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11 de fevereiro de 2009

Distúrbios da aprendizagem - Ainda sobre a dislexia...

Li a respeito num blog português e achei muito interessante a abordagem feita a respeito desse distúrbio de aprendizagem. As considerações da profissional prescindem quaisquer complementações e as deixo com vocês, por serem muito pertinentes:



Dislexicando


"A definição mais usada na actualidade é a do Comitê de Abril de 1994, da International Dyslexia Association - IDA, que diz:

"Dislexia é um dos muitos distúrbios de aprendizagem. É um distúrbio específico da linguagem, de origem constitucional, caracterizado pela dificuldade de descodificar palavras simples. Mostra uma insuficiência no processo fonológico. Estas dificuldades de descodificar palavras simples não são esperadas em relação a idade. Apesar de submetida a instrução convencional, adequada inteligência, oportunidade sócio-cultural e não possuir distúrbios cognitivos e sensoriais fundamentais, a criança falha no processo de aquisição da linguagem.

A dislexia é apresentada em várias formas de dificuldade com as diferentes formas de linguagem, frequentemente são incluídos os problemas de leitura, da aquisição e capacidade de escrever e soletrar."

A dislexia não é uma doença, portanto não podemos falar em cura. Ela é congênita e hereditária, e os seus sintomas podem ser identificados logo na pré-escola. Os sintomas, ainda, podem ser aliviados, contornados, com acompanhamento adequado, direccionado às condições de cada caso. Não podemos considerar como 'comprometimento' a sua origem constitucional (neurológica), mas sim como uma diferença, que é mais notada em relação ao dominio cerebral.

Portanto:

· "A DISLEXIA é uma dificuldade de aprendizagem na qual a capacidade de uma criança para ler ou escrever está abaixo de seu nível de inteligência."

· "A DISLEXIA é uma função, um problema, um transtorno, uma deficiência, um distúrbio. Refere-se a uma dificuldade de aprendizagem relacionada à linguagem."

· "A DISLEXIA é um transtorno, uma perturbação, uma dificuldade estável, isto é duradoura ou parcial e, portanto, temporária, do processo de leitura que se manifesta na insuficiência para assimilar os símbolos gráficos da linguagem.”

· "A DISLEXIA não é uma doença, é um distúrbio de aprendizagem congênito que interfere de forma significativa na integração dos símbolos linguísticos e perceptivos. Afecta mais o sexo masculino que o feminino, numa proporção de 3 para 1."

· "A DISLEXIA é caracterizada por dificuldades na leitura, escrita (ortografia e semântica), matemática (geometria, cálculo), atraso na aquisição da linguagem, comprometimento da discriminação visual e auditiva e da memória sequencial .”

SINAIS ENCONTRADOS EM DISLÉXICOS

Desde a pré-escola alguns sinais e sintomas podem oferecer pistas que a criança é disléxica. Eles não são suficientes para se fazer um diagnóstico, mas vale prestar atenção:

* Fraco desenvolvimento da atenção.

* Falta de capacidade para brincar com outras crianças.

* Atraso no desenvolvimento da fala e escrita.

* Atraso no desenvolvimento visual.

* Falta de coordenação motora.

* Dificuldade em aprender rimas/canções.

* Falta de interesse em livros impressos.

* Dificuldade em acompanhar histórias.

* Dificuldade com a memória imediata organização geral.

DIFICULDADES ENCONTRADAS EM CRIANÇAS COM DISLEXIA

* Dificuldade para ler orações e palavras simples.

* A pronúncia ou a soletração de palavras monossilábicas é uma dificuldade evidente nos disléxicos.
* As crianças ou adultos disléxicos invertem as palavras de maneira total ou parcial, por exemplo “casa” é lida “saca”. Uma coisa é uma brincadeira ou um jogo de palavras, observando a produtividade morfológica ou sintagmática dos léxicos de uma língua, uma outra coisa é, sem intencionalidade, a criança ou adulto trocar a sequência de letras.

* Invertem as letras ou números, por exemplo: /p/ por /b/, /d/ por/ b /3/ por /5/ ou /8/, /6/ por /9/ especialmente quando na escrita minúscula ou em textos manuscritos escolares. Assim, é patente a confusão de letras de simetria oposta.

* A ortografia é alterada, podendo estar ligada a chamada CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA (alterações no processamento auditivo).

* Copiam de forma errada as palavras, mesmo observando na lousa ou no livro como são escritas. Em geral, os professores ficam desesperados: " como podem - pensam e reclamam - ela está vendo a forma correccta e escreve exactamente o contrário?".

Ora, o processamento da informação léxica, que é de ordem cerebral, está invertida ou simplesmente deficiente.

* As crianças disléxicas conhecem o texto ou a escrita, mas usam outras palavras, de maneira involuntária. Trocam as palavras quando lêem ou escrevem, por exemplo:“gato” por “casa”.

* As crianças disléxicas têm dificuldades em distinguir a esquerda e a direita.

* Alteração na sequência das letras que formam as sílabas e as palavras.

* Confusão de palavras parecidas ou opostas em seu significado. Os homónimos, isto é, palavras semelhantes (secção, cessão e sessão) são uma dificuldade nas crianças disléxicas.

* Os erros na separação das palavras.

* Os disléxicos sofrem com a falta de rapidez ao ler. A leitura é sem modulação e sem ritmo.

Os disléxicos, às vezes, com muito sacrifício, descodificam as palavras, mas não conseguem compreendê-las.

* Os disléxicos têm falhas na construção gramatical, especialmente na elaboração de orações complexas (coordenadas e subordinadas) na hora da redação espontânea.

ETIOLOGIA

Em concrecto, não há nenhuma segurança em afirmar uma ou outra etiologia para a causa da dislexia, mas há algumas situações que foram descartadas:

Em hipótese alguma o disléxico tem comprometimento intelectual.

Segundo a Teoria das Inteligências Múltiplas, o ser humano possui habilidades cognitivas: inteligência interpessoal, inteligência intrapessoal, inteligência lógico-matemática, inteligência espacial, inteligência corporal-cinestésica, inteligência verbal-linguística, inteligência musical, naturalista, existencial e pictórica.

O disléxico teria a sua inteligência mais predisposta à inteligência corporal-cinestésica, musical, espacial.

Quanto ao emocional, é preciso avaliar muito bem. Pode haver um comprometimento do emocional como consequência das dificuldades da dislexia, mas nunca como causa única.


A criança disléxica não tem perda auditiva.

Há vários estudos :

A) Uma falha no sistema nervoso central na sua habilidade para organizar os grafemas, isto é, as letras ou decodificar os fonemas, ou seja, as unidades sonoras distintivas no âmbito da palavra.

B) O impedimento cerebral relacionado com a capacidade de visualização das palavras.

C) Diferenças entre os hemisférios e alteração (displasias e ectopias) do lado direito do cérebro. Isso implica, entre outras coisas, uma dominância da lateralidade invertida ou indefinida. Mas também justifica o desenvolvimento maior da intuição, da criatividade, da aptidão para as artes, do raciocínio mais holístico, de serem mais subjectivos e todas as outras qualidades características do hemisfério direito.

D) Inadequado processamento auditivo (consciência fonológica) da informação linguística.

E) Implicações relação afectiva mãe-filho, o que pode entravar a necessidade da linguagem, e mais tarde a aprendizagem da leitura e escrita.

TIPOS DE DISLEXIA

*DISLEXIA ACÚSTICA: manifesta-se na insuficiência para a diferenciação acústica (sonora ou fonética) dos fonemas e na análise e síntese dos mesmos, ocorrendo omissões, distorções, transposições ou substituições de fonemas. Confundem-se os fonemas por sua semelhança Articulatória.

*DISLEXIA VISUAL: Ocorre quando há imprecisão de coordenação visuo-especial manifestando-se na confusão de letras com semelhança gráfica. Não temos dúvida que o primeiro procedimento dos pais e educadores é levar a criança a um médico oftalmologista.

*DISLEXIA MOTRIZ: evidencia-se na dificuldade para o movimento ocular. Há uma nítida limitação do campo visual que provoca retrocessos e principalmente intervalos mudos ao ler.


LEMBRE-SE EM OBSERVAR

* Alterações de grafia como "a-o", "e-d", "h-n" e "e-d", por exemplo.

* As crianças disléxicas apresentam uma caligrafia muito defeituosa, verificando-se irregularidade do desenho das letras, denotando, assim, perda de concentração e de fluidez de raciocínio.

* As crianças disléxicas, ainda segundo o professor, apresentam confusão com letras com grafia similar, mas com diferente orientação no espaço como " b-d". "d-p", "b-q", "d-b", "dp", "d-q", "n-u" e "a-e". Ocorre também com os números 6;9;1;7;3;5, etc.

* Apresenta dificuldade em realizar cálculos por se atrapalhar com a grafia numérica ou não compreende a situação problema a ser resolvida.

* Confusões com os sinais (+) adição e (x) multiplicação.

* A dificuldade pode ser ainda para letras que possuem um ponto de articulação comum e cujos sons são acusticamente próximos: "d-t" e "c-q", por exemplo.

* Na lista de dificuldades dos disléxicos, para o diagnóstico precoce dos distúrbios de letras, chamamos a atenção de educadores, e pais para as inversões de sílabas ou palavras como "sol-los", "som-mos" bem como a adição ou omissão de sons como "casa-casaco", repetição de sílabas, salto de linhas e soletração defeituosa de palavras.

ALFABETIZAÇÃO DO DISLÉXICO


O disléxico precisa de atentamente, ouvir atentamente, ter em atenção os movimentos da mão quando escreve e prestar atenção aos movimentos da boca quando fala. Assim sendo, a criança disléxica associará a forma escrita de uma letra tanto com seu som como com os movimentos FALAR-OUVIR-LER-ESCREVER, são atividades da linguagem.FALAR E OUVIR, são actividades com fundamentos biológicos.O método mais adequado tem sido o fonético e montagem de ”manuais” de alfabetizaçãoapropriada a criança disléxica.

A criança aprende a usar a linguagem falada mas isto depende do:

> meio ambiente compreensivo, estimulador e paciente.

> trato vocal.

> organização do cérebro.

> sensibilidade perceptual para falar os sons.

O sucesso na reeducação de um disléxico está baseado numa terapia multisensorial (aprender pelo uso de todos os sentidos), combinando sempre a visão, a audição e o tacto para ajudá-lo a ler e soletrar corretamente as palavras.

ESTRATÉGIAS QUE AJUDAM

Uso frequente de material concreto:

>> Relógio digital.
>> Calculadora.
>> Gravador.
>> Confecção do próprio material para alfabetização, como desenhar, montar uma cartilha.
>> Uso de gravuras, fotografias (a imagem é essencial para sua aprendizagem).
>> Material Dourado.
>> Folhas quadriculadas para matemática.
>> Letras com várias texturas.
>> Evitar dizer que ela é lenta, preguiçosa ou compará-la aos outros alunos da turma.
>> Ela não deve ser forçada a ler em voz alta em turma a menos que demonstre desejo em fazê-lo.
>> As suas habilidades devem ser julgadas mais através das suas respostas orais do que nas escritas.
>> Sempre que possível , a criança deve ser encorajada a repetir o que lhe foi dito para fazer, isto
inclui mensagens. Sua própria voz é de muita ajuda para melhorar a memória.
>> Revisões devem ser frequentes e importantes
>> Copiar do quadro é sempre um problema, tente evitar isso, ou dê-lhe mais tempo para fazê-lo.
>> Demonstre paciência, compreensão e amizade durante todo o tempo, principalmente quando você estiver ensinando a alunos que possam ser considerados disléxicos.
>> Ensine-a quando for ler palavras longas, a separá-las com uma linha a lápis.
>> Dê-lhes menos deveres de casa e avalie a necessidade e aproveitamento desta tarefa
>> Não risque a vermelho os seus erros ou coloque lembretes tipo: estude! precisa estudar mais!
precisa melhorar !
>> Procure não dar sas suas notas em voz alta para toda a turma, isso a humilha e a faz infeliz.
>> Não a force a modificar a sua escrita, ela sempre acha sua letra horrível e não gosta de vê-la no papel. A modulação da caligrafia é um processo longo.
>> Procure não reforçar sentimentos que minimizam sua auto-estima.
>> Dê-lhes um tempo maior para realizar as avaliações escritas. Uma tarefa em que a criança não-disléxica leva 20 minutos para realizar, a disléxica pode levar duas horas.
>> Usar sempre uma linguagem clara e simples nas avaliações orais e principalmente nas escritas.
>> Uma língua estrangeira é muito difícil para eles, faça suas avaliações sempre em termos de trabalhos e pesquisas.

ORIENTAÇÃO AOS PAIS

* A coisa mais importante a fazer: AJUDAR A MELHORAR A AUTO ESTIMA. Ofereça segurança, carinho, compreensão e elogie seus pequenos acertos.

* Procurar ajuda profissional para realizar um diagnóstico correto: Fonoaudiólogo, Psicólogo, Neurologista ou Psicopedagógo.

* Explique que as suas dificuldades têm um nome: DISLEXIA e que você vai ajudá-lo a superál-as, mas que ele é o principal agente desta mudança.

* Encoraje-o e encontre coisas em que se saia bem, estimulando-o nessas coisas.

* Elogie pelos seus esforços, lembre-se como ele tem de se esforçar muito para ter algum sucesso
na leitura e na escrita.

* Ajude-o nos trabalhos escolares, ou, em algumas lições em especial, com paciência (mas não escreva para ele, ou resolva as suas tarefas de matemática).

* Ajude-o a ser organizado.

* Encoraje-o a ter hobbies e atividades fora da escola, como desportos, música, fotografia, desenhos, etc.

* Observe se ele está recebendo ajuda na escola, porque isso faz muita diferença na habilidade dele de enfrentar as suas dificuldades, de prosperar e de crescer normalmente.

* Não permita que os problemas escolares impliquem em mau comportamento ou falta de limites. Uma coisa nada tem a ver com a outra!"

Fonte: Blog Post it psicológico

1 comentários:

luana lindinha disse...

oi meu filho tem todos os sintomas de dislexia ajudo muito ele em casa mas na escola a professora não tem muita paciencia de ensina-lo fala que ele tem que fazer a lição rapido porque ela tem que passar mais liçaõ~para o restante da sala e por isso apressa ele a fazer e ele não consegue fazer parece que ele trava e não faz nada não sei mais o que fazer me ajudem! obrigada

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