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28 de janeiro de 2013

Professores precisam parar com desculpas

Da Veja:

'Professores precisam parar com desculpas', diz brasileiro que concorre a prêmio de melhor docente dos EUA

À frente de turmas que misturam crianças com autismo, adotivas e imigrantes, ele afirma que, a despeito das condições adversas, missão do educador segue sendo a de desenvolver o potencial máximo dos alunos.

Desde 2005, Alexandre Lopes leciona para crianças de 3 a 5 anos no condado de Miami-Dade, na Flórida 

Em abril, o brasileiro Alexandre Lopes, de 44 anos, pode receber um aperto de mão do presidente Barack Obama. Ele é um dos quatro finalistas de um tradicional prêmio americano que desde 1952 aponta o melhor professor do ano no país. A premiação acontece na Casa Branca. Formado em produção editorial, Lopes deixou o Brasil em 1995. Nos Estados Unidos, trabalhou como comissário de bordo antes de se tornar professor do ensino infantil. Desde 2005, leciona em uma escola pública de Miami, na Flórida. Na unidade, é o primeiro especialista em educação inclusiva, método que prevê a integração de todos os estudantes a estabelecimentos regulares de ensino, a despeito de limitações físicas, intelectuais ou sociais. Lopes cuida de 25 alunos com idades entre 3 e 5 anos de idade, sendo que um terço deles tem autismo, distúrbio que afeta a capacidade de comunicação. 

Seu desafio é oferecer conhecimento a todas as crianças, considerando dificuldades e possibilidades de cada uma. "Meu dever como professor é fazer com que meu aluno chegue mais próximo de seu potencial máximo, seja ele qual for." Para cumprir a tarefa, o professor não descansa. Se quer apresentar dinossauros aos pequenos, leva bonecos dos bichos pré-históricos à sala de aula; se o desafio é explicar o significado da palavra "áspero", apresenta uma lixa. A fama de bom mestre se espalhou. No início do ano passado, o brasileiro foi escolhido pelos colegas o melhor professor da escola e, meses depois, o melhor docente da Flórida. Agora, ele tenta conquistar a América com o prêmio concedido pelo CCSSO, organização que reúne secretários estaduais de educação dos Estados Unidos. Na entrevista a seguir, Lopes conta como fez da profissão um exercício de dedicação, que inclui a investigação do potencial de cada criança e o desenvolvimento de estratégias quase personalizadas para driblar obstáculos. "Meu lema é: aquele que traz menos é sempre o que recebe mais", diz. "Situações adversas não podem servir de desculpa."

Como um brasileiro se tornou candidato a melhor professor dos Estados Unidos? 
Em 2001, a companhia aérea em que eu trabalhava apresentou um programa de demissão voluntária, oferecendo benefícios para quem optasse pela saída. Achei que era hora de buscar nova formação. Eu queria me especializar em línguas estrangeiras, mas uma conselheira vocacional analisou meu currículo e sugeriu que eu fizesse um curso de educação especial para a primeira infância. Eu nem sabia do que se tratava, mas resolvi arriscar. Então, me apaixonei pela área. Mais tarde, recebi uma recomendação para uma bolsa de mestrado na Universidade de Miami. Em 2005, recebi o convite para iniciar a primeira turma de educação inclusiva na escola em que trabalho até hoje. Ali, ganhei fama de bom professor: algumas famílias de outras localidades viajavam mais de uma hora para matricular seus filhos em minhas aulas. Em 2012, fui escolhido o melhor professor da escola pelos meus colegas, o que deu início a essa história de premiações. Acho que uma série de fatores contribuiu para meu desempenho: o principal é levar meu trabalho muito a sério e nunca deixar de estudar. Além do mestrado, possuo certificação nacional em educação especial e estou terminando o doutorado na Universidade Internacional da Flórida. Exerço minhas funções com dedicação e carinho, além de conhecer a fundo toda a teoria envolvida em cada ato educacional dentro de uma sala de aula.

Como são suas turmas na escola?  
Trabalho com crianças de 3 a 5 anos. No período da manhã, tenho uma turma de 12 alunos e, à tarde, outra de 13. Cerca de um terço dos meus alunos tem autismo. Há também alunos filhos de imigrantes, que ainda estão aprendendo inglês, além de crianças em condições socioeconômicas adversas, vivendo em abrigos ou com famílias provisórias. Por serem crianças muito novas, as turmas não podem ser grandes.

Como lidar com turmas com condições tão particulares?  
Toda a minha instrução é acompanhada por representações concretas, pictórica e simbólica, do que está sendo dito. Se trato de dinossauros, mostra à turma, respectivamente, bonecos dos bichos, imagens projetadas na lousa digital e nomes dos animais. Quando conto uma história, apresento imagens do local onde ela se passa e dos personagens envolvidos. Se digo que algo é áspero, dou uma lixa para as crianças passarem a mão e saberem o que aquela palavra significa.

Onde entram os fundamentos da educação inclusiva? 
Defino educação inclusiva como o método em que o objetivo é atingir o potencial máximo de cada um dos seus alunos. Meu objetivo é fazer com que todas as crianças progridam. Nem todas, é claro, alcançarão o mesmo desenvolvimento. Meu dever é apenas fazer com que o aluno chegue mais próximo do seu potencial, seja ele qual for.

Qual a maior gratificação do trabalho?  
Dou muito valor às pequenas conquistas. Certa vez, recebi um aluno no dia em que ele completava três anos de idade. Era tranquilo, mas não falava nada. Contudo, toda vez que eu demorava um pouco mais em uma atividade, ele me beliscava para chamar minha atenção. Ensinei a ele que, se quisesse algo, ele deveria pedir, apontar, tocar, mas nunca beliscar alguém. Ele aprendeu, mas seguia sem falar. Finalmente, após quase dois anos de trabalho, um dia isso aconteceu. Eu trabalhava com outra criança quando alguém tocou as minhas costas. Então, ouvi uma voz rouca dizer: "Alex." Comecei a chorar: a primeira palavra que ele disse foi o meu nome. Eu me envolvo muito com os meus alunos. Acho que não há outra forma de ensinar.

O senhor citou o uso de lousa digital. Suas técnicas poderiam ser usadas no Brasil, levando em conta que nem todos os professorem têm acesso à tecnologia em sala de aula? 
 Em qualquer escola do mundo essas técnicas podem ser utilizadas. A alta tecnologia nos auxilia em sala de aula, mas temos também o que chamo de "baixa tecnologia", que depende exclusivamente dos conhecimentos e criatividade do professor. Não ter as mesmas condições de ensino de outros colegas é um desafio para muitos professores, mas isso não pode servir de desculpa.

Os educadores apresentam muitas desculpas?  
Acho que a educação passa por uma crise e temos que sair dela. Se aceitarmos qualquer desculpa, só vamos perpetuar essa crise. Na escola em que trabalho, há um incentivo grande para que os pais participem mais da educação dos filhos. Eu me esforço particularmente nessa tarefa: se for preciso, dou cambalhotas para trazê-los à escola, pois as crianças só têm a ganhar quando os pais se envolvem na educação delas. No entanto, não posso deixar que a ausência da família se torne uma desculpa para o fracasso educacional do aluno. O meu lema é: aquele que traz menos é sempre o que recebe mais. Se o desafio do aluno é aprender um novo idioma, devo lidar com isso. Se ele tem deficiência no desenvolvimento, devo lidar com isso. Se ele vive em uma situação de vulnerabilidade, tenho de lidar com isso. Caso o aluno não esteja evoluindo como esperado, o professor deve se questionar a respeito dos rumos do trabalho.

De maneira geral, os professores americanos têm condições de trabalho melhores do que as oferecidas a seus pares brasileiros. Isso não é um desafio a mais? 
Nunca trabalhei como professor no Brasil e não conheço a fundo os dilemas enfrentados pelos profissionais no país. As pessoas acham que um professor Flórida é muito mais valorizado, mas não é bem assim se compararmos essa atividade a outras. Somente agora, após muito trabalho e dedicação, atingi remuneração semelhante à que recebia como comissário de bordo. Se pensarmos que possuo mestrado e estou prestes a concluir o doutorado e que um comissário de bordo precisa apenas do ensino médio completo, há uma discrepância salarial muito grande também aqui.

O que mudou na sua vida desde que o senhor começou a acumular prêmios na profissão? Desde agosto, após ter sido escolhido o melhor docente da Flórida, não estou mais na sala de aula. Tornei-me embaixador da educação, com as funções de inspirar colegas e representar o estado em conferências e atividades educacionais. Minha vida fugiu ao meu controle (risos).

O senhor pretende lecionar no Brasil?  
Eu nunca parei para pensar nisso. Na verdade, nunca pensei que um dia seria requisitado para tal tarefa. Tudo aconteceu muito rápido. De qualquer forma, acredito que terei oportunidade para dividir o que sei com os professores no Brasil. Isso me deixaria lisonjeado.

22 de março de 2012

Sem professores, não há crescimento


O Brasil registrou:

1) um crescimento do PIB de apenas 2,7% em 2011, com um crescimento menor do que a média de toda América Latina (em torno de 4%) e do que todos os demais países da América do Sul;

2) é também um dos últimos entre 17 países pesquisados na região quando se fala em produtividade do trabalhador (quociente entre bens e serviços produzidos e o pessoal ocupado);

3) como o gasto com funcionários e burocracia é maior do que a arrecadação em alguns Estados (e no DF) ou quase igual na maioria, não sobra dinheiro para um piso nacional decente para os professores.

Conclusão: sem professor, não há educação; sem educação, não há produtividade; sem produtividade, não há crescimento.

13 de fevereiro de 2012

Educação - Mais um dos problemas abissais da sexta potência mundial

Do O Globo:

Gasto por aluno no Nordeste é 36,5% da média do país


Os investimentos dos municípios brasileiros em alunos matriculados em creches mostram uma enorme desigualdade entre as regiões do país. Enquanto as cidades do Sudeste gastam, em média, R$ 8.272,43 por aluno anualmente, no Nordeste esse valor cai para R$ 1.876,89. O valor médio anual desembolsado por aluno em uma creche no Nordeste representa apenas 36,5% da média nacional, que foi de R$ 5.144,09. Esses dados fazem parte da pesquisa “Perfil dos gastos educacionais nos municípios”. Divulgado ontem, em São Paulo, pela União Nacional dos Dirigentes Municipais Brasileiros (Undime), o levantamento traz números de 2009, enviados por 224 municípios.

- Hoje, o futuro de uma criança depende de sorte ou azar. Se tiver sorte, a criança nasce em um município que tem boa arrecadação e pode dar uma educação infantil de qualidade. Se tiver azar, nasce em um município que arrecada pouco e, em muitos casos, não tem condições sequer de manter a educação infantil - afirmou a presidente da Undime, Cleuza Repulho. A pesquisa aponta ainda que o valor gasto pelas creches nordestinas está muito longe do recomendado pelo Custo Aluno-Qualidade Inicial (CAQi), cálculo feito pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação, e que engloba desde insumos até salários de quem trabalha nas escolas. O CAQi diz que cada aluno deveria custar R$ 6.450,70.

- O cálculo é o custo por aluno para ter um mínimo de qualidade, mas a pesquisa mostra que vamos muito mal porque não conseguimos nem atingir a meta do CAQi. Estamos mais distantes da equidade do que imaginávamos - disse Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação. Meses depois de matricular o filho Pedro Cassiano na creche São João, na zona norte de Recife, Daniela Barbosa de Souza decidiu tirá-lo, pois constatou que ele “só vivia doente”. Ela descobriu que, em dias de chuva, a creche é inundada pela água do esgoto que corre a céu aberto em frente à unidade de ensino e, nos banheiros, há retorno de dejetos quando alguém dá descarga.

- Os funcionários são dedicados. O problema é o esgoto - reclamou Marlene Maria da Silva, ex-merendeira da creche e avó e Kiara, que estuda no local. Vizinha de Daniela, Carla da Silva tem três filhos. O mais novo ficou na São João por um tempo, mas também saiu por causa dos problemas de saúde frequentes. - Teve problemas na pele e muita diarreia.

A Secretaria de Educação da Prefeitura informou que a creche São João vem passando por serviços de requalificação hidrossanitária e que, até a próxima semana, estará com pintura e colocação de forro concluídos. Informou, ainda, que até 2009, o custo de cada aluno matriculado nas creches era de R$ 1,4 mil. Em 2012, o investimento previsto é de R$ 3 mil, já que foram distribuídos kits, adquiridos 84 mil brinquedos e jogos pedagógicos, e a Prefeitura está construindo novos centros municipais de educação infantil, destinados a crianças de zero a cinco anos.

Embora com diferenças menores, a desigualdade regional é notória ainda quando se trata da educação infantil (creche mais pré-escola): a média nacional de investimentos é de R$ 3.122,36. No Nordeste fica em R$ 1.605,48, enquanto no Sudeste chega a R$ 4.971,26. - Temos dois Brasis e a disparidade entre o custo com um aluno matriculado no Nordeste e outro no Sudeste não é a única desigualdade. Algumas regiões têm dificuldade também de recursos humanos e técnicos, o que impacta na qualidade da educação - observou Mozart Neves Ramos, do Conselho Nacional de Educação.

No ensino fundamental, cuja média nacional de gastos por ano ficou em R$ 2.937,65 por aluno, a média do Nordeste - a menor do país - ficou em R$ 2.034,89, enquanto a do Sudeste foi de R$ 3.897,77. As séries iniciais (do 1 ao 5 ano) deveriam gastar por aluno, segundo o Ministério da Educação (MEC), R$ 2.096. No entanto, a Região Nordeste gasta R$ 1.948,80. As outras quatro regiões gastam acima do estipulado. - Essa diferença se reflete nas muitas crianças que concluem os três primeiros anos do fundamental e não estão alfabetizadas plenamente - destacou Mozart.

A diferença entre regiões é visível também na Educação de Jovens e Adultos (EJA). Superintendente-adjunta da AlfaSol, Juliana Opirari reconhece o problema, mas diz que, além de resolver essa questão, o país precisa ampliar a oferta de vagas: - Os recursos do Fundeb muitas vezes nem chegam. O Brasil tem 65 milhões que não terminaram o fundamental, e a EJA oferece três milhões de vagas. Presidente do Todos pela Educação, Priscila Cruz alerta: - Para melhorar, precisa de mais recursos, uma melhor gestão, monitoramento e apoio técnico aos municípios. Falar só em mais verba é ingenuidade .

2 de novembro de 2011

Brasil consegue ao mesmo tempo subir 0,019 em seu IDH e cair 11 posições na lista mundial do PNUD

Posição País IDH
Estimativas para 2011 Mudança comparando os dados de 2011 em relação aos dados de 2010 Estimativas para 2011 Mudança comparando os dados de 2011 em relação aos dados de 2010
72
 São Cristóvão e Nevis 0,735
73 ▲ (2)  Venezuela 0,735 ▲ (0,039)
74 ▼ (6)  Bósnia e Herzegovina 0,733 ▲ (0,023)
75 ▼ (1)  Geórgia 0,733 ▲ (0,035)
76 ▼ (7)  Ucrânia 0,729 ▲ (0,019)
77 ▼ (5) Maurícia 0,728 ▲ (0,027)
78 ▼ (7)  Macedónia 0,728 ▲ (0,027)
79 ▲ (1)  Jamaica 0,727 ▲ (0,039)
80 ▼ (17)  Peru 0,725 ▲ (0,002)
81
Dominica 0,724
82
Santa Lúcia 0,723
83 ▼ (6) Equador 0,720 ▲ (0,025)
84 ▼ (11) Brasil 0,718 ▲ (0,019)

22 de abril de 2011

Aula de história - 22 de abril de 1500

Do Brasil Escola:

Descobrimento do Brasil

Por Rainer Sousa (*)

Ultimamente, diversos historiadores refutam a ideia de que o Brasil tenha sido descoberto em 1500 pela esquadra liderada por Pedro Álvares Cabral. Essa revisão sobre o fato usualmente se sustenta no momento em que se destaca o grau de desenvolvimento tecnológico, o controle de informações realizado pelo governo português e a preocupação em se revisar os limites coloniais com a assinatura do Tratado de Tordesilhas.



Para compreendermos melhor essa questão é necessário que observemos alguns episódios anteriores ao anúncio das terras brasileiras. No início de 1500, a Coroa Portuguesa enviou uma expedição que deveria buscar mais um precioso carregamento de especiarias vindo de Calicute, Índia. Essa nova empreitada marítima seria liderada pelo experimente navegador Pedro Álvares Cabral e contaria com a presença do cosmógrafo Duarte Pacheco Pereira.

De acordo com alguns especialistas, Pacheco teria participado de uma expedição secreta que, em 1498, teria constatado a existência das terras brasileiras. Antes da partida, o rei Dom Manuel II organizou uma grande festividade para celebrar a ida dos bravos navegadores que se lançariam às águas do Oceano Atlântico. Depois de celebrar a partida, os navegadores se afastaram da costa africana, contrariando a tradicional rota de circunavegação daquele continente.

A ação tomada nunca teve uma clara explicação, mas se tratando de uma esquadra composta por experientes navegadores, seria no mínimo estranho se lançarem a um tipo de empreitada ausente de qualquer outra segurança. Além disso, devemos salientar que as rotas utilizadas para a navegação eram de extremo sigilo, pois garantiam a supremacia e os interesses comerciais de uma determinada nação. Dessa forma, a ideia do encontro acidental perde ainda mais força.

Os relatos dessa viagem de Cabral pelo Oceano Atlântico não fazem menção a nenhum tipo de grande dificuldade ou imprevisto. No dia 22 de março os navegadores passaram pela Ilha de Cabo Verde e, logo depois, rumaram para o oeste ao encontro do “mar longo”, nome costumeiramente dado ao Oceano Atlântico. Após um mês de viagem e aproximadamente 3600 quilômetros percorridos, os tripulantes da expedição cabralina encontraram os primeiros sinais de terra.

No dia 22 de abril de 1500, no oitavo dia da páscoa cristã, os tripulantes tiveram um primeiro contato visual com um elevado que logo ganhou o nome de Monte Pascoal. Nos relatos de Pero Vaz de Caminha, um dos integrantes da viagem, esse nome é refutado quando o “biógrafo da viagem” afirma que a região ganhou o nome de Vera Cruz. Ao longo desse mesmo relato não existe nenhuma menção sobre um possível encantamento com a “nova” descoberta.

Os navios decidiram primeiramente aportarem nas margens do Rio Frade, de onde enviaram um tradutor judeu chamado Gaspar Gama para entrar em contato com os nativos. Depois de um primeiro contato com os índios, a esquadra decidiu aportar em uma região mais segura, onde hoje se localiza o município baiano de Santa Cruz Cabrália. Em terra firme, os colonizadores lusitanos organizaram uma missa pascoal dirigida pelo Frei Henrique de Coimbra.

A celebração, que oficializou a descoberta e novas terras, cingiu a conquista material da Coroa Portuguesa e abriu caminho para mais espaço de conversão religiosa para a Igreja. Em um primeiro momento a terra ganhou o nome de Vera Cruz, mas logo foi substituído por Terra de Santa Cruz. Em uma última modificação do nome das novas terras, os colonizadores lusitanos decidiram nomeá-la como “Brasil” em face da grande disponibilidade de pau-brasil na região.

No dia 2 de maio de 1500, Pedro Álvares Cabral desmembrou a sua esquadra e partiu para as Índias. Gaspar de Lemos recebeu ordens para que retornasse para Portugal portando as notícias contidas no relato de Pero Vaz de Caminha. Neste documento, havia informações gerais sobre a região explorada e algumas prospecções sobre o potencial econômico local. No entanto, somente três décadas mais tarde, os portugueses iniciaram as atividades regulares de colonização no Brasil.


(*) Graduado em História, da Equipe Brasil Escola

15 de abril de 2011

Aula de história - Uma ditadura que não era exclusivamente militar ou Uma presidenta do barulho

VAR-Palmares planejou execução de militares

Documento da Aeronáutica que foi tornado público nesta quarta-feira, 13, pelo Arquivo Nacional, após ter sido mantido em segredo durante três décadas, revela que a organização guerrilheira VAR-Palmares, que contou em suas fileiras com a hoje presidente Dilma Rousseff, determinou o "justiçamento", isto é, o assassinato de oficiais do Exército e de agentes de outras forças considerados reacionários nos anos da ditadura militar.  Com cinco páginas, o relatório A Campanha de Propaganda Militar, redigido por líderes do grupo, avalia que a eliminação de agentes da repressão seria uma forma de sair do isolamento. O texto foi apreendido em um esconderijo da organização, o chamado aparelho, e encaminhado em caráter confidencial ao então Ministério da Aeronáutica.

O arquivo inédito, revelado pelo Estado no ano passado e aberto à consulta pública na teraça-feira, 12, faz parte do acervo do Centro de Segurança e Informação da Aeronáutica (CISA). No Arquivo Nacional, em Brasília, novo endereço do acervo que estava em poder do serviço de inteligência da Aeronáutica, há um conjunto de documentos que tratam da VAR-Palmares. Mostram, entre outras coisas, a participação de militares da ativa e a queda de líderes do grupo em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo. Os nomes dos integrantes do grupo receberam uma tarja preta, o que impede estabelecer relações diretas entre eles e as ações relatadas. É possível saber, por exemplo, que militantes de Belo Horizonte receberam em certa ocasião dez revólveres calibre 38 e munição, mas não os nomes desses militantes...

Armas do grupo guerrilheiro VAR-Palmares

A VAR-Palmares surgiu em 1969 com a fusão do grupo Colina (Comando de Libertação Nacional), em que Dilma militava, com a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), do capitão Carlos Lamarca. Dilma, à época com 22 anos, foi presa em janeiro de 1970 em São Paulo. Ela só foi libertada em 1972, após passar por uma série de sessões de tortura. Sempre que fala sobre seu envolvimento com a resistência ao regime militar, Dilma costuma ressaltar que sua visão atual da vida não tem "similaridade" com o que pensava durante o tempo de guerrilha... Leia mais no Estadão

20 de novembro de 2010

Fábulas de um Brasil sem jeito ou Os 3 porquinhos que fizeram a fábula ficar sem moral e sem final feliz



Até agora apenas sussurrado por inimigos íntimos, o apelido coletivo da trinca formada por Antonio Palocci, José Eduardo Dutra e José Eduardo Cardoso foi escrachado por Dilma Rousseff nesta sexta-feira, durante o discurso na reunião do diretório nacional do PT. Grata pelos bons serviços prestados por eles ao longo da campanha, Dilma referiu-se elogiosamente aos Três Porquinhos. A candidata que não dizia coisa com coisa é agora a presidente eleita que não sabe o que diz. Os devotos de Lula atravessaram a temporada eleitoral enxergando um PIG (Partido da Imprensa Golpista) no palanque da oposição. Com meia dúzia de palavras, a oradora apresentou ao país três pigs de estimação.

Dos três porquinhos da velha fábula ─ Prático, Cícero e Heitor ─, só o primeiro é competente e operoso. Os outros são preguiçosos juramentados. “Eu sou o Prático”, antecipou-se José Eduardo Dutra. “Eu sou o Cícero”, emendou José Eduardo Cardozo, talvez sem saber que seu personagem foi o primeiro a ter a casa destruída pelo Lobo Mau. Sobrou para Palocci o papel de Heitor, que também só escapou do vilão por ter-se abrigado no refúgio seguro construído pelo porquinho Prático.

A associação à história infantil deixa dois Altos Companheiros mal no retrato. Pior ainda é a associação à trinca de parlamentares batizada pela imprensa com a mesma alcunha durante a campanha eleitoral de 1989. A serviço do chefe José Sarney, os senadores Edison Lobão, Marcondes Gadelha e Hugo Napoleão planejaram o lançamento da candidatura do apresentador Silvio Santos à Presidência da República. A trama protagonizada pelos Três Porquinhos do século passado tropeçou na Justiça Eleitoral. Mas a confusão que provocaram fez o quadro político ficar parecido, por algum tempo, com um chiqueiro. Pelo tom de voz, Dilma quis ser gentil com seus porquinhos preferidos. É difícil imaginar que imagens, comparações e alcunhas poderá berrar quando, já instalada na Presidência da República, estiver sob o signo da fúria.

16 de janeiro de 2010

Um eufemismo: O Haiti é aqui


Em um blog que se destina a falar sobre educação, falar sobre Haiti e sobre o terremoto que lá vitimou milhares é no mínimo fugir da pauta. Mas tenho que escrever alguma coisa, como mulher de militar que sou e como brasileira indignada com os passos suicidas que estamos dando como povo, rumo ao abismo. Não vou falar aqui no endeusamento conferido à médica Zilda Arns, que mereceu as homenagens que o reconhecimento ao seu trabalho humanista lhe conferiu. Vou falar aqui no pouco caso que a imprensa teve com nossos militares falecidos, com os feridos e com os desaparecidos.

Em troca de migalhas financeiras e de uma valorização profissional que possibilite chegar um pouco menos atrasado que o colega que não vai ao exterior, centenas de profissionais das Forças Armadas já se destinaram ao Haiti, para vivenciar algo que suas energias e seu amor à Pátria aqui dentro de nossas fronteiras poderia propiciar, em função das precárias condições de segurança e infraestrutura que caracterizam nosso país. Deixarei de lado julgar o fato inequívoco de que nada, mas absolutamente nada temos de laços históricos e culturais com aquele país.

Pois bem, servindo de polícia e coordenando a melhoria da qualidade dos serviços haitianos, nossos Oficiais e Praças estão há anos no Haiti e pelo visto de lá não sairão tão cedo. O fato, porém, é que com o terremoto que vitimou milhares na última semana, 14 militares brasileiros morreram e 4 estão desaparecidos, sem contar os vários feridos, alguns em estado grave. O que estavam nossos bravos agentes do Estado Brasileiro fazendo tão longe de sua terra natal, do aconchego de esposa, filhos, pais? Várias outras perguntas graves calam agora no meu peito, mas duas são inevitáveis.

A primeira: Zilda Arns já foi trasladada, sepultada e enterrada. Cogita-se pela CNBB que seja canonizada. Nada contra, afinal seu currículo de desprendimento e trabalho pela vida a transformaram em um ser humano exemplar, por mais que ainda não tenha obrado milagres. Ainda. Por que nossos 14 heróis ainda não foram enviados para serem regados pelas lágrimas de seus entes queridos? Burocracia? Indenização? Embaixada que desmoronou?

Segunda pergunta: Nelson Jobim, ministro da defesa, promovido a curandeiro-mór, compareceu ao local da catástrofe no dia posterior e trouxe aos familiares dos desaparecidos, esperançosos até então, a certeza de que estavam mortos, sem ao menos seus corpos terem sido localizados. Para tal, além da ausência de sensibilidade e de respeito pela dor alheia, usou o conceito de eufemismo. Segundo ele, a relação entre desaparecido e morto é medida pelo eufemismo, que é uma figura de linguagem usada para suavizar uma expressão. Atrevo-me então a formular uma terceira pergunta, eu que tão cedo não quero ficar viúva: Seria um eufemismo afirmar que o Haiti é aqui?

E ai, gostou do que leu? Que tal ver o blog atualizado?

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