes dos serviços secretos, integrantes de milícias brancas paramilitares, guerrilheiros do grupo “Lança da Nação”, ou MK, ligado ao hoje partido no poder Congresso Nacional Africano e fundado pelo próprio Mandela, praticantes de atos terroristas, de atentados, de ações de barbárie contra fazendeiros brancos etc etc. As audiências eram públicas — a uma certa altura, passaram a ser transmitidas pela TV –, e os responsáveis por crimes em muitos casos choraram e pediram perdão a suas vítimas. O conteúdo dos depoimentos forneceu material para que a verdadeira história da África do Sul fosse devidamente reconstituída nos livros de História. Teve, também, consequências na vida das pessoas: houve pagamentos de indenizações, tratamentos médicos e psiquiátricos e, obedecidas determinadas condições, a concessão de anistia aos que reconheceram publicamente seus crimes.

Muito diferente do que se vai fazer no Brasil

Assim sendo, a Comissão da Verdade e Reconciliação foi profundamente diferente da que se pretende no Brasil. Foi perfeita? Foi impecável? Deixou todos os setores da sociedade sul-africana satisfeitos e felizes? A resposta, naturalmente, é não. Houve setores que não se conformaram com a não punição de assassinos, outros consideraram que a comissão entrou em detalhes demais, ou em detalhes de menos. O fato é que a iniciativa marcou época, ajudou a curar cicatrizes de um longo período de injustiça, discriminação e barbárie, contribuiu para a consolidação da maior e mais importante democracia da África e serviu de inspiração, até o momento a 19 outros países que passaram por guerras civis ou grande comoções internas.

29 de fevereiro de 2012

Ao invés de legislar em torno da capacitação e da valorização dos docentes, comissão do Senado vota hoje sobre lotação de sala de aula

Do Estadão:

Senado vota projeto que limita a 35 número de alunos por sala 

Logo após a audiência pública que realiza às 10h desta quarta-feira (29), com o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, para saber os planos da pasta para os próximos anos, a Comissão de Educação, Esporte e Cultura (CE) realiza reunião para avaliar pauta de 12 itens. Entre eles está um projeto de lei do senador Humberto Costa (PT-PE) que estabelece números máximos de alunos por turma na pré-escola e no ensino fundamental e médio. Pela proposta, as turmas de pré-escola e dos dois anos iniciais do ensino fundamental terão até 25 alunos, enquanto as demais terão até 35 alunos. A relatora, senadora Maria do Carmo Alves (DEM-SE), apresentou voto favorável à aprovação da matéria. A decisão na CE será terminativa, terá valor de uma decisão do Senado. Quando tramita terminativamente, o projeto não vai a plenário: dependendo do tipo de matéria e do resultado da votação, é enviado diretamente à Câmara, encaminhado à sanção, promulgado ou arquivado. Ele somente será votado pelo plenário do Senado se recurso com esse objetivo, assinado por pelo menos nove senadores, for apresentado à Mesa. Após a votação do parecer da comissão, o prazo para a apresentação de recurso é de cinco dias úteis. 

Comento:

Lendo aqui a íntegra do Projeto de Lei do Senado nº 504, de autoria do Senador Humberto Costa, o espectador atento verá que em momento algum o legislador menciona então a correta relação entre a quantidade de carteiras e a área mínima que essa sala deverá possuir. Fatos ou factóides como este só revelam o desconhecimento de nossos políticos de que a realidade e a economicidade do custo-aluno está mais para a relação capacitação do docente - área de ensino - aprovação do discente, do que para a relação unidimensional de se limitar a quantidade de alunos frente a um mestre muitas vezes desmotivado que a cada intempérie perde suas coletâneas em função das goteiras e demais sinistros.

28 de fevereiro de 2012

Ensino à distância se estabelece como realidade mais do que virtual em São Paulo

Do Estadão:

Universidade virtual quer autonomia

A Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp) deixará de ser um programa para efetivamente virar instituição de ensino. O governo do Estado está finalizando projeto de lei que cria a nova universidade, para acelerar a formação de professores e ampliar a oferta de cursos de graduação a distância. A proposta deve seguir até junho para a Assembleia Legislativa, onde o governo tem maioria. Segundo o coordenador da Univesp, Carlos Vogt, a ideia é montar uma estrutura enxuta, com quadro permanente de 40 professores, dos quais 35 doutores e 5 titulares. 

E um corpo de funcionários técnicos e administrativos de “no máximo” 95 pessoas – neste grupo estão incluídos os tutores, responsáveis por acompanhar os alunos no desenvolvimento das atividades. A equipe ganhará reforços de acordo com a necessidade de preparar cursos e disciplinas. “Contrataremos (professores) por tempo determinado, para cumprir essas tarefas”, afirmou Vogt ao Estadão.edu. Os cursos seguirão o modelo atual, com aulas a distância e encontros presenciais pelo menos uma vez por semana. Depois de criada, a Univesp precisará ser credenciada pelo Conselho Estadual de Educação e pelo MEC, para emitir diplomas. O processo pode demorar entre um e dois anos. Para Vogt, a autonomia permitirá a realização de pesquisas para detectar demandas por novos cursos. “É uma maneira de nós irmos ao encontro da própria cultura da juventude alfabetizada digitalmente.”

O programa Univesp foi lançado em 2008 como um consórcio entre as três universidades estaduais paulistas (USP, Unesp e Unicamp) em parceria com o Centro Paula Souza e a Fundação Padre Anchieta. A ideia era oferecer cursos de graduação, pós e de educação continuada. Na época, o projeto entrou na pauta da greve de professores e servidores. Eles veem na iniciativa o esvaziamento da autonomia universitária e o comprometimento da excelência do ensino superior público. Atualmente, a Univesp tem turmas de duas licenciaturas (em Ciências, em parceria com a USP; e em Pedagogia, com a Unesp) e de duas especializações (em Ética, Valores e Saúde na Escola; e em Ética, Valores e Cidadania na Escola, ambas em convênio com a USP). Também já ofereceu cursos de inglês e espanhol, com 8 meses de duração, a alunos das escolas técnicas e faculdades de tecnologia do Estado (Etecs e Fatecs). 

Os cursos de graduação e pós são semipresenciais, ou seja, têm atividades online e encontros presenciais (que somam de 35% a 60% da carga horária total). Os alunos também assistem a programas produzidos pela Fundação Padre Anchieta e veiculados no canal digital 2.2, da TV Cultura. A seleção dos estudantes é feita pelas universidades, que formulam o conteúdo das disciplinas e emitem os diplomas. Estão em fase final de preparação um curso tecnológico em Processos Gerenciais, em parceria com o Centro Paula Souza, e uma especialização em Formação de Professores de Língua Brasileira de Sinais (Libras), em conjunto com a Unicamp. No País, diz Vogt, o aumento da procura por cursos a distância de formação de professores está ligado à diminuição dessa demanda nas graduações presenciais. “O cidadão quer o diploma, então o Estado precisa oferecer a alternativa do ensino a distância gratuito e de qualidade.”

Para o presidente da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), Frederic Litto, existe uma “atitude elitista” quando servidores e alunos universitários questionam a Univesp. “Em vez de dizer ‘Sim, nós queremos mais paulistas em todo o Estado participando dos cursos’, eles dizem ‘Não, educação a distância não tem qualidade’. Que absurdo! Que comportamento antidemocrático” critica. Bacharel em Geografia pela USP, o professor Rubens Odilon Oliveira Filho, de 32 anos, está fazendo o curso de Pedagogia do programa Univesp. “Todo curso tem problema. Este tem, o da USP também tinha”, diz. Ele voltou a estudar em busca de melhorar a prática de sala de aula e de novas oportunidades profissionais – quer trabalhar com gestão escolar. “O material é de qualidade, os orientadores se preocupam com os alunos e minhas perguntas não ficam sem resposta.” 

O professor Celso Nobuo Kawano Junior, de 25, é aluno da outra licenciatura da Univesp, a de Ciências. Ele se formou em Biologia, em 2007, numa faculdade particular, e foi efetivado no ano passado como professor da rede estadual de ensino. “Biologia me deu formação específica numa área. Com a licenciatura, vou expandir as possibilidades de carreira”, conta Celso, que está no 3.º módulo do curso da USP. “O primeiro módulo foi bem puxado. Estudava de seis a oito horas por dia, e ainda tinha aula presencial todo sábado.” 

O professor diz que olhava a educação a distância com desconfiança antes de ser aluno. “Agora posso dizer que o nível de exigência, a qualidade dos profissionais, a competência, são no mínimo as mesmas.” Marcelo Ishii, de 26 anos, mora em São José dos Campos, mas tem aulas presenciais da licenciatura em Ciências junto com Celso Kawano, no polo de São Paulo. Professor de física e matemática em escolas particulares, Marcelo quis fazer um novo curso superior para “pegar ritmo” e, depois, tentar o mestrado. “Já tentei fazer um curso presencial aqui mesmo, em São José, mas a obrigatoriedade de ir todo dia à noite para a faculdade, trabalhando o resto do dia, deixava as coisas complicadas”, afirma. Ele estuda pelo menos duas horas por dia na Univesp. “Tenho que organizar o horário certinho, senão eu me perco.”

Comento: O ensino à distância (EAD) existe como uma válvula de escape para aqueles que precisam realizar cursos tecnológicos, graduações e especializações e não dispõem de tempo para dedicar à iniciativa, visto que quase sempre turnos maninais e vespertinos são incompatíveis com suas demandas profissionais. Se bem coordenado, um projeto de ensino superior à distância apenas soma, não só para o acadêmico, mas também e principalmente para a sociedade, que agregará mais massa crítica para a construção das políticas de governo e de estado. Pessoalmente, tenho duas especializações e dezenas de cursos profissionalizantes à distância que me foram e estão sendo muito úteis. Recomendo.

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