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8 de janeiro de 2012

Planejamento educacional - Parte IX - Planejando 2012 e singrando novos rumos

Do Planeta Educação:

Planejamento escolar

Por João Luís de Almeida Machado (*)


Início de ano letivo, professores reunidos, direção da escola disposta a dar novos rumos ao trabalho, aulas prestes a se reiniciar, alunos ansiosos por alterações e melhorias... O que fazer? Como renovar a escola e, principalmente, os cursos e aulas? De que forma é possível, logo na largada do período escolar, dar alento e ânimo a todos os participantes da comunidade educacional em que trabalhamos? 

O primeiro passo é, sem qualquer sombra de dúvidas, levar o planejamento escolar anual muito a sério. De nada adianta reunir o grupo de professores da escola para simplesmente atualizar as datas e realizar pequenas modificações no plano de curso apenas para constar que isso aconteceu. Sei que muitos professores que estiverem lendo essas linhas podem até ficar ofendidos, afinal de contas o puxão de orelhas está sendo direcionado de forma generalizada e, certamente, há profissionais que se preocupam (e muito) em realmente melhorar seus projetos de trabalho de um ano para o outro.

Mas a realidade, conhecida por muitos e também praticada por um sem-número de professores, é que os planos de ensino de anos anteriores já são tão bons que nem precisam ficar sendo alterados, repensados, atualizados e modernizados. Assim pensam tantos que isso já se tornou prática mais do que comum em inúmeras escolas. 

Modificar a forma de pensar o plano escolar anual e agir nesse sentido é mais do que necessário e, certamente, é o primeiro e decisivo passo para que a escola seja outra no ano que se inicia. Assuma o compromisso em benefício de seus alunos e também de você mesmo, afinal de contas, ficar dando as mesmas aulas e repetindo iguais idéias ano após ano é coisa para quem tem pouquíssima imaginação... Esse certamente não é o seu caso... Ou é?


E o que deve ser feito a seguir? 

Equipe-se para essa dura tarefa. Vá para o planejamento escolar com recursos que considere úteis para realizar alterações marcantes em seu projeto. E que tipo de recursos são esses? Desde livros didáticos e paradidáticos até músicas e filmes com os quais saiba que será possível (e provável) motivar os estudantes e torná-los ávidos e interessados no saber. 

Tenha em mente que os recursos devem se adequar aos conteúdos curriculares previstos para o ano escolar com o qual trabalhará. Saiba também que a utilização ou a previsão de uso desses recursos em aula de nada adianta se os mesmos não estiverem concatenados com práticas pedagógicas como explanações do professor, tarefas, trabalhos em grupo, uso de outras referências,...

Ou seja, melhor dizendo, não há varinha mágica entre os recursos que você irá utilizar... Filmes, computador, internet, livros, atividades com arte, visitas a museus, excursões a locais públicos ou privados, entrevistas, encontros com especialistas ou qualquer outra atividade que você desenvolva podem ser de grande utilidade se estiverem plenamente “amarradas” e conectadas ao trabalho desenvolvido na escola em sua totalidade!

Pense também que não adianta apenas centrar suas atenções no conteúdo específico de sua disciplina. Se você dá aulas de português, matemática, história, inglês, biologia, química ou artes é certo que aprofundamentos e novos materiais em sua área específica de conhecimento devem fazer parte da revisão e atualização de seu planejamento de trabalho. Mas além desses saberes centrados em sua especialidade deve também existir um preparo do profissional para melhorar sua didática, seu arsenal de práticas e ações para a efetivação do processo de ensino-aprendizagem.

É, por exemplo, de essencial importância que o docente esteja a par de qual é a proposta pedagógica da escola ou rede de ensino na qual está trabalhando. E, sabedor da filosofia e metodologia do estabelecimento no qual atua, que se informe com a devida profundidade sobre quais são os pilares e práticas comuns a essa proposta. Não adianta nada saber apenas por terceiros o que é, como funciona ou ainda quais são as estratégias mais comuns de tal linha pedagógica.

Lâmpada-Criatividade

Não é só isso. Ao professor compete estar por dentro das novas idéias de seu segmento de trabalho. Saber o que pesquisadores e educadores estão falando sobre relação professor-aluno, indisciplina, novas metodologias de ensino, tecnologias na educação, gestão escolar, leis da educação, merenda escolar, avaliação, qualidade de ensino e temas afins é de essencial importância. E não é só isso, com as novas tecnologias em voga cada vez mais, é preciso saber e informar-se sobre economia, política, cultura, artes, esportes,...

Outro aspecto de fundamental importância para um planejamento escolar adequado aos novos tempos é a utilização das novas tecnologias tanto para informar-se e elaborar os planos de ação como para as atividades de trabalho com os alunos. Se o professor ainda tem dificuldades ou desconhece os computadores e a internet está mais do que na hora de buscar auxílio e aprender para contar com o apoio dessas ferramentas. Nesse sentido é importantíssimo que o educador conheça sites e portais que possa indicar para seus alunos como referenciais de pesquisa e apoio em seus trabalhos escolares.

O trabalho educacional também não pode prescindir nos dias de hoje de um constante apoio e intercâmbio dentro do próprio quadro docente. O que quero dizer com isso? Criar projetos integrando disciplinas e buscando sempre o suporte dos gestores escolares é de fundamental importância. Temos que nos lembrar e firmar com constância a idéia de que o conhecimento não é estanque e fragmentado. 

Canais-comunicação

Muito pelo contrário, as trocas entre biologia, história, geografia, física, matemática, português, química, artes, inglês, filosofia e educação física são constantes e que essas relações dão ao conhecimento muito vigor, consistência e dinâmica. 

Essa dinâmica de trocas também deve ser reforçada com a participação mais integral dos gestores na vida escolar. Isso é uma crítica? Sim, pois o que se vê é que muitas vezes diretores, coordenadores e orientadores se vêem tão sobrecarregados por suas atividades cotidianas – em especial com a burocracia e com pequenos incêndios que ocorrem no dia a dia – que não conseguem acompanhar o que está acontecendo em sala de aula com a devida atenção...

E como esses profissionais podem ajudar? Por sua experiência e conhecimento foram muitas vezes alçados a essas posições na hierarquia de suas escolas. São pessoas que conhecem e têm (normalmente) muita experiência não apenas como gestores, mas também enquanto professores. Conhecendo melhor o trabalho de seus docentes, esses gestores são capazes de ajudá-los na integração de projetos entre diferentes disciplinas, na compreensão da filosofia da escola, nos relacionamentos entre professores e alunos,...
Além disso, os gestores ainda podem (e devem) ajudar a todos na busca por um ambiente escolar devidamente equipado, limpo, organizado, eficiente e bonito. São eles que, liderando e em conjunto com toda a comunidade educacional, devem mobilizar os esforços pela manutenção da escola e pela criação de uma forma de pensar a escola que a torne atraente, interessante e benéfica para todos.

Creio que, certamente, há muitas outras idéias interessantes que poderiam ser adicionadas as proposições desse artigo, nesse sentido convoco todos a participarem suas práticas, ações, estratégias e proposições através de comentários e e-mails. Penso que somente com o constante intercâmbio poderemos melhorar ainda mais nossa educação. Afinal de contas, o desafio de um ano letivo é grandioso e não podemos desperdiçar tempo e oportunidades que nos são dadas, não acham?

(*)  Doutor em Educação pela PUC-SP; Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP); Professor Universitário e Pesquisador; Autor do livro "Na Sala de Aula com a Sétima Arte – Aprendendo com o Cinema" (Editora Intersubjetiva).


Leia também:

Planejamento educacional - Parte I - Didática

Planejamento educacional - Parte II - Planejamento diário

Planejamento educacional - Parte III - A necessidade de ser flexível

Planejamento educacional - Parte IV - Melhorando a velha sala de aula

Planejamento educacional - Parte V - O plano de aula

Planejamento educacional - Parte VI - Projeto político pedagógico

Planejamento educacional - Parte VII - Planejando o ano escolar de 2011

Planejamento educacional - Parte VIII - Docentes nota 10

Planejamento educacional - Parte IX - Planejando 2012 e singrando novos rumos

Planejamento educacional - Parte X - Organização e planejamento em família

11 de junho de 2011

Acolhendo os especiais

Do Planeta Educação:


A Criança Especial e a Escola

Por Marilda Balerine da Silva (*)


A criança portadora de necessidades especiais, além do direito, tem a necessidade de cursar uma escola normal. A escola, na nossa cultura, é uma representante da sociedade. Portanto, alguém que freqüenta a escola se sente mais reconhecido socialmente do que aquele que não frequenta.

Sabemos que existe preconceito quanto ao deficiente, seja qual for o problema ou o grau de deficiência apresentado. É longa a história de sua marginalização em nossa cultura. Felizmente, hoje, tenta-se minimizar os efeitos de tantos anos de exclusão. Alguma evolução se percebe a partir da compreensão do que é a "deficiência". Substituir "deficiente" por "especial" modifica um pouco a situação da criança, pois altera a nossa atitude quando compreendemos que existem necessidades especiais. Pensando assim, a criança portadora de necessidades especiais em uma sala de aula normal tem a chance de se sentir reconhecida. Um reconhecimento que humaniza.

Há quinze anos, quando ainda não se ouvia falar na pedagogia da inclusão, tive a oportunidade de iniciar minha atividade como psicóloga na Escola Carlos Saloni, em São José dos Campos. Nesse período, com total apoio da Direção da escola, sem o qual nada teria sido possível, fui, aos poucos, introduzindo, nas salas de aula, crianças com algum tipo de deficiência. No início, esbarramos no preconceito de alguns pais, mas com o irrestrito apoio dos professores, que se esforçaram em compreender a criança especial e buscaram respostas e métodos para poder dar o melhor de si, conseguimos bons resultados e isso nos encorajou a abrir espaço para outras crianças, com os mais diferentes problemas.

Para citar como exemplo, tínhamos desde uma disfunção neurológica leve, até paralisia cerebral com grave comprometimento motor. Cada uma dessas crianças, na particularidade da sua deficiência, nos ensinou muito. Melhoramos como profissionais e como seres humanos. Por isso afirmo que a diferença só acrescenta. A criança especial na escola modificou toda uma conduta que se projetou nos alunos. A solidariedade entre eles foi o que mais nos chamou a atenção. Ofereciam-se para ajudar, para empurrar a cadeira de rodas, para acompanhar ao banheiro e chegavam a fazer revezamento na hora de auxiliar o colega a copiar as tarefas do quadro negro. Até hoje é assim.

Todo esse trabalho foi desenvolvido aos poucos. Não existe fórmula ou receita para isso. Aprendemos a fazer, fazendo. Costumamos trabalhar com o apoio dos profissionais que acompanham essas crianças, em geral, da área de reabilitação, como a terapia ocupacional, a fonoaudiologia, a fisioterapia e a neurologia. O trabalho conjunto com esses terapeutas foi e é de primordial importância para a compreensão da limitação de cada aluno e para sabermos até onde podemos ir, sempre adequando nossa intervenção pedagógica. A escola, nesse aspecto, é também terapêutica.

Outro ponto delicado é o atendimento aos pais. Toda família com uma criança especial desenvolve uma dinâmica particular. Em geral, eles chegam até nós, para a entrevista, receosos, preocupados e ansiosos, pois temem a discriminação. Quando a família se sente apoiada pela escola, esse sentimento se reflete também sobre a criança, criando um clima favorável ao trabalho. Os pais precisam se sentir tão incluídos quanto seus filhos.

O importante é evidenciar que na escolarização de uma criança com necessidades especiais estão envolvidos, além da própria criança, seus pais, os terapeutas, os médicos e os educadores. Cabe à escola acolher essa criança, fazer tudo o que estiver ao seu alcance para que se beneficie do contexto escolar. 

(*) Psicóloga

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