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6 de outubro de 2013

A ética familiar e a educação

Da Veja:

O dilema da criação de filhos no Brasil: a ética compensa?

Pais temem ensinar virtudes às crianças e torná-las presas fáceis em um país onde o dever e a verdade parecem vencidos pela mania de levar vantagem

Gabriela Loureiro
Dilema
"Fazer o certo ou ser feliz?", o dilema que mobilizou filósofos gregos se repete na criação dos filhos (Enrico Fianchini/Getty Images/Vetta)
 
A dentista Márcia Costa abomina infrações às leis de trânsito. Em especial, a prática adotada por muitos pais de parar o carro em fila dupla, interrompendo o fluxo de veículos, para deixar os filhos na porta da escola. Ela prefere estacionar seu carro mais longe e fazer os adolescentes caminharem até lá. Não satisfeita, reprova publicamente os motoristas que alimentam a irregularidade. Os filhos protestam: "Que mico!", diz Beatriz, de 15 anos. "Mãe, assim é você quem acaba sendo a chata da história", afirma Lucca, de 12. A guerra à fila dupla envolveu até o marido de Márcia, Marcelo, que certo dia colocou a convicção da mulher à prova: "Você quer estar certa ou quer ser feliz?" É um velho dilema. Filósofos gregos já se faziam a pergunta há mais de vinte séculos: uns defendiam que fazer o que é correto, o que deve ser feito, é o caminho para a felicidade; outros argumentavam que tal conciliação é impossível.

Ética e felicidade na Grécia Antiga​​

Pródico de Ceos (século V a.C.), um sofista, acreditava que ética e felicidade eram excludentes. Ele citava o exemplo da escolha de Hércules. Segundo a mitologia, o herói se deparara com duas deusas, a felicidade e a virtude, que o convidavam a viver duas vias distintas. Hércules optava pela virtude em detrimento dos prazeres passageiros. Já Aristóteles (século IV a.C.) pensava que ética e felicidade eram complementares: a primeira como o meio, a outra, como fim.

O dilema vive no Brasil hoje. E se acirrou há poucas semanas com a publicação do artigo do economista Gustavo Ioschpe, colunista de VEJA, intitulado "Devo educar meus filhos para serem éticos?" Ioschpe revelou a apreensão de criar filhos em uma nação às voltas com problemas éticos de estaturas variadas — da ausência de pontualidade para compromissos à ausência de honestidade para governar. A certa altura, ele apresentou assim seu dilema: "Será que o melhor que poderia fazer para preparar meus filhos para viver no Brasil seria não aprisioná-los na cela da consciência, do diálogo consigo mesmos, da preocupação com a integridade?" Foi a senha para que milhares de leitores se manifestassem, compartilhando apreensão idêntica.

Mais de 30.000 pessoas recomendaram o texto, reproduzido em VEJA.com, utilizando recurso do Facebook; centenas deixaram comentários ao artigo e espalharam as ideias contidas nele pela internet. Muitos aproveitaram a ocasião para contar suas histórias, seus dilemas. É o caso de Márcia Costa e dos demais pais ouvidos nesta reportagem. "Temos que criar nossos filhos para serem do bem ou para se darem bem? A preocupação é o quão inocente nossos filhos vão ser se forem educados para serem do bem", diz a tradutora Samira Regina Favaro Gris. A médica Denise Zeoti acrescenta: "A ideia de passar valores para minha filha e torná-la uma presa fácil me assusta. Quero que ela seja uma pessoa ética, correta, mas não quero que ela seja passada para trás." 

Leitores falam sobre o dilema ético na criação de filhos

Sandra Capaldi Arruda, engenheira florestal, Piracicaba (SP)

Sandra com a filha Laura e o marido, Marco Aurélio
"Havia algumas regras na escola da minha filha. Uma delas: todos os alunos têm que usar uniformes. Outra: na aula de educação física, as meninas devem prender o cabelo. Um dia, fui à escola e percebi que nenhum estudante usava o uniforme. Na aula de educação física, todas as meninas tinham os cabelos soltos. Comecei a me fazer perguntas: 'Se é uma norma, por que ninguém cobra seu cumprimento?' Mais uma: 'Será que estou sendo muito exigente com minha filha?' Apesar das dúvidas, continuo com a certeza de que as regras são importantes. Se você não exige das crianças respeito às normas, como querer que elas façam isso quando forem adultas?"

Do ponto de vista filosófico, ética é um conjunto de valores e princípios que define os limites de ação de cada ser humano. "Esse conjunto nos orienta em três questões fundamentais, intrinsicamente ligadas à nossa liberdade individual: Quero? Posso? Devo? Minha resposta depende dos princípios éticos que adoto", diz o filósofo Mario Sergio Cortella. É uma questão simples de compreender quando aplicada à prática. De maneira geral, queremos muitas coisas: em alguns casos, podemos até obtê-las (ou realizá-las), mas, em outros, não devemos alcançá-las. Pode ser o caso de parar o carro em fila dupla na porta da escola dos filhos; pode ser o caso de desviar dinheiro dos cofres públicos. Pessoas eticamente saudáveis, prossegue a filosofia, são aquelas que podem, mas não fazem o que é errado.

Cortella: felicidade com ética
Quando se trata de ética, portanto, há sempre um choque entre princípios e ações individuais e coletivos. Seria mais correto, aliás, falar em éticas — no plural. Cortella tem um inusitado exemplo para explicar como elas se chocam, e como, no convívio social, a ética se impõe aos interesses individuais. É a análise do caso de uma casca de banana atirada ao chão. "Quem a atirou ali propositalmente seguiu a ética tola, egoísta. Quem viu a casca, mas não a retirou, agiu segundo a ética da omissão. Finalmente, quem jogou a casca no lixo seguiu a ética da vida coletiva."

Criar filhos no Brasil demanda preocupação extra por causa dos tipos de ética que se chocam no ambiente público. Afinal, como convencer os filhos de que é preciso falar sempre a verdade quando um deputado federal preso por desvio de dinheiro público é absolvido por seu pares, que asseguram a ele o mandato de representante do povo? "Uma sociedade em que os poderosos não são presos, em que nem todos são iguais perante a lei, vive uma contradição ética. Em público você quer parecer igualitário, mas por baixo dos panos, para seus parentes, você usa a ética da desigualdade", diz o antropólogo Roberto Da Matta.

A ética — a da igualdade — pode ser o caminho mais longo e árduo para os brasileiros, em geral, e para os pais, em particular, rumo à felicidade. Mas é, segundo filósofo Cortella, certamente o único. "Não é possível ser feliz quando não se tem paz de consciência. Quem age de acordo com a conveniência do momento, prega uma ideia e aplica outra, não terá essa paz. Esse sofre de esquizofrenia ética", diz. "Agir de acordo com o que consideramos correto é o que traz paz de espírito." No artigo que levantou a discussão, Gustavo Ioschpe, logo após apresentar seu dilema, concluiu que deixar de transmistir a seus filhos um legado ético era uma decisão insustentável. O norte é mesmo a ética.

27 de maio de 2012

Educação domiciliar premiada

Do Estadão:

Sem educação formal, irmãos ganham prêmios 


Davi e Jônatas estão com as malas prontas para a primeira viagem ao exterior: vão para a Califórnia em agosto. Ganharam as passagens e a estadia para a Campus Party americana após vencerem um concurso na edição brasileira do evento. Por aqui, eles concorreram com mais de 7 mil "nerds", egressos dos cursos de Engenharia e Ciência da Computação. O currículo dos campeões, no entanto, é bem mais modesto. Eles abandonaram a escola antes de concluir o ensino fundamental. Os dois foram educados pelos próprios pais, em casa. "Se eu estivesse no colégio, estaria entrando na universidade. Em casa, foquei apenas no que gosto. Não perdi tempo nas disciplinas que não me interessam", diz Davi, de 19 anos. Jônatas, um ano mais novo, alfineta: "Mesmo porque o melhor é ter uma boa ideia. Depois, se for preciso, coloco um engenheiro para programar". 

A cada afirmação, os dois olham de soslaio para o pai, sentado no sofá ao lado e se segurando para ele mesmo não responder a todas as perguntas. A cada prêmio dos filhos - só nos primeiros quatro meses deste ano eles já ganharam cerca de R$ 30 mil em concursos - Cléber Nunes se convence ainda mais da decisão tomada no fim de 2005, quando Jônatas e Davi terminaram a 5.ª e a 6.ª série. "Mas, mesmo com todos esses prêmios, ainda dizem que neguei educação para os meninos", diz o pai, referindo-se ao crime de abandono intelectual pelo qual ele e a mulher, Bernadeth Nunes, foram condenados em 2010. Também teriam de pagar uma multa, estimada hoje em R$ 9 mil, pela condenação em um processo na área cível por descumprir o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). "Não quitamos porque temos certeza de que nossos filhos receberam instrução adequada", afirma a mãe.

Quem a vê tão convicta nem imagina que ela era terminantemente contra a decisão do marido. Tanto que, na primeira tentativa de Cleber, no fim de 2004, Bernadeth vetou a ideia. Para convencer a mulher, ele foi aos Estados Unidos, conheceu famílias que praticavam o ensino domiciliar e trouxe uma mala cheia de material sobre o tema. Começava aí seu processo de "doutrinação" que só tem ganhado adeptos. A mais nova convertida é a pequena Ana, a caçula da família. Aos 5 anos, ela já sabe ler e escrever, é fluente em inglês e, apesar de nunca ter frequentado uma escola, tem uma opinião formada sobre o que se aprende na instituição: "Nada".  

A sala de aula da menina é um cantinho do escritório coletivo que fica no térreo do sobrado em que a família vive, no município mineiro de Vargem Alegre. No espaço, as bonecas ficam junto dos livrinhos de tecido costurados por Bernadeth. Enquanto a mãe ensina a menina a ver as horas, Jônatas desenvolve um software para informatizar as mercearias do município, e Davi é capaz de se esquecer de comer só para programar os códigos que darão origem a um programa capaz de ajudar os candidatos a vereador e a prefeito a mapear redutos eleitorais e traçar estratégias de comunicação. Creditam todo o aprendizado à técnica implementada pelo pai, autodidata que saiu da escola no 1.º ano do ensino médio. Assim que os tirou da colégio, Cléber os ensinou lógica, argumentação e aritmética, base a partir da qual eles poderiam estudar o que lhes conviessem. Davi e Jônatas decidiram ignorar disciplinas como química, biologia e geografia. "Por que eu deveria saber o que são rochas magmáticas?", questiona Jônatas. 

Das disciplinas oficiais, ficou somente o inglês. Para estimular a fluência, Cléber comprava cursos de informática em inglês e pedia que os filhos legendassem documentários. Atualmente, cada um faz seu currículo e seu horário. Mas nunca são menos de seis horas diárias, seis dias por semana. Jônatas, webdesigner, dispersa fácil, tanto que decidiu sair do Facebook para não perder tempo. Davi, programador, é mais centrado, cumpre à risca a grade horária colada no mural do seu quarto, ao lado de onde se vê um versículo bíblico em hebraico, idioma que ele aprendeu sozinho com o intuito de compreender melhor textos do livro sagrado. A retirada dos filhos da escola coincidiu com a decisão da família por uma vida mais simples e de retorno a padrões morais descritos na Bíblia. Cléber abriu mão de sua empresa de produtos de aço inoxidável, como troféus e placas de honra, para fabricar as peças no quintal de casa. Bernadeth, que era decoradora e cursava Arquitetura, abandonou o curso e, desde então, dedica-se a cuidar da casa e a alfabetizar a filha.

26 de maio de 2012

A busca da relação escolar perfeita

Do Educar para crescer:

O que fazer quando seu filho não gosta do professor

Por Letícia Mori

A criança chega em casa chateada, jogando a mochila no chão e reclamando da escola. Você ouve que o professor não gosta do seu filho ou que seu filho não gosta do professor. A reação natural de qualquer pai é ficar alarmado. Mas é preciso tentar manter a calma. A forma como você lida com a situação pode tornar as coisas muito melhores ou muito piores. Procurar uma resolução pacífica garante o melhor resultado para a vida escolar do seu filho, já que uma boa relação entre o aluno e o professor é um dos fatores que mais influenciam na aprendizagem, segundo a psicóloga e pedagoga Neide Saisi, da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). Tanto adultos quanto adolescentes e crianças só aceitam que outra pessoa os ensine quando existe uma relação de confiança. "A pessoa só aprende com aqueles a quem ela delegou o direito de ensinar. E ela só dá esse direito a quem ela confia. É um processo inconsciente", explica a pedagoga.  

E para estabelecer essa confiança, primeiro é preciso criar um laço afetivo. A relação de afeto é fundamental principalmente nos primeiros anos de escola. Se a convivência com o professor é ruim, o aluno começa a rejeitar o processo de aprendizagem e se torna indócil e desinteressado. Por extensão, ele deixa de gostar da escola. "Ela deixa de ser um fato de desenvolvimento e aprendizado e passa ser um local de punição", diz Saisi. Seu filho tem dificuldades nos estudos, notas baixas ou simplesmente tem mostrado o desejo de não ir para a escola? Vale a pena perguntar como anda o relacionamento dele com os professores. Nem sempre crianças e adolescentes deixam claro como é essa relação e os pais acabam não percebendo que esse é um dos fatores do problema. A boa notícia é que na maioria das vezes é possível resolver o conflito por meio do diálogo. 

"Basta os dois lados estarem abertos", diz a psicóloga Sueli Conte, autora do livro "Bastidores de uma Escola" (Editora Gente) e atual diretora do Colégio Renovação, em São Paulo. Segundo ela, o primeiro passo é descobrir qual a origem da desavença, que pode ser resultado tanto do comportamento da criança ou até mesmo do docente. "O professor é um ser humano, ele também erra", explica Neide Saisi. Classes lotadas, estresse, problemas emocionais... Tudo isso pode levar o educador a ter atitudes inadequadas. "Mas normalmente ele é bem intencionado e está disposto a se corrigir se perceber se agiu de forma injusta", afirma Sueli Conte. As especialistas dão quinze dicas para você resolver o problema do seu filho com o professor da melhor forma possível e garantir que a experiência dele na escola seja prazerosa e educativa.

1) Não assuma imediatamente a posição negativa da criança

Todo mundo pode se enganar ao julgar o caráter dos outros. Crianças e adolescentes estão ainda mais sujeitos a se deixarem levar pelas emoções. "Eles podem interpretar a atitude do professor de forma errada", diz a psicóloga Sueli Conte. Antes de achar que o educador é um carrasco, ao menos leve em conta essa possibilidade. Acalme seu filho e peça para ele explicar melhor a situação.

2) Ouça bem e fique atento aos detalhes

Se seu filho fizer afirmações genéricas como "minha professora é má", tente entender o que exatamente ele quer dizer com isso. Descubra o maior número de detalhes sobre a situação que o levou a pensar desse jeito. Será que a professora o humilhou na frente da classe ou apenas exigiu que ele fizesse o exercício? Segundo a psicóloga Sueli Conte, autora do livro "Bastidores de uma escola", é importante perguntar de maneira casual para que a criança não seja levada a exagerar a situação. Assim você pode julgar com clareza se a atitude foi realmente inadequada ou se a criança interpretou de maneira incorreta uma exigência razoável.

3) Encontre a orígem do problema

Muitas vezes o aluno cria rancor do professor simplesmente porque não consegue entender o que ele está explicando. "Para existir afeto entre os dois, o mestre precisa respeitar o nível de desenvolvimento do aluno e sua personalidade", explica a psicopedagoga Neide Saisi, da PUC-SP. Alunos tímidos, por exemplo, podem acabar recebendo menos atenção e sentirem-se rejeitados. Tente entender qual a origem do conflito para estar preparado quando for conversar com o professor e com a escola.

4) Confirme se o desgosto é com o educador ou com a matéria

Se o aluno tem alguma defasagem de ensino ou dificuldade natural com uma disciplina específica, pode transferir o sentimento negativo para quem ministra a matéria. "Se não gosta do assunto, a criança ou adolescente também tende a ser mais indisciplinado, e consequentemente, mais repreendido", diz a psicopedagoga Neide Saisi, da PUC-SP. Nesse caso, explique a importância de aprender aquela disciplina, tente ajudá-lo com as tarefas e converse com a escola para que ele receba reforço. Aulas particulares também podem ajudar.

5) Avalie o comportamento de seu filho

Pode ser que ele não seja indisciplinado em casa, mas tenda a ultrapassar os limites na escola. Nem sempre as crianças se comportam da mesma forma nos dois ambientes. "Se a criança tem atitudes rebeldes e desafiadoras na sala de aula, a família tem de tentar resolver essa questão em casa", diz a psicóloga Sueli Conte, autora do livro "Bastidores de uma Escola" (Editora Gente). Mas não pergunte se ele fez algo de errado, isso pode parecer uma acusação. Peça a ele para pensar em quais atitudes poderiam estar deixando o professor bravo e ajude-o modificar esse comportamento.

6) Procure causas externas

Desavenças familiares, brigas com colegas e até problemas de saúde podem levar as crianças e se tornarem agressivas na escola, segundo a psicopedagoga Neide Saisi, da PUC-SP. "É importante resolver fora da sala de aula tudo o que possa levar o aluno a ‘descontar’ suas frustrações nesse ambiente e acabar entrando em conflito com o professor", diz ela.

7) Não faça acusações

A relação com a criança é um problema a ser resolvido, não uma briga a ser ganha. Deixe claro para o professor que não está fazendo acusações, apenas mostrando como seu filho se sente e tentando entender o porquê. "A conversa com o professor pode ser muito rica se os pais estiverem abertos ao diálogo", afirma Sueli Conte, psicóloga e diretora do Colégio Renovação, em SP. "Mas se eles chegarem brigando, exaltados, podem piorar uma situação que seria simples de resolver".

8) Esteja disposto a ouvir mais do que falar

A ideia da conversa é compreender o que está fazendo seu filho sentir que o professor não gosta dele e vice-versa. "Muitas vezes o professor nem sabe que existe um problema", afirma a psicopedagoga Neide Saisi, da PUC-SP. Explique, diga que está preocupado com a situação e peça para o docente contar seu ponto de vista. Assim vocês podem pensar em conjunto qual a melhor solução para todos.

9) Compartilhe informações que ajude o professor a entender seu filho

Se a criança acabou de perder alguém da família ou teve uma experiência traumática na escola, é natural que deixe de fazer as tarefas, fique triste etc. Explique que não quer justificar a falta de disciplina. Segundo a psicopedagoga Neide Saisi, da PUC-SP, passar para o professor informações sobre o passado do seu filho ajuda o educador a entender a atitude do aluno em relação ao aprendizado e adaptar a forma como se relaciona com ele.

10) Participe ativamente da educação de seu filho

A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo aconselha os pais a participar de reuniões de pais e mestres e outras solicitadas pela escola, acompanhar as provas e tarefas dos filhos e verificar o desempenho da criança através dos seus cadernos. "A presença dos pais na educação escolar de seus filhos constitui requisito fundamental para a aprendizagem do aluno", afirma a secretaria em nota. Essa é também a opinião da psicóloga e diretora do Colégio Renovação, Sueli Conte. "Entrar sempre em contato com a escola, não apenas quando há um problema, ajuda a criar confiança tanto dos pais em relação à escola quanto da escola em relação aos pais. Assim fica mais fácil resolver problemas quando eles aparecem", diz ela.

11) Não critique o professor na frente do aluno

Por mais crítico que o problema pareça, não fale mal do docente para a criança ou na frente dela. É o que aconselha a psicóloga Sueli Conte, autora do livro "Bastidores de uma Escola" (Editora Gente). Segundo ela, isso só vai aumentar a raiva do seu filho, torná-lo menos aberto a trabalhar para que o relacionamento melhore e reforçar a ideia de que o professor é um "vilão". Isso pode se estender para uma visão negativa de professores em geral e comprometer sua aprendizagem para o resto da vida escolar.

12) Não prometa uma solução instantânea

Diga para seu filho que se importa com o que está acontecendo e vai fazer de tudo para que a situação melhore. Mas explique que você não vai simplesmente ir até a escola e acabar com o problema. "O aluno não pode achar que é só o pai aparecer, brigar com a escola e vai ficar tudo bem. Nessas situações, é preciso a colaboração de todos: da família, da escola, do professor e da criança também", diz Sueli Conte. Por isso os pais devem mostrar que é preciso trabalhar em conjunto e que pode levar algum tempo até que as coisas se acertem.

13) Explique para seu filho a importância de aprender a matéria mesmo não gostando do professor

Ajude a criança ou o adolescente a entender que todas as disciplinas escolares são importantes para o seu desenvolvimento. Elas vão ser úteis em algum momento e é essencial que ele aprenda. Durante a vida vai haver diversas situações nas quais ele terá que trabalhar com alguém por quem não sente simpatia. "Às vezes o problema do aluno pelo professor é só uma questão de personalidade, de empatia. Principalmente entre alunos mais velhos", explica Sueli Conte, psicóloga e autora do livro "Bastidores de uma Escola" (Editora Gente). Se o aluno não for muito pequeno e se o conflito não for grave, o ano em que estudar com aquele professor pode ser uma oportunidade para seu filho aprender a lidar com diferenças de personalidade.

14) Forme um grupo com outros pais

Procure os pais de outros alunos para verificar se o problema se repete com eles. "Se várias pessoas estão reclamando do mesmo professor, então não é um problema pontual", afirma a psicopedagoga Neide Saisi. Se vários pais já tentaram resolver a situação sem sucesso, pode ser o caso de vocês formarem um grupo e entrarem em contato com a escola em conjunto.

15) Procure a escola e outras instâncias de ensino

Se você constatar que o professor realmente está agindo de maneira inadequada, procure o coordenador pedagógico ou o diretor da escola. No Estado de São Paulo, a rede pública também conta com o Professor-Mediador Escolar e Comunitário que auxilia nesse tipo de caso. "Às vezes o problema é realmente o professor. Acontece. Nesse caso a escola tem que tomar providências", afirma a psicopedagoga Neide Saisi. Se mesmo assim o problema persistir, e você não puder ou não conseguir mudar se filho de escola, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo informa que é possível pedir a intervenção de instâncias superiores de ensino por meio de um processo formal. Procure a Secretaria de Educação do seu estado para saber quais são os procedimentos na sua região do país.

11 de maio de 2012

A mãe educadora, que muito mais que um dia, terá uma vida

Do Educar para crescer:











No meu entender, se 7 destas 10 propostas são executadas conscientemente, há uma grande educadora dentro de você, mãezona.

7 de abril de 2012

Notas vermelhas - O que não fazer diante delas

Do Educar para crescer:

10 atitudes negativas quando chega um boletim vermelho

Por Ligia Menezes

1. Reagir com agressão física ou verbal é o erro mais grave. Em vez de estimular a criança a estudar, você acaba deixando-a com medo ou raiva.

2. Comparar o desempenho da criança com os colegas dela ou com seu desempenho escolar de anos atrás. "É importante que o filho sinta que os pais têm confiança nele, mesmo nos momentos de crise. Isso pode ser motivador para reverter a situação", indica Marta Campos, da Escola Viva.

3. Usar termos que diminuam a criança ou que mostrem que ela é incapaz de reverter a situação. "Dizer 'eu avisei' também não é indicado, assim como ter sermões prontos. É importante agir com a razão e não com a emoção", diz Edson D'Addil, orientador educacional do Colégio Vértice, em São Paulo.

4. Negociar com a criança, oferecendo benefícios materiais, caso ela melhore suas notas. Pior ainda é prometer coisas que ela sabe que você não conseguirá cumprir.

5. Exigir além da possibilidade de rendimento da criança para a idade dela.

6. Desautorizar a escola e falar mal dos professores para a criança.

7. Aceitar justificativas que retirem a responsabilidade dela sobre o resultado.

8. Fazer drama ou chantagem emocional com a criança.

9. Não impor uma rotina de estudos para a criança ou não cobrá-la para cumprir essa rotina.

10. Apenas colocar a criança de castigo, sem nem ouvir o que ela tem para falar.

6 de abril de 2012

Assiduidade - Quando a família pode contribuir

Do Brasil Escola:

Seu filho falta à aula?

Por Patrícia Lopes


Se diante de qualquer coisa que aconteça, como uma ameaça de dor, mudança de clima ou feriadão, você acha melhor seu filho não ir à escola, saiba que a presença diária dele em sala de aula é tão importante quanto nos dias de avaliações. Os especialistas apontam que a falta faz com que a criança perca a seqüência de ensino dos conteúdos. Por isso é interessante você estar atento para que ele não falte por qualquer motivo. Converse com o seu filho sobre o conceito de responsabilidade, mostrando que esta é uma fase importante que ele está vivenciando e que as faltas irão prejudicá-lo.

Geralmente as crianças gostam de ir à escola. Apesar de algumas chorarem nos primeiros dias, logo a situação muda, quando percebem o quanto é bom o convívio com os colegas e professores. Sendo assim, fique atento a alguma resistência da criança em ir à aula. Procure conversar com o professor ou o coordenador pedagógico sobre a situação antes que as faltas tragam prejuízos na aprendizagem da criança. Outra forma de você colaborar com o aprendizado do seu filho, é não deixar que ele falte à aula em razão de um compromisso seu como, por exemplo, uma viagem.

Chupeta ou não chupeta, eis a questão - Parte II - Causas e consequências

Do Brasil Escola:
 
Chupeta: Ajude seu filho a deixá-la

Por Elen Campos Caiado (*)


A relação da chupeta com a dentição da criança.

Considerada como peça fundamental do enxoval do bebê, a chupeta tem sido motivo de questionamentos entre os profissionais da saúde, apesar de ser considerada pelas mães essencial para seus bebês, visto que apresenta a funcionalidade de acalmar a criança, pode vir a ocasionar futuros problemas. Na verdade, o ideal é a mãe desde o primeiro momento que descobre a vinda do bebê, buscar saber tudo o que há de mais moderno, no sentido de propiciar ao filho um bom desenvolvimento, não apresentando condutas que possam vir a comprometer a evolução do bebê. O uso da chupeta em especial, é um dos assuntos que geram mais controvérsias entre pais e especialistas. Os pais apresentam inúmeras dúvidas que colocam em questionamento se oferecem ou não a chupeta para o bebê, já preocupados com questões como:

Devo dar chupeta ao meu filho?
• A chupeta prejudica o aleitamento materno?
• O uso prolongado da chupeta prejudica a dentição e a fala da criança?
• Se meu filho usar a chupeta só para dormir pode ser prejudicial?
• O que prejudica mais: chupar chupeta ou o dedo?
• Como tirar a chupeta dele?
• Crianças que chupam chupeta dormem melhor à noite?
• A chupeta prejudica a respiração?
• Ela prejudica também a dicção e a dentição?

Antes de oferecer a chupeta, as mamães e papais devem pensar nas conseqüências que isso trará para o seu pequeno. Por mais surpreendente que seja para muitos pais, o bebê não precisa da chupeta, sendo esta responsável em trazer sérias conseqüências para a criança, que em determinados casos seguem por toda a vida. Por exemplo:

• Respiração oral, resultando em sono agitado, alteração de postura, ronco...
• Alteração da arcada dentária, Provocando mordida aberta e ou mordida cruzada;
• Dificuldade em deglutir, mastigar, e falar;
• Apresenta face desarmônica, devido à alteração da dentição, bem como a flacidez da bochecha, lábios e língua, entre outros.

É fato que a chupeta acalma a criança, visto que ela apresenta grande necessidade de praticar a sucção, porém, o aleitamento materno realiza essa função. Ressalta-se que a criança que utiliza chupeta, tende a apresentar o desmame precoce. As crianças que por algum motivo não tiverem como amamentar, recomenda-se o uso de copos que apresentam bicos com válvulas, que necessitam do esforço do bebê para retirar o leite. Evitando o uso da mamadeira, visto que é tão prejudicial quanto à chupeta. Aos pais e /ou responsáveis por crianças que utilizam a chupeta e se negam a abandoná-las, segue abaixo algumas orientações com o objetivo de evitar possíveis problemas nos baixinhos:

1. Reduza o tempo em que utiliza a chupeta, dando intervalos;
2. Caso a criança tenha o hábito de manter tal objeto pendurado na roupa elimine-o imediatamente;
3. Busque substituir a chupeta por um objeto que ela goste ou que possa ser colocado na boca;
4. Elimine o hábito de substituir a chupeta velha pela nova, pois segundo especialistas a criança tende a perder o interesse em sugá-la por perder o gosto característico de tal objeto.
5. Faça uma combinação com a criança estabelecendo uma data para tirar a chupeta, de forma que os pais ou responsáveis não voltem atrás.
 
Caso volte atrás, a criança não irá entender sempre que você devolver.

(*) Graduada em Fonoaudiologia e Pedagogia

29 de março de 2012

Fracasso escolar - Afinal, de quem é a culpa?

Do O Globo:

O aluno não aprende porque os pais não o acompanham? Para 88% dos professores do nível fundamental da rede pública no país, sim. Quase 81% também acreditam que um aluno não vai bem na escola porque não se esforça. Os dados fazem parte de um levantamento feito pelo Movimento Todos Pela Educação em respostas dadas por professores da rede pública na Prova Brasil, do Inep. E levantam a questão: num sistema educacional público com má remuneração para o magistério e escolas mal equipadas, que recebem estudantes em que a própria família já tem, em geral, baixa escolaridade e frágil nível cultural, de quem é a culpa pelo mau aluno?


No Questionário do Professor da Prova Brasil de 2009, os professores receberam uma lista de possíveis causas para problemas de aprendizagem dos estudantes, para dizer com quais causas mais concordavam. Quase todos concordaram com as respostas "Falta de assistência e acompanhamento da família nos deveres de casa e pesquisas do aluno" e "Desinteresse e falta de esforço do aluno". Respostas que poderiam mostrar a responsabilidade do professor ou da escola — "Baixo salário dos professores, que gera insatisfação e desestímulo para a atividade docente" e "Escola oferece poucas oportunidades de desenvolvimento do aluno" — tiveram 30,5% e 27,4%, respectivamente.

— Como a educação depende de vários setores, é esperado que um jogue a responsabilidade para o outro. Se você for perguntar para muitos pais, eles vão dizer que a escola não ensina direito. Mas, apesar de esperada essa responsabilização do outro, é preocupante que o professor coloque a culpa na família, se pensarmos que, nas escolas públicas, em diversas vezes não lidamos com crianças imersas no mundo letrado. Jogar a culpa para a família, nesses casos, é o professor falar "não consigo lutar contra isso". Nesse tipo de realidade, a função da escola pública é essa mesmo, é exercer um papel que a família e o meio em que o aluno vive não estão conseguindo cumprir. O contrário seria condenar a criança pobre a não aprender — analisa Priscila Cruz, diretora-executiva do Todos Pela Educação.

Se a família não consegue acompanhar a educação do aluno, diz Priscila, o papel da escola seria achar maneiras de estimular esse acompanhamento. — Não podemos partir da suposição de que a família não apoia porque não quer. Às vezes é porque não sabe mesmo, em muitos casos os pais estudaram menos do que o filho. Além disso, a escola reclama que os pais não vão às reuniões, mas as marca na terça às 9h. A classe trabalhadora trabalha na terça às 9h — destaca Priscila, para quem o baixo número de respostas de professores colocando a responsabilidade no nível salarial e no desestímulo que isso provoca também era esperado. — Seria até antiético, eles estariam admitindo que dão uma aula ruim.

Em áreas com indicadores sociais críticos, como Norte e Nordeste, a falta de acompanhamento da família às vezes tem a ver com problemas como o analfabetismo. Ramone Maria do Nascimento, do bairro de Afogados, em Recife, tem duas filhas na escola, Vanessa e Vandressa, alunas do colégio municipal Mércia Albuquerque. A mãe não sabe sequer escrever o nome todo: — Vanessa precisou de muita ajuda na escola. Pedia às colegas para ensinar, pois não sei ler. Vanessa, de 11 anos, escreve com desenvoltura, mas não sabe pontuar. Não leu um só livro em 2011 ou este ano.

Na casa de Cássia Cristina da Silva, no mesmo bairro, são quatro os filhos na escola. Com pai pedreiro com pouco estudo e ela analfabeta, as crianças só não tiveram mais dificuldades porque os pais pagaram reforço. — Hoje um reforço aqui no bairro está entre R$ 35 e R$ 45 por aluno. A gente não pode mais — reclama Cássia, que este ano comemorou o fato de a filha Cassiana ter conseguido um colégio com tempo integral. No Mércia Albuquerque, a diretora Maria José Moura acha que atribuir culpa aos pais ou alunos é raciocínio distorcido: — São vários fatores em comunidades como esta, com histórico de violência. A maioria dos alunos não tem pai. Outros estão com o pai preso ou envolvido com o tráfico. A comunidade não tem banheiro. Muitos alunos passavam muito tempo no banheiro, e descobri que era para aproveitarem o chuveiro, a torneira, que não têm em casa.

Mudar a forma de participação da família parece ser a saída, afirmam pesquisadores. — Nas séries iniciais, acredito que a responsabilidade maior pela educação da criança seja da escola, porque são alunos mais interessados. A partir da adolescência, o interesse da família em acompanhar ganha peso maior. Agora, é mais fácil culpar os pais, quando a leitura correta é: como a escola pode mudar para conquistar esses pais? — diz João Batista Oliveira, presidente do Instituto Alfa e Beto. — A escola trata o pai mal, só fala mal do filho. O pai não volta a segunda vez. Quando a escola poderia, em vez disso, falar sobre o que o filho tem de bom. Se o aluno picha, como converter aquilo num trabalho com artes, por exemplo. Em vez de chamar o pai só para reuniões, chamá-lo para falar de cursos para esse pai.

— A família de aluno de rede pública em geral participa pouco. O problema são as condições de participação, que afetam a qualidade dela. A escola tem de melhorá-las — afirma Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação. — Estudos mostram que o chamado efeito-família tem peso similar no aprendizado ao do efeito-escola. Mas, no Brasil, o efeito-família tem um obstáculo, a baixa escolaridade de boa parte das famílias. Aí, a escola é que tem de ser a diferença. No bairro Jockey, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio, o modo que a Escola Estadual Professora Odyssea Silveira de Siqueira encontrou para atrair a família foi, além das tradicionais reuniões de pais, chamar para palestras sobre temas como drogas e gravidez; e para comemorações como desfiles ou o aniversário da escola. No início de 2011, quando o colégio ficou sem diretor por alguns meses, pais de alunos chegaram a se reunir para ajudar na limpeza e na manutenção do espaço.

— Não adianta a escola ser bilíngue se a família não mostra ao filho o valor de ter um projeto de vida. E a escola, em regiões como a nossa, precisa também educar os pais para isso — diz a professora de Ciências Marcele Kloper Balado, coordenadora do projeto Os Pais na Escola, criado há um ano no Odyssea. — Chamar o pai só para reclamar do filho não funciona. Tem de saber como chamar esse pai — acrescenta o diretor do colégio, Carlos José Pestana Moreira, destacando a melhora dos resultados da escola nas provas do Saerj em 2011, ficando acima das notas médias do estado.


Mãe de dois alunos do Odyssea, a dona de casa Joelma de Lima, que estudou até a antiga 3 série primária, diz que aprendeu a fazer o casal de filhos explicar para ela o dever de casa: — Explicaram raiz quadrada, que para mim era coisa do outro mundo, e uma coisa de ciência que gostei muito, sobre evolução do ser humano. Se deixar as criança por ela mesma, ainda mais a mais velha, não vai estudar como deveria — diz Joelma, concordando que não há pai ou mãe que goste de só ouvir falarem mal do filho. — Fico mais tranquila, porque não chamam só nesses momentos. A resposta "Carência de infraestrutura física e pedagógica da escola" recebeu apenas 28% da concordância dos professores no levantamento da Prova Brasil. Mas, para Danilo Serafim, professor de Sociologia da rede estadual do Rio e coordenador geral do Sindicato dos Professores do Estado do Rio (Sepe), esse é um dos principais itens que demonstram que o culpado não é nem o pai nem o professor:

— É o sistema educacional. As políticas educacionais, que não põem contraturno nas escolas, laboratórios... Estive numa escola de Valença recentemente, e, quando chove, o professor tem de levar os alunos para o banheiro, o único lugar onde não chove lá dentro. É claro que há diferença do aluno de uma família que participa para um que tem família ausente. Mas estou perplexo com o fato de a maioria dos professores ter respondido que a causa está nos pais. Se o professor ficar apontando dedo para a família, e a família, para o professor, os reais responsáveis só vão ficar assistindo a isso de camarote.

Comento: Os tempos atuais apresentam uma realidade pedagógica voltada para o estímulo à pesquisa. Viramos as páginas do professor onisciente, onipresente e onipotente. A própria atuação assertiva exercida pela rede mundial de computadores, seus mecanismos de pesquisa e suas redes sociais convida toda a comunidade escolar, composta de escola, alunos e responsáveis, a uma parceria pautada no diálogo, no acompanhamento e no respeito incondicional. Respondendo à pergunta formulada no título do post, o fracasso escolar, causas e consequências são responsabilidade de todos esses atores aqui citados. Mãos à obra por uma educação conscientemente compartilhada, que busque a projeção dos educadores, a auto-realização dos educandos e a segurança social que a família será beneficiária.

7 de março de 2012

Do particular para o público - O que esperar?

Do Último Segundo:

Da escola particular à rede pública

Toda mudança, mínima que seja, provoca um certo grau de expectativa, ansiedade e até de angústias. Quando o assunto é mudar a escola dos filhos, a aventura do novo parece ganhar proporções ainda maiores. E se a mudança vem atrelada a uma nova condição econômica, social e cultural, nada mais comum que ver pais completamente desesperados com a perspectiva de ver o filho trocar o uniforme da escola particular pelo de uma escola pública. Para Marilene Proença, professora doutora do Instituto de Psicologia da USP, a postura e a expectativa dos pais são cruciais para a percepção da criança. “Os pais precisam conhecer as instituições e confiar nelas. Isso é o mais importante, o grau de confiabilidade. Se os próprios pais não confiam na escola, isso de algum modo será transmitido à criança ou ao adolescente. E vai gerar insegurança em vez de tranquilidade”, adverte. 


Mas nem sempre os caminhos que levam ao ensino público são tranquilos. As regras para o ingresso nas escolas diferem de cidade para cidade e de estado para estado. “Escolas consideradas melhores em cada região têm demanda maior. Estados e municípios com boas escolas e menor demanda dão escolha às famílias. Há ainda a possibilidade de estudar em uma instituição pela proximidade à casa ou pelo fato de existirem outras crianças da mesma família naquela escola”, explica Maria Ângela Barbato Carneiro, professora da Faculdade de Educação da PUC-SP.

Como nem sempre há possibilidade de escolha, apenas de cadastro, em muitos casos conseguir uma boa educação na rede pública torna-se um jogo de sorte ou azar. Algumas mães dão sorte. Outras, nem tanto. Conversamos com mães que viveram – ou ainda vivem – os dois lados dessa experiência. Quase todas passaram pelo medo de enfrentar a mudança da escola particular para a rede pública. Elas compartilham aqui seus motivos, suas surpresas e as lições aprendidas com a mudança.

Da escola particular à pública: uma boa surpresa

Cris Guimarães, blogueira, é mãe de Pedro, 11, Daniel, 9, e Luis Felipe, 2 e vive no Rio de Janeiro, RJ. Leia depoimento

"Eu frequentei escola pública até a 4ª série. Meu marido vivenciou essa experiência a vida inteira e mesmo assim eu nunca tinha pensado nessa hipótese para meus próprios filhos. Cheguei a cogitar outras possibilidades, como a educação domiciliar, mas como não é reconhecida no Brasil, meu marido me convenceu de que a rede pública era nossa opção. Não teríamos mais condições financeiras de arcar com os custos da escola privada.
Entrei em pânico. Meus filhos, a princípio, também ficaram apreensivos, pois é uma realidade com a qual não estavam acostumados, além de sempre terem ouvido, em casa e com amigos, coisas negativas sobre a escola pública. Fui sincera com eles. Falei que o motivo era financeiro, mas que daria todo o apoio necessário para garantir uma boa formação. Hoje, acho que não vai ser necessário apoio extra, só o que já era usual, como leituras complementares, passeios culturais e pesquisas na internet, pois me surpreendi bastante com o que vi até agora.

A gente tem em mente que nossos filhos merecem o melhor e a mídia só divulga a parte negativa do que ocorre nas escolas públicas. Poucas são as iniciativas para divulgar os avanços obtidos, as melhorias feitas. Com a minha nova realidade, tive a curiosidade de pesquisar e constatei que o ensino público, nos últimos dez anos, avançou muito em todo o país. No Rio de Janeiro, em especial, há excelentes escolas, muitas com performance alta no ENEM – é um parâmetro discutível, mas não deixa de ser uma referência para comparação – e sem progressão continuada, o que é muito importante.

Feitas minhas escolhas, não tive dificuldade nem para matriculá-los. Fui muito bem recebida pela equipe das duas escolas. Como meus filhos estão em fases diferentes do ensino fundamental, não consegui que ficassem na mesma escola. A infraestrutura é ótima: tem wifi, laboratório de informática, aulas ministradas em netbooks, práticas esportivas, música, aulas de reforço, estudo dirigido.

A escola também oferece um suporte bacana nas refeições – são três por dia – e também fornece o material e uniforme escolar. Ou seja, tirando o luxo ao qual meus filhos estavam acostumados, não acho que sentirão falta de nada. A frase “o aluno faz a escola” tem muito sentido para nós agora. Se eles sempre foram bons alunos até hoje, vão continuar sendo. Eventuais deficiências, a gente discute com a própria escola a melhor forma de suprir. A questão da socialização, de conviver com as diferenças, seja elas de classe social ou de ideologia, também é uma experiência muito rica para eles.

Claro que há desvantagens: falta de organização e muitas informações desencontradas. Uma hora é uma coisa, outra hora é outra, não definem um padrão. Por exemplo, o horário de entrada passado na matrícula foi um, agora é outro. O Riocard (cartão utilizado para pagar o transporte para a escola) veio sem foto, apesar de a foto ter sido tirada na escola. 

Da escola particular à pública: adaptação necessária

Liana Nishitani, fisioterapeuta, é mãe de Yuri, 13, Bianca, 7, e Renan, 5, e vive em São Paulo, SP. Leia depoimento


"Eu fiquei, sim, com o coração na mão quando tive que mudar meus filhos da escola particular para a pública. Nunca havia passado por isso antes, nem como estudante. Mas não houve jeito. Eu saí de um emprego e não conseguiríamos, eu e meu marido, arcar com as despesas de uma escola particular para três filhos. Porque não é só a escola: tem o material, o lanche, o uniforme, passeios... Um pacote de “extras” que não pode ser esquecido. O Yuri, hoje com 13 anos, estuda em escola municipal desde o 5º ano. A Bianca, com 7, está em uma estadual e na rede pública há dois anos. Já o Renan, meu caçula, nunca chegou a estudar numa escola particular.

Por conta da diferença de idade, vivo experiências diversas, que nunca chegaram a ser traumáticas, nem pra mim, nem para os meus filhos. Sei das defasagens, principalmente pedagógicas: tudo é mais lento, não existe muito incentivo à leitura, quase não há lição de casa, as crianças demoram mais a aprender. Mas fico sempre de olho, participo das reuniões, sugiro estímulos. Sempre tive acesso fácil aos professores, diretores. Se quiser marcar uma reunião, não enfrentarei obstáculos. Isso já me conforta, pois sei que tenho voz ativa, serei ouvida.

Minha filha de sete anos já está no 3º ano e só tem português e matemática na grade de disciplinas. Nas escolas particulares, vejo que é bem diferente. Mas, por outro lado, ela foi alfabetizada às pressas e fez grandes progressos neste último ano, pois por conta da idade e com as novas regras para ingresso nos anos, ela teve que pular praticamente um ano, sem saber ler e escrever. E, no final, deu tudo certo. O Renan, meu caçula de cinco anos, só tem como referência educacional a rede pública. E é um menino educado, foi bem cuidado, sempre que houve qualquer incidente na escola eu fui comunicada e nunca sofreu por não ter tido os mesmos privilégios que os outros.



O Yuri, o mais velho, hoje no 9º ano, é o que poderia ter mais dificuldades para se adaptar à escola pública, já que estudou mais tempo no ambiente privado. Mas foi bem tranquilo. Ele sempre foi um bom aluno e continuou sendo. Tento fazer bem minha parte, ficar atenta, ajudar nas pesquisas, nas leituras. Eu me adaptei, meus filhos se adaptaram. Não me incomodam as diferenças de classes sociais, ou que uns alunos vão lá para ser aprovados, enquanto outros não querem saber de nada. Eu vou e estou com a escola pelos meus filhos, pelos alunos que eles são. Hoje, se eu tivesse condições, matricularia meus filhos na rede privada por conta dos estudos mesmo, porque acho os professores e a escola mais comprometida. Mas eu acredito que o choque da mudança da escola pública para a particular seria maior, porque nelas os alunos têm de tudo e do melhor. Com certeza meus filhos sofreriam mais."

Da escola particular à pública: um pesadelo pior do que o imaginado

Odete Santos, engenheira civil, é mãe de Ricardo, 5, e vive em São Paulo, SP. Leia depoimento

"Este ano já seria diferente para o meu filho. Ele acabou o ensino infantil e teria que ingressar no primeiro ano do fundamental. Só não contava com uma mudança tão radical: fiquei desempregada, sem apoio financeiro, e tive então que matriculá-lo numa escola pública. Sempre estudei em escola pública, só a faculdade foi particular. Não me lembro de quando eu era pequena, dos meus primeiros dias de aula na alfabetização, mas assim como eu, sinceramente, espero que meu filho esqueça essa experiência. As coisas que eu vi foram desesperadoras.

Em um primeiro contato, perguntei se poderia ver a escola e a resposta imediata foi negativa, alegando que estavam em reforma. Na segunda vez que estive lá, junto com meu filho, pedi novamente para ver a escola. Novamente me disseram que não, que eu poderia conhecer a escola em janeiro. Não me lembro de, antigamente, a escola pública ser tão desorganizada. Parece que a gente não tem direito nenhum, qualquer forma de se manifestar. As aulas começaram dia 6 de fevereiro e o primeiro dia já foi traumático.

Logo que entramos na escola, era aquela multidão de pais e alunos de todas as idades. Não havia espaço físico para tanta gente. A diretora começou a fazer um discurso que ninguém ouvia. Subi com meu filho para a sala, sentamos, a professora conversou rapidamente. Chegou uma hora que falei que ia embora e ele gritou de desespero. Uma mãe desceu e falou que meu filho estava chorando de soluçar. Subi, conversei com ele e ele ficou bem.

Mas já nesse primeiro dia uma criança invocou com ele, fazia malcriação, jogava o material todo dele no chão. A impressão foi horrível: quando fui buscá-lo, um empurra-empurra na porta, uma voz dizendo “eu vou dar tiro em você”, crianças pequenas junto com as grandes. Ou seja, até alguém chegar, pode acontecer de tudo.

Não existe uma organização antes das aulas começarem. Havia uma pessoa na sala do meu filho, que parecia a professora auxiliar e quando perguntei ela me disse que não sabia o cargo que ocupava na classe, apenas estava lá porque a diretora havia pedido. Deram um crachá para meu filho pendurar no pescoço, coisa que não fazemos nem com um cachorro.

Mandei um caderno no segundo dia. A professora descobriu que ele já estava lendo. Achou bonitinho, falou que leu um livrinho. Mas achei que pedagogicamente estava indo muito devagar. Iam enrolar as crianças até chegar o material do governo. Essa situação estava me angustiando muito e com a ajuda do pai dele, que resolveu arcar com os custos, transferi o Ricardo para uma escola particular.

Não conseguiria engolir aquilo lá por muito tempo. Algumas pessoas falaram para eu conversar mais seriamente com a diretora, pois diziam que era uma escola de referência no bairro. Eu preferi não ter esse desgaste, pois entendi que dificilmente conseguiria unir esforços, inclusive de outros pais, para mudar a situação. Se até então não tinham marcado sequer uma reunião para apresentar a escola, os professores, o planejamento, com certeza seria difícil ter acesso a outras conversas mais privadas.

Todo medo que eu tinha, todos meus receios, se concretizaram de uma maneira ainda pior do que eu esperava. Foi uma experiência péssima e triste, porque no final, é nosso dinheiro que está em jogo e é uma obrigação do estado e da prefeitura oferecer um ensino de qualidade para nossos filhos."


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