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19 de janeiro de 2013

As propostas de Salman Khan

Do Estadão:

'Com tecnologia, é possível ter ensino personalizado'

Famoso por suas videoaulas na internet, educador diz que papel do professor mudou e atual modelo de escola está ultrapassado

O educador visita o País pela primeira vez nesta semana para conhecer como anda a educação por aqui  - JIM WILSON/THE NEW YORK TIMES–7/9/2011

De adição às equações diferenciais, inflação à Teoria dos Jogos, história da arte à Guerra da Coreia, é difícil encontrar um assunto sobre o qual o educador norte-americano Salman Khan, de 36 anos, não tenha falado em suas videoaulas de, em média, 12 minutos de duração e que viraram febre mundial.  

Tudo começou despretensiosamente em 2004, quando ele passou a ajudar, de Boston, uma prima com dificuldades em matemática que morava em New Orleans. A solução era utilizar a internet para enviar pequenos tutoriais de aritmética gravados com um software simples de captura de som e imagem. Enquanto escrevia com o mouse na tela do computador, Khan explicava os conceitos.   

Dois anos depois Khan teve a ideia de publicar os vídeos em um canal do YouTube batizado de Khan Academy. O sucesso veio em pouco tempo: as aulas atraíram milhares de visitantes - e também de elogios. Em 2009, o norte-americano pediu demissão do emprego de analista de fundos de investimento para se dedicar exclusivamente à sua academia virtual.   

Os assuntos se diversificaram e hoje, além de matemática, há aulas de ciências, economia e humanidades. A coleção de Khan tem mais de 3,8 mil vídeos, que já foram assistidos pelo menos 224 milhões de vezes só no canal oficial do YouTube.  Apesar do potencial econômico, a Khan Academy é uma organização sem fins lucrativos que vive basicamente de doações de gente como Bill Gates. "Khan é pioneiro de um movimento global de uso da tecnologia para que mais e mais pessoas aprendam, não importa onde estejam. É o início de uma revolução", costuma dizer Gates, ele próprio um fã das videoaulas.

A segunda maior audiência da Khan Academy vem do Brasil. O educador visita o País pela primeira vez nesta semana para conhecer como anda a educação por aqui e divulgar seu livro Um Mundo, Uma Escola. Ele deve se reunir na quarta-feira com a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, em Brasília. Na última quinta-feira, Khan conversou com o Estado por telefone de seu escritório na Califórnia.   

O que o sr. pretende conversar com a presidente Dilma Rousseff?  
Geralmente falo com os governos sobre como ter um sistema de educação mais acessível e equânime. Isso passa pela forma de se certificar conhecimentos. Podemos criar um jeito de as pessoas provarem que sabem algo independentemente do modo pelo qual aprenderam, seja na universidade, na internet, no livro-texto ou no trabalho? Para mim, bastaria ir a um lugar, mostrar a carteira de identidade, fazer uma prova e sair com as credenciais.   

O sr. acha que os diplomas atuais vão perder valor se agora é possível aprender a partir de diferentes fontes e não apenas na escola e na universidade?  
Os diplomas já perderam valor, e não por causa da educação a distância. Se você for a diferentes países, verá que nem todos vão para as melhores universidades. A maioria estuda na sua cidade ou Estado. Mesmo que você frequente uma excelente faculdade, dê duro e aprenda bastante, ainda será difícil para que em outros lugares entendam o que você sabe ou não. O diploma diz muito pouco, é apenas um indicativo de suas competências. Como dar às pessoas algo que deixe evidente o que elas sabem? Precisamos de uma solução para isso.   

Como a Khan Academy deve ser utilizada nas escolas?  
O melhor é caminhar para o modelo de sala de aula invertida em que os alunos aprendam a seu próprio ritmo com a Khan Academy e o professor veja na base de dados quem está com dificuldade e retrabalhar os conceitos em pequenos grupos, pedindo àqueles que já entenderam que ajudem os colegas. Nesse processo, o aluno aprende de forma personalizada e interage com outras pessoas. E assim que compreende o assunto pode fazer um teste. É uma questão de mudar a estrutura e o tempo da sala de aula. As classes devem deixar de se basear nas aulas expositivas, já que agora elas estão disponíveis na internet. Na escola, o tempo deve ser gasto com seres humanos se reunindo e se ajudando.   

Quais são os impactos dessa revolução tecnológica nos professores e qual o papel deles em um mundo no qual os estudantes são mais ativos e autônomos?  
A maior parte do tempo do professor é gasto dando aulas expositivas. E quando ele não está fazendo isso, está criando e corrigindo provas e planejando aulas. Esses aspectos da carreira docente, nos próximos 5 ou 10 anos, poderão ser feitos por meio de ferramentas virtuais sob medida. A resposta à sua pergunta, então, é: interagir com os estudantes. Em vez de isso ocupar 10% do tempo do professor, como vemos hoje, pode se tornar 90% da ocupação dele, ou até 100%.   

Então teremos um professor exercendo mais um papel de tutor? Algo que vemos em universidades como Oxford?  
Exatamente. Várias das vezes em que descrevo esse cenário as pessoas acham que estou tirando a importância do professor no processo educacional, desvalorizando-o. Às vezes um tutor parece menos importante que um professor ou mestre. Mas é como você salientou: este é o modelo de Oxford. Você tem o mestre, pessoa muito talentosa no que faz, que senta com o aluno e o desafia intelectualmente. Para mim, isso exige uma habilidade muito maior do professor do que planejar uma aula e dá-la de modo previsível.   

Só o Estado de São Paulo tem mais de 5 mil escolas e 4 milhões de alunos. Dá para inverter todas as salas de aula da rede?  
Não tenho a ilusão de que isso vai ocorrer da noite para o dia (risos). Mas está acontecendo mais rápido do que eu esperava aqui nos EUA, pelo menos. Temos 20 mil salas de aulas usando a Khan Academy. Não foi por ordem do governo, mas uma decisão dos professores ao perceberem que podem ajudar seus alunos e tornar as aulas mais produtivas. Não se trata de dizer aos docentes o que devem fazer, mas fazê-los entender que isso deixará a vida deles melhor e fará com que gostem mais do trabalho.   

No Brasil, só conseguimos colocar quase todas as crianças na escola há cerca de 20 anos, mas falta qualidade ao ensino público. Como a tecnologia pode ajudar a transformar este cenário?  
Do lado dos professores, ela permite saber com mais precisão se as crianças estão aprendendo. Mas o ideal seria padronizar os critérios de avaliação, para que seja possível comparar o desempenho dos estudantes não só ao dos colegas, mas em uma escala nacional. Isso depende de que o resultado do dever de casa que o aluno faz à noite vá para um sistema integrado da escola, do Estado, do País. Assim, a qualquer momento se pode ter um diagnóstico da educação. O que um professor espetacular pode fazer com esses recursos é inacreditável.   

E pensando no estudante?  
Um aluno brasileiro pode ter acesso à mesma aula de cálculo que o filho de Bill Gates. Não depende mais de sua escola ser boa ou não porque fica numa região pobre da cidade.   

Nosso modelo de salas de aula existe desde o século 18. Estamos desenhando o futuro da educação nos dias atuais?  
Espero que sim. Se as melhores escolas estão fazendo essas mudanças, eu vou copiar. No nível universitário você vê grandes instituições como Stanford, Harvard e MIT dizendo que não há mais sentido em dar apenas aulas expositivas, que o ensino tem de ser mais interativo e personalizado, e que precisamos repensar o significado dos certificados de conhecimento e competências. Quando instituições desse tipo mudam, o efeito se espalha por outras universidades e até no ensino médio. Em cinco anos, as melhores escolas vão estar invertendo a sala de aula, então para o resto dos colégios não será uma questão de 'Devo fazer?', mas de 'Como posso fazer isso também?'.

3 de janeiro de 2013

O PT e a busca frenética da extinção da única escola democrática do Brasil

Do Estadão:

A estatização da escola privada

O governo do PT e seus movimentos sociais que estão encastelados no Ministério da Educação (MEC) e Secretarias de Educação estaduais e municipais vêm seguidamente invadindo a liberdade de ensinar do povo brasileiro. Por um lado, insatisfeitos por não conseguirem a tão propalada educação pública e gratuita de qualidade e, por outro, vendo o avanço da escola privada no número de alunos. Enquanto a escola pública perdeu 2% dos alunos em 2011, comparado com 2010, a escola privada cresceu 20%. Uma ofensa para os burocratas do MEC, já que evidencia o reconhecimento da eficiência, da boa gestão e da diversidade da escola privada no Brasil, pois basta melhorar um pouco a renda que o primeiro investimento da família é na educação dos filhos. E educação de qualidade é na escola privada, que se tornou o sonho de consumo da sociedade.

Pelo artigo 209 da Constituição brasileira, a educação "é livre à iniciativa privada", devendo ser autorizada e podendo ser avaliada pelo poder público. Nos últimos dez anos, o MEC e seus burocratas emitiram milhares de portarias, enviaram grande número de projetos de lei ao Congresso Nacional e alteraram outras tantas, sempre com a desculpa de que a escola privada precisa ser avaliada. Na prática, vêm invadindo a liberdade da escola privada e anulando o direito dos brasileiros de terem uma opção que não seja a escola única e una, ou seja, a escola pública.

A cartada final está no Congresso, com o Projeto de Lei n.º 4.372/2012, que pretende criar mais um órgão público, desta vez sob o nome de Instituto Nacional de Supervisão e Avaliação do Ensino Superior (Insaes). Trata-se da maior aberração jurídico-política dos burocratas do MEC, e com grande risco para a democracia brasileira, caso seja aprovada. Encontra-se na Câmara dos Deputados com prioridade, e o governo tem pressa. Dentre todas as atrocidades, o projeto de lei gasta a maioria dos seus artigos para definir os cargos e o plano de carreira dos seus, mas reserva à escola privada uma verdadeira estatização. 

Nem as universidades federais, que são mantidas pelo Ministério da Educação com os nossos impostos, sofrem tantas interferências e ingerências, mas para a iniciativa privada a proposta do governo prevê de multas a intervenção, com retoques de perversidade, como o pagamento de altíssimas taxas para sustentar a burocracia e comprometer a gerência financeira das escolas. Tudo isso aliado a um tratamento excessivamente rigoroso dispensado às escolas privadas, diferentemente do que se vê com o ensino público, pois se às escolas públicas se aplicasse o mesmo rigor poderia até melhorar a qualidade de que tanto fala. O campo de atuação do Estado é, no máximo, o de fiscalização dos interesses dos cidadãos.

É incompatível com o Estado Democrático de Direito a possibilidade de que a nova autarquia determine a intervenção na atividade empresarial, até mesmo com a designação de interventor. A iniciativa privada não pode ficar sujeita a esse tipo de ameaça, que traz à memória recentes episódios que se acreditavam varridos da História com a implantação da Nova República. Entende-se inadmissível a aplicação de penalidade pessoal que implique a proibição de dirigente empresarial e educacional de exercer a sua atividade profissional, ainda que em outros estabelecimentos. Essa conduta, prevista no projeto de lei, confirma a diretriz abusiva, inconstitucional e autoritária da proposta, que chega às raias de uma sanção penal à pessoa do dirigente.

Não vejo urgência na tramitação de uma lei dessa natureza, pois neste momento, em que o País aguarda uma nova regulamentação da educação, especialmente em razão da proposta de uma reforma universitária e do Plano Nacional de Educação, a ideia da criação do Insaes nem sequer é pertinente, muito menos necessária. Pior que isso, entretanto, é dar ao projeto de lei o rito de assunto prioritário para efeitos de tramitação. Além de todos os fundamentos já externados, não se pode deixar de impugnar a "prioridade" conferida ao projeto do Insaes, que não pode ser aprovado "às pressas", pois, longe de ser um assunto de política de governo, suas propostas geram uma quebra de conceitos e paradigmas que afeta a política educacional do Estado, o que justifica sua tramitação em conjunto com a reforma universitária e, ao mesmo tempo, após amplo e refletido debate com todos os segmentos da sociedade.

Por outro lado, o que vemos são os grandes grupos do ensino superior disfarçados em diversas associações e num Fórum Nacional trocando a liberdade, a autonomia e o direito de ensinar por um "prato de lentilhas". Tanto o governo quanto esses grandes grupos não percebem, não entendem, ou não querem entender, que a educação privada é constituída de milhares de pequenas instituições, de educação infantil, ensino fundamental e médio, cursos técnicos e faculdades, espalhadas por este imenso Brasil, as quais, com propostas focadas e segmentadas, contribuem decisivamente para o pouco desenvolvimento que temos nos últimos anos, empregam formalmente milhares de educadores de nível superior e colaboram decisivamente para o desenvolvimento das cidades e do entorno onde atuam, movimentando o comércio, o mercado locatício e o setor de serviços.

A estatização da escola privada está a caminho e corremos um grande risco de entrar para a História por acabarmos com a única escola democrática do Brasil, a escola particular. Outros países ao redor do globo enfrentaram o mesmo dilema. E onde se preservou o pluralismo de ideias, o respeito à iniciativa privada e o direito à liberdade de escolha venceu a democracia. Essa é a grande lição que os burocratas do MEC se recusam a aprender.

1 de janeiro de 2013

Cidade de Fortaleza desponta como centro de referência na aprovação ao ITA e ao IME

Do Estadão:

Maioria dos aprovados no ITA é do CE

A cidade que lidera a lista dos aprovados no vestibular deste ano do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) é Fortaleza. Das 120 vagas oferecidas, 43 (35,5%) foram conquistadas por alunos da capital cearense, todos de escolas particulares, como 7 de Setembro, Ari de Sá e Farias Brito. No total foram inscritos 7.285 candidatos, sendo 3.708 não optantes pela carreira militar, 2.496 optantes pela carreira militar e 1.081 treineiros. De Fortaleza se inscreveram 782 candidatos, sendo 633 homens e 149 mulheres. Somente duas foram aprovadas. A segunda cidade com mais convocados foi São José dos Campos, no interior de São Paulo, onde fica o instituto, com 41 candidatos (34,5%). O instituto que forma a elite da engenharia nacional tem um dos vestibulares mais difíceis do País. Os convocados devem se apresentar à sede do ITA às 10h do dia 20 de janeiro. 

Veja também:
 
 
Pela primeira vez uma mulher é a mais bem colocada no IME
 
Adriana Nunes, de Fortaleza, é exemplo da força da cidade nas seleções militares.

A cearense Adriana Nunes Sales Lima, de 19 anos, conseguiu quebrar um tabu que já durava 15 anos: ser a primeira mulher a conquistar a maior pontuação geral (ativa e reserva) no vestibular do Instituto Militar de Engenharia (IME). Só a partir de 1996 as meninas foram aceitas na instituição. Ela, que também foi aprovada para o Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos, é um exemplo do sucesso que Fortaleza vem alcançando nas seleções mais difíceis do Brasil. No ITA, um terço dos aprovados vieram da cidade. No IME, esse número foi de 28%.

As notas de Adriana são impressionantes. Em matemática, ela ficou com 9, em física, 9,2, e em química, 9,9. Ao contrário da maioria dos estudantes, ela reconhece que sua maior dificuldade é português, em que ficou com 7,9. A rotina para conseguir o resultado expressivo foi bastante puxada. "Do meu colégio, 17 pessoas foram aprovadas só para o ITA. Durante o último ano, eu estudei de segunda à sexta, de 7h às 22h. No sábado, fazia simulados e depois continuava estudando com amigos. Só no domingo é que descansava um pouco, mas não parava totalmente. Desde o início do ensino médio eu queria os militares. Meu objetivo era engenharia e soube que eram as melhores instituições. Mas realmente não esperava o primeiro lugar", conta Adriana.

O diretor do Colégio Farias Brito, em Fortaleza, onde Adriana estudou, Tales de Sá Cavalcante, diz que a menina sempre teve muito potencial e foi uma ótima aluna. Ele atribui o resultado expressivo dos colégios da capital cearense a intensa competição entre eles por resultados. "Começamos o investimento na preparação para os militares há uns 15 anos e depois outras escolas também fizeram esse trabalho. Nossa participação é muito expressiva nas olimpíadas escolares, principalmente na área de exatas. Até o ex-ministro de Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, me perguntou em uma solenidade qual era o nosso segredo" afirma o diretor.

No ITA, a segunda cidade que mais aprovou alunos foi São José dos Campos, município que é a sede do instituto e tradicionalmente possui altas taxas de aprovação. O custo de vida na cidade mais baixo do que no Rio pesou na escolha de Adriana, que, apesar do primeiro lugar, trocou a Praia Vermelha pelo interior paulista. Apesar do orgulho, a família já sente saudade, que será um pouco amenizada pelos amigos.

PROUNI nas alturas

Do Estadão:

Cresce nota mínima para inscrição no ProUni

O Ministério da Educação (MEC) aumentou a pontuação mínima exigida dos candidatos que vão disputar bolsas do ProUni no primeiro semestre de 2013. Para se inscrever no programa, será necessário ter tirado pelo menos 450 pontos na média das cinco provas do Enem 2012, além de preencher critérios socioeconômicos. Antes, a nota de corte era de 400 pontos. A portaria que regulamenta o processo seletivo foi publicada nesta segunda-feira, 31, no Diário Oficial da União.
O calendário de inscrições e matrículas será divulgado apenas em janeiro. O ProUni oferece bolsas parciais (de 50%) e integrais em instituições particulares de ensino superior. Segundo o MEC, mais de 1 milhão de bolsas já foram concedidas desde a criação do programa, em 2004. A inscrição para o ProUni é gratuita e feita exclusivamente pela internet. Ao se candidatar, o candidato escolhe até duas opções de instituições, cursos e turnos entre as disponíveis, de acordo com sua ordem de preferência e seu perfil socioeconômico.

Podem concorrer às bolsas os estudantes brasileiros que não possuem diploma de curso superior e tenham participado do Enem 2012 - a nota da redação deve ser maior que zero. O candidato deve ter cursado o ensino médio em escola pública ou, em caso de escola particular, na condição de bolsista integral.

Portadores de deficiência também podem se inscrever, assim como professores da rede pública de ensino básico que concorrem a bolsas em cursos de licenciatura, normal superior ou de pedagogia, desde que estejam em efetivo exercício e integrem o quadro permanente da escola em que atuam.
Para concorrer às bolsas integrais o candidato deve ter renda familiar de até um salário mínimo e meio por pessoa. Para as bolsas parciais, a renda familiar deve ser de até três salários mínimos por pessoa.

29 de dezembro de 2012

Escolas KIPP, uma solução para nos livrarmos do sistema de cotas

Do Estadão:

As escolas KIPP estão em evidência

A rede escolar americana KIPP é uma organização sem fins lucrativos que atua em bairros carentes, com a maioria os estudantes de origem humilde, sendo 95% afro-descendentes ou latinos. Esse conjunto de escolas vem chamando a atenção por causa dos bons resultados alcançados nos exames nacionais, pela baixa taxa de evasão e pelo significativo percentual de seus egressos que vão para o ensino superior.

Estas escolas se baseiam em um compromisso firmado entre professores, estudantes e pais para colocar o aprendizado em primeiro lugar. Estudantes só são aceitos nas escolas se eles e seus pais, com o apoio dos professores, se comprometem formalmente a fazer de tudo para que os estudantes aprendam. As escolas se baseiam em altas expectativas de sucesso dos estudantes, nesse compromisso firmado e na dedicação de estudantes, professores e pais, em dias letivos mais longos, com muitas atividades extracurriculares, na autonomia acadêmica e financeira da gestão da escola e no foco explícito que mede resultados pelo desempenho obtido em exames nacionais e na aceitação dos egressos nos cursos superiores. Eles cobram e recebem muito esforço da parte de todos!

As taxas de conclusão do ensino médio dos estudantes que terminaram o ensino fundamental em uma escola KIPP atingem 95%, e 89% de seus egressos são aceitos no ensino superior. É um grande sucesso de resultados. Cerca de 46% de seus egressos terminam a universidade, o que está aquém das expectativas dos dirigentes da KIPP, mas bem acima da média para a mesmo extrato da população, que é somente de 8%.

A minha experiência própria me ensinou que acreditar na capacidade dos estudantes é uma profecia auto-realizável. Se acreditarmos neles, eles aprenderão mais e melhor. O foco excessivo nos resultados dos exames, embora vá contra a posição da maioria dos educadores que defendem, com razão, que a formação ideal do estudante deve ser mais ampla e menos direcionada a exames específicos, deve ser entendido no contexto destas escolas. As escolas KIPP se colocaram em uma guerra, e esta guerra, traduzida na sua missão, é a de trabalhar com os estudantes das regiões mais carentes, que nunca tiveram chance, e prepará-los para se transformar em profissionais de nível superior.

Nesta guerra, a estratégia adotada é o foco nos exames, ou seja, o alcance de uma real oportunidade para esses alunos ascenderem socialmente. A escola não diz que se estivesse tratando com estudantes oriundos de famílias de alto poder econômico e de alto nível cultural adotaria a mesma tática. As escolas KIPP parecem ser um sucesso porque alcançam aquilo que se propuseram a fazer.

Ficam algumas lições: a obsessão pelo sucesso do aluno (a definição de sucesso depende da missão da escola e da aceitação dos pais) é indispensável em qualquer sistema educacional, só se vence com muito esforço de todos, a valorização (não somente na educação) do estudante é uma profecia auto-realizável e, muitas vezes, o ótimo é inimigo do bom (o foco somente nos exames, por exemplo).

16 de junho de 2012

Currículo vitae

Do Estadão:

Além das provas de TOEFL, GMAT, histórico escolar da faculdade e se pertinente da pós graduação, faz parte do application form incluir um CV de 1 a no máximo 2 páginas (cada escola adota sua própria regra quanto ao tamanho). O CV  será usado como um primeiro contato com as principais experiencias do candidato, nas áreas acadêmica, profissional e extra-curricular, nesta ordem. Portanto, é um dos primeiros filtros de seleção no processo. Se o conjunto de histórico escolar, provas e CV não formarem um bom conjunto, o comitê de admissão já manda o e-mail padrão de “sinto muito mas você não foi selecionado”. Aqui vão algumas dicas de como construir um bom CV.

Exemplo de CV


NOME DO CANDIDATO
Nome da rua e número
Cidade, CEP e país
número do telefone
e-mail


EDUCATION:

Nome da  Universidade        Cidade, Estado, País
Nome da Faculdade, Cidade, País
Graduação (Bachelors in XXX), mês e ano, GPA ou posição (e.x. top 5%)
Área de especialização, prêmio recebido, ou posição de importância

(faça o mesmo para outras faculdades)


PROFESSIONAL EXPERIENCE

Nome da Empresa                                       Cidade, Estado
período                       Posição ao deixar a empresa
  • lista de realizações
  • lembre-se de usar os verbos no passado
  • mencione resultados
  • Use o número de bullet points para dar ênfase a posição. Posições mais recentes devem ter mais bullets.

(faça o mesmo para outras empresas)


COURSES


Nome da Empresa/Instituto                                                           Cidade, Estado
período                       Nome do curso, Número de horas
  • Apenas cursos profissionalizantes


ACTIVITIES AND SKILLS
· Línguas e grau de proficiência
· Interesses pessoais que não sejam simplesmente reading e jogging
  • Instituições de caridade das quais faz parte, posição, desde mês/ano
  • Instituições profissionais das quais é membro, posição, desde mês/ano

(pode-se criar subgrupos para destacar os muitos programas, línguas ou interesses)

É muito importante descrever de forma concreta e tangível o que você fez, qual foi o resultado – seja quantitativo ou qualitativo, procurando dar detalhes que mostrem seu nível de responsabilidade e sua capacidade de liderança. Quanto mais concreto e tangível o seu CV, melhor será a visão que o comitê de admissões terá de sua experiência e de como você contribuirá no programa.  Além disso, é provável que o entrevistador receba seu CV e que o utilize como base para a entrevista.

9 de junho de 2012

PIL - Parceiros na aprendizagem

Do Estadão:

Microsoft lança rede social só para professores

A Microsoft desenvolveu uma rede social para conectar professores de todo o mundo. A PIL (sigla em inglês para Parceiros na Aprendizagem), que surgiu como projeto da empresa em 2003, hoje conta com mais de quatro milhões de usuários em 119 países. Segundo o diretor de educação da Microsoft, Emílio Munaro, a meta é dobrar o número de perfis na rede até 2014. "A PIL é um espaço colaborativo, onde professores podem trocar ideias e compartilhar experiências", diz. "O objetivo é falar de educação como um todo, do comportamento de alunos em sala de aula a questões sobre tecnologia no ensino." De acordo com uma pesquisa realizada pela Microsoft, o Brasil está entre os 15 países que mais participam da rede. Para o professor Jorge Cesar Coelho, cadastrado no site há um ano, essa grande participação se justifica pela facilidade de uso das ferramentas da PIL.

"Eu conheço outras redes que oferecem conteúdo educacional, mas geralmente é muito fraco. Elas têm apresentações de PowerPoint e só. Na PIL há mais recursos, que, embora sofisticados, são muito simples de usar", comenta o professor, que mantém um grupo de discussão com colegas de Índia, Estados Unidos, Arábia Saudita e Taiwan graças às ferramentas de tradução da rede. Além de converter textos para 36 idiomas diferentes, a PIL apresenta vídeos tutoriais que ensinam como customizar videogames para fins didáticos ou como criar uma rádio digital para ouvir notícias da época de Pedro Álvares Cabral, por exemplo. "Hoje em dia é preciso estimular o aluno, criar jogos para ele passar de fase, usar a tecnologia de forma mais dinâmica", diz Coelho. 

Embora seja destinada a professores, a PIL, assim como outras redes sociais, não está imune a perfis falsos. De acordo com o diretor de educação da Microsoft, existe uma equipe da empresa responsável por fiscalizar os conteúdos publicados na rede, mas não há como comprovar se determinada conta é mantida por um educador de verdade. Entretanto, segundo o professor Coelho, é possível desconfiar dos perfis fakes. "Quando cadastramos nosso perfil no site, geralmente o atrelamos ao perfil de uma unidade escolar. Se uma pessoa não identifica o lugar onde trabalha, já é considerada suspeita", diz. "Existe uma espécie de autorregulação, mais ou menos como acontece na Wikipedia".

27 de maio de 2012

Educação domiciliar premiada

Do Estadão:

Sem educação formal, irmãos ganham prêmios 


Davi e Jônatas estão com as malas prontas para a primeira viagem ao exterior: vão para a Califórnia em agosto. Ganharam as passagens e a estadia para a Campus Party americana após vencerem um concurso na edição brasileira do evento. Por aqui, eles concorreram com mais de 7 mil "nerds", egressos dos cursos de Engenharia e Ciência da Computação. O currículo dos campeões, no entanto, é bem mais modesto. Eles abandonaram a escola antes de concluir o ensino fundamental. Os dois foram educados pelos próprios pais, em casa. "Se eu estivesse no colégio, estaria entrando na universidade. Em casa, foquei apenas no que gosto. Não perdi tempo nas disciplinas que não me interessam", diz Davi, de 19 anos. Jônatas, um ano mais novo, alfineta: "Mesmo porque o melhor é ter uma boa ideia. Depois, se for preciso, coloco um engenheiro para programar". 

A cada afirmação, os dois olham de soslaio para o pai, sentado no sofá ao lado e se segurando para ele mesmo não responder a todas as perguntas. A cada prêmio dos filhos - só nos primeiros quatro meses deste ano eles já ganharam cerca de R$ 30 mil em concursos - Cléber Nunes se convence ainda mais da decisão tomada no fim de 2005, quando Jônatas e Davi terminaram a 5.ª e a 6.ª série. "Mas, mesmo com todos esses prêmios, ainda dizem que neguei educação para os meninos", diz o pai, referindo-se ao crime de abandono intelectual pelo qual ele e a mulher, Bernadeth Nunes, foram condenados em 2010. Também teriam de pagar uma multa, estimada hoje em R$ 9 mil, pela condenação em um processo na área cível por descumprir o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). "Não quitamos porque temos certeza de que nossos filhos receberam instrução adequada", afirma a mãe.

Quem a vê tão convicta nem imagina que ela era terminantemente contra a decisão do marido. Tanto que, na primeira tentativa de Cleber, no fim de 2004, Bernadeth vetou a ideia. Para convencer a mulher, ele foi aos Estados Unidos, conheceu famílias que praticavam o ensino domiciliar e trouxe uma mala cheia de material sobre o tema. Começava aí seu processo de "doutrinação" que só tem ganhado adeptos. A mais nova convertida é a pequena Ana, a caçula da família. Aos 5 anos, ela já sabe ler e escrever, é fluente em inglês e, apesar de nunca ter frequentado uma escola, tem uma opinião formada sobre o que se aprende na instituição: "Nada".  

A sala de aula da menina é um cantinho do escritório coletivo que fica no térreo do sobrado em que a família vive, no município mineiro de Vargem Alegre. No espaço, as bonecas ficam junto dos livrinhos de tecido costurados por Bernadeth. Enquanto a mãe ensina a menina a ver as horas, Jônatas desenvolve um software para informatizar as mercearias do município, e Davi é capaz de se esquecer de comer só para programar os códigos que darão origem a um programa capaz de ajudar os candidatos a vereador e a prefeito a mapear redutos eleitorais e traçar estratégias de comunicação. Creditam todo o aprendizado à técnica implementada pelo pai, autodidata que saiu da escola no 1.º ano do ensino médio. Assim que os tirou da colégio, Cléber os ensinou lógica, argumentação e aritmética, base a partir da qual eles poderiam estudar o que lhes conviessem. Davi e Jônatas decidiram ignorar disciplinas como química, biologia e geografia. "Por que eu deveria saber o que são rochas magmáticas?", questiona Jônatas. 

Das disciplinas oficiais, ficou somente o inglês. Para estimular a fluência, Cléber comprava cursos de informática em inglês e pedia que os filhos legendassem documentários. Atualmente, cada um faz seu currículo e seu horário. Mas nunca são menos de seis horas diárias, seis dias por semana. Jônatas, webdesigner, dispersa fácil, tanto que decidiu sair do Facebook para não perder tempo. Davi, programador, é mais centrado, cumpre à risca a grade horária colada no mural do seu quarto, ao lado de onde se vê um versículo bíblico em hebraico, idioma que ele aprendeu sozinho com o intuito de compreender melhor textos do livro sagrado. A retirada dos filhos da escola coincidiu com a decisão da família por uma vida mais simples e de retorno a padrões morais descritos na Bíblia. Cléber abriu mão de sua empresa de produtos de aço inoxidável, como troféus e placas de honra, para fabricar as peças no quintal de casa. Bernadeth, que era decoradora e cursava Arquitetura, abandonou o curso e, desde então, dedica-se a cuidar da casa e a alfabetizar a filha.

25 de maio de 2012

O absurdo sistema de cotas raciais - Parte 5

Do Estadão:

Cotas raciais - quem ganha, quem perde? 

Por José Goldemberg (*)

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu recentemente, por unanimidade, que a introdução de cotas raciais no acesso às universidades públicas federais não viola a Constituição da República, seguindo a linha adotada nos Estados Unidos há algumas décadas de introduzir "ações afirmativas" para corrigir injustiças feitas no passado. A decisão flexibiliza a ideia básica de que todos são iguais perante a lei, um dos grandes objetivos da Revolução Francesa. Ela se origina na visão de que é preciso aceitar a "responsabilidade histórica" dos malefícios causados pela escravidão e compensar, em parte, as vítimas e seus descendentes. A mesma ideia permeia negociações entre países, entre ex-colônias e as nações industrializadas, na área comercial e até nas negociações sobre o clima. Sucede que, de modo geral, "compensar" povos ou grupos sociais por violências, discriminações e até crimes cometidos no passado raramente ocorreu ao longo da História. Um bom exemplo é o verdadeiro "holocausto" resultante da destruição dos Impérios Inca e Asteca, na América Latina, ou até da destruição de Cartago pelos romanos, que nunca foram objeto de compensações. Se o fossem, a Espanha deveria estar compensando até hoje o que Hernán Cortez fez ao conquistar o México e destruir o Império Asteca.

É perfeitamente aceitável e desejável que grupos discriminados, excluídos ou perseguidos devam ser objeto de tratamento especial pelos setores mais privilegiados da sociedade e do próprio Estado, por meio de assistência social, educação, saúde e criação de oportunidades. Contudo, simplificar a gravidade dos problemas econômicos e sociais que afligem parte da população brasileira, sobretudo os descendentes de escravos, estabelecendo cotas raciais para acesso às universidades públicas do País, parece-nos injustificado e contraprodutivo, porque revela uma falta de compreensão completa do papel que essas instituições de ensino representam. Universidades públicas e gratuitas atendem apenas a um terço dos estudantes que fazem curso superior no Brasil, que é uma rota importantíssima para a progressão social e o sucesso profissional. As demais universidades são pagas, o que prejudica a parte mais pobre da população estudantil. Essa é uma distorção evidente do sistema universitário do País. Mas o custo do ensino superior é tão elevado que apenas países ricos como a França, a Suécia ou a Alemanha podem oferecer ensino superior gratuito para todos. Não é o nosso caso. Essa é a razão por que existem vestibulares nas universidades públicas, onde a seleção era feita exclusivamente pelo mérito até recentemente. A decisão recente do Supremo Tribunal Federal deixa de reconhecer o mérito como único critério para admissão em universidades públicas. E abre caminho para a adoção de outras cotas, além das raciais, talvez, no futuro.

Acontece que o sistema universitário tem sérios problemas de qualidade e desempenho, como bem o demonstra o resultado dos exames da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) - garantia da qualidade dos profissionais dessa área -, que reprova sistematicamente a maioria dos que se submetem a ele, o mesmo ocorrendo com os exames na área médica. Órgãos do governo como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Ministério da Educação, ou o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, têm feito esforços para melhorar o desempenho das universidades brasileiras por meio de complexos processos de avaliação, que têm ajudado, mas não se mostraram suficientes. Esses são mecanismos externos às universidades. Na grande maioria delas, os esforços internos são precários em razão da falta de critérios e de empenho do Ministério da Educação, que escolhe os reitores, alguns dos quais, como os da Universidade de Brasília, iniciaram o processo de criação de cotas raciais como se esse fosse o principal problema das universidades e do ensino superior no Brasil.

O populismo que domina muitas dessas universidades, há décadas, é a principal razão do baixo desempenho das universidades brasileiras na classificação mundial. Somente a Universidade de São Paulo (USP) conseguiu colocar-se entre as melhores 50 nesse ranking. O problema urgente das universidades brasileiras é, portanto, melhorar de nível, e não resolver problemas de discriminação racial ou corrigir "responsabilidades históricas", que só poderão ser solucionadas por meio do progresso econômico e educacional básico. O governo federal parece ter tomado consciência desse problema ao lançar o programa Ciência sem Fronteiras, que se propõe a enviar ao exterior, anualmente, milhares de estudantes universitários, imitando o que o Japão fez no século 19 ou a China no século 20 e foi a base da modernização e do rápido progresso desses países. Daí o desapontamento com a decisão da Suprema Corte não só por ter sido unânime, mas também por não ter sido objeto de uma tomada de posição de muitos intelectuais formadores de opinião, exceto notáveis exceções, como Eunice R. Durham, Simon Schwartzman, Demétrio Magnoli e poucos outros que se manifestaram sobre a inconveniência da decisão. O único aspecto positivo na decisão do Supremo Tribunal Federal foi o de que simplesmente aceitou a constitucionalidade das cotas raciais, cabendo aos reitores, em cada universidade, adotá-las e implementá-las. Há aqui uma oportunidade para que os professores mais esclarecidos assumam a liderança e se esforcem para manter elevado o nível de suas universidades sem descuidar de tornar o acesso pelo mérito mais democrático, e sem a adoção de cotas raciais, como algumas universidades estaduais de São Paulo estão fazendo.

(*) PROFESSOR EMÉRITO DA USP, FOI MINISTRO DA EDUCAÇÃO

13 de maio de 2012

Search Education, o novo site de pesquisas educacionais do Google

Do Estadão:

Se você digita uma palavra no Google, em menos de um segundo o buscador vai apresentar alguns milhares de resultados que mencionam o termo. Alguns deles, de fato, podem ajudar muito na sua busca; outros, nem tanto. Para ensinar estudantes e professores a separar o joio do trigo e ajudá-los a fazer pesquisas mais qualificadas, o Google lançou, este mês, o site Search Education (www.google.com/insidesearch/searcheducation). Ainda completamente em inglês, o site é voltado a professores interessados em ensinar estratégias de pesquisa a seus alunos ou a usuários que querem otimizar suas buscas. 

“Nós decidimos ensinar a pesquisar porque o Google tem uma gama de ferramentas, mas a maioria das pessoas só conhece parte delas”, diz Tasha Bergsin-Michelson, educadora do Google. Uma das seções do site é a Lessons Plans, ou planos de aula, em português. Nela, é possível encontrar os tutorias em três níveis de dificuldade que ensinam educadores com mais ou menos intimidade com o Google a pesquisar. Os vídeos dão dicas de como escolher os termos de pesquisa mais adequados, entender o resultado da busca, restringir a pesquisa para chegar a melhores resultados e até avaliar a credibilidade da fonte de informação.

A estratégia do Google de falar aos professores tem como objetivo fazer o treinamento chegar aos alunos para torná-los capazes de aprender sozinhos e de ser bons questionadores. “Nós precisamos cultivar a autonomia da aprendizagem nos nossos estudantes, para que, quando eles saírem para o mundo, depois do ensino médio, na faculdade, na carreira ou na vida, eles saibam como pesquisar e pensar criticamente”, diz Anne Arriaga, bibliotecária e membro da equipe de educadores do Google. No Search Education, os professores encontram também uma série de sugestões para desafiar os alunos. Dividido por disciplinas como história, geografia, biologia, o Google Day Challenge propõe atividades em que os estudantes serão testados tanto no conhecimento da matéria quanto nas ferramentas do buscador. Pelo site, o professor recebe dicas de como conduzir o exercício.

As atividades específicas foram desenvolvidas a partir do currículo norte-americano e, por enquanto, não há previsão de que a ferramenta seja traduzida ou adaptada para o ensino brasileiro. Para os vídeos gerais, que falam sobre as funcionalidades do Google, no entanto, as dicas podem ser muito úteis. O único problema é que todos os tutoriais são em inglês. Quem não domina o idioma, porém, pode recorrer à ajuda do próprio Google para decifrá-los. Ao clicar no botão CC, na parte inferior da tela, é possível selecionar a opção de ter a transcrição do áudio. Com o áudio transcrito, é só jogar o texto para ser traduzido pelo Google Tradutor.

29 de março de 2012

Aula de sociologia - Esta é a democracia que o PT quer para você


Essas fotos foram extraídas da matéria do Estadão que retrata o linchamento público promovido por um bando de milicianos pagos pelo erário público e que sinalizam a verdadeira e totalitária face do PT, do PDT, do PCdoB e de outras agremiações viúvas do stalinismo e do maoísmo que ceifaram mais de 100 milhões de opositores onde foram instalados. A existência desses baderneiros, logisticamente organizados e remunerados, ideologicamente deturpados e orientados, remete à construção de um estado repressor de liberdades e de vidas, tal qual existe na Coréia do Norte, em Cuba, no Irã, locais onde o fanatismo cerceia as liberdades fundamentais, como por exemplo a desses septuagenários senhores, que exercendo a mais fundamental das garantias constitucionais, a de se reunir e se expressar, foram vítimas desse constrangimento a céu aberto e em plena luz do dia. Reparem na cusparada que o biltre acima dá na face do senhor na primeira foto. Foi, na verdade, uma grande cusparada na cara da democracia brasileira. As urnas estão ai para cuspirmos na democracia que verdadeiramente o PT quer para você.


28 de março de 2012

Biblioteca???

Do Estadão:

Cerca de 75% dos brasileiros jamais pisaram em uma biblioteca, diz estudo

O desempregado gaúcho Rodrigo Soares tem 31 anos e nunca foi a uma biblioteca. Na tarde desta terça-feira, ele lia uma revista na porta da Biblioteca São Paulo, zona norte da cidade. "A correria acaba nos forçando a esquecer essas coisas." E Soares não está sozinho. Cerca de 75% da população brasileira jamais pisou numa biblioteca - apesar de quase o mesmo porcentual (71%) afirmar saber da existência de uma biblioteca pública em sua cidade e ter fácil acesso a ela. Vão à biblioteca frequentemente apenas 8% dos brasileiros, enquanto 17% o fazem de vez em quando. Além disso, o uso frequente desse espaço caiu de 11% para 7% entre 2007 e 2011. A maioria (55%) dos frequentadores é do sexo masculino.

Os dados fazem parte da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro (IPL), o mais completo estudo sobre comportamento leitor. O Estado teve acesso com exclusividade a parte do levantamento, cuja íntegra será divulgada nesta quarta-feira em Brasília. Para a presidente do IPL, Karine Pansa, os dados colhidos pelo Ibope Inteligência mostram que o desafio, em geral, não é mais possibilitar o acesso ao equipamento, mas fazer com que as pessoas o utilizem. "O maior desafio é transformar as bibliotecas em locais agradáveis, onde as pessoas gostam de estar, com prazer. Não só para estudar."

A preocupação de Karine faz todo sentido quando se joga uma luz sobre os dados. Ao serem questionados sobre o que a biblioteca representa, 71% dos participantes responderam que o local é "para estudar". Em segundo lugar aparece "um lugar para pesquisa", seguido de "lugar para estudantes". Só 16% disseram que a biblioteca existe "para emprestar livros de literatura". "Um lugar para lazer" aparece com 12% de respostas. Perfil. A maioria das pessoas que frequentam uma biblioteca está na vida escolar - 64% dos entrevistados usam bibliotecas de escolas ou faculdades. Dados sobre a faixa etária (mais informações nesta página) mostram que, em geral, as pessoas as utilizam nessa fase e vão abandonando esse costume ao longo da vida.

A gestora ambiental Andrea Marin, de 39 anos, gosta de livros e lê com frequência. Mas não vai a uma biblioteca desde que saiu dos bancos escolares. "A imagem que tenho é de que se trata de um lugar de pesquisa. E para pesquisar eu sempre recorro à internet", disse Andrea. Enquanto folheava uma obra na Livraria Cultura do Shopping Bourbon, na Pompeia, zona oeste, diz que prefere as livrarias. Interessada em moda, ela procurava livros que pudessem ajudá-la com o assunto. 

"Nem pensei em procurar uma biblioteca. Nas livrarias há muita coisa, café, facilidades. E a biblioteca, onde ela está?", questiona. Dez minutos depois, passa no caixa e paga R$ 150 por dois livros. O estudante universitário Eduardo Vieira, de 23 anos, também não se lembra da última vez que foi a uma biblioteca. "Moro em Diadema e lá tem muita biblioteca. A livraria acaba mais atualizada", diz ele, que revela ler só obras cristãs. "Acho que nem tem esse tipo de livro nas bibliotecas."

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19 de março de 2012

Mais uma ... Provinha Brasil

Do Estadão:

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, anunciou nesta tarde a criação de uma prova nacional para medir o grau de alfabetização de crianças de 7 e de 8 anos. O exame, que será aplicado para todos os estudantes a partir do ano que vem, será uma ampliação da Provinha Brasil, que avalia o estágio de alfabetização e de conhecimentos básicos de matemática de estudantes do 2º ano do ensino fundamental. “A Provinha Brasil é amostral. Nós faremos um exame nacional para ver a qualidade do letramento”, disse Mercadante, que participou de um debate promovido pelo Lide, Grupo de Líderes Empresariais, na zona sul de São Paulo. No evento, o ministro disse que a garantia de alfabetização na idade correta, até 8 anos, é a grande prioridade da sua gestão. “O exame será para todas as crianças. Tem custo? Tem. Mas é muito menor que o da ignorância.” Mercadante quer usar o desempenho dos estudantes no exame de alfabetização no Escola Sem Fronteiras, programa que vai oferecer bolsas de estudo em colégios privados de referência, como o Pedro II, do Rio, para professores cujos alunos de destacaram na avaliação. O outro indicador para selecionar professores do Escola Sem Fronteiras será o desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). O ministro disse que professores com desempenho excepcional podem ganhar bolsas de estudo no exterior. “Já recebemos uma proposta da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e estamos discutindo com secretários de Educação, porque isso tem de ser feito em parceria. Quem administra a rede são Estados e municípios”, disse Mercadante. “Estamos chamando os secretários para participar do desenho do programa, da modelagem. Na quinta-feira haverá uma oficina dos secretários para que em conjunto a gente consiga fechar a proposta.”

Comento: Não fosse o custo da logística de um empreendimento dessa monta, que no meu entender não confere retorno algum, a própria inexistência de referencial teórico para se mensurar uma alfabetização bem feita em curto prazo já aponta mais um cavalo de tróia eleitoral que se cria às expensas do erário público. Outro fator que deve ser notado, além da iniciativa elafantesca já citada, é um dos objetivos da coisa que é o de selecionar expoentes desse exame por amostragem para cambiá-los a escolas de referência da educação particular, carimbando a escola pública no nível lamentável em que se encontra... desde a alfabetização.


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16 de março de 2012

Novo ranking de universidades pelo mundo, agora o da Times Higher Education


Do Estadão:

 

A USP (Universidade de São Paulo) deu um salto e aparece entre as 70 instituições de ensino superior com melhor reputação no mundo, segundo ranking do THE (Times Higher Education) publicado em Londres. No levantamento do ano passado, a USP não figurava nem entre as cem melhores. Agora, está na faixa entre o 61º e o 70º lugar. É também a única representante de toda a América Latina na lista. O THE é um dos mais importantes avaliadores de universidades no mundo. Para compor seu ranking de reputação, foram ouvidos 17.554 acadêmicos e pesquisadores de 137 países. Outras instituições no Brasil, como a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), continuam fora da lista das 100 melhores. Eles puderam indicar até 15 instituições que consideram as melhores do mundo em seus campos de estudo. Harvard foi apontada como a melhor universidade. A USP aparece em melhor posição no ranking de reputação (subjetivo) que em outro (objetivo) também feito pelo THE. No ranking geral, que foi divulgado no fim do ano passado e envolve 13 critérios (como relação aluno/professor, quantidade de discentes e docentes estrangeiros, número de trabalhos científicos publicados, dinheiro aplicado em pesquisa etc.), a USP aparece em 178º lugar. A Unicamp, em 286º. Uma boa reputação, assim como uma boa colocação nos rankings com critérios objetivos, pode facilitar a obtenção de dinheiro para pesquisas, atrair estudantes e também professores e pesquisadores capacitados de outros países.

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